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Espancamento no resort de Itacaré prejudica a Bahia
  • Da Redação do Jornal da Mídia
  • Quinta-feira, 02/12/2004 - 07:06

    Salvador - O depoimento-denúncia do fotógrafo Cassiano Barbosa de Sousa, publicado na edição da revista Caras que já está nas bancas, e pelo Jornal da Mídia, com exclusividade, na Bahia, merece ser analisado e investigado com rigor pela Secretaria de Segurança Pública.

    Humilhado, espancado, torturado e ameaçado de morte, Cassiano conseguiu pegar um avião em Ilhéus e retornar a São Paulo.

    Cópia da página da Revista Caras
    A longa reportagem da revista "Caras" que circula hoje mostra todos os detalhes da ação criminosa contra o fotógrafo Cassiano Barbosa de Sousa, que foi humilhado, espancado e ameaçado de morte no Txai Resort, em Itacaré.
    O episódio é simplesmente vergonhoso. E, por azar, mas muito azar mesmo, aconteceu na Bahia, uma terra abençoada e reconhecida pela hospitalidade que sempre proporciona aos seus visitantes.

    É incrível como um empreendimento voltado para o turismo, que deveria ter à sua frente empresários responsáveis, tenha servido de local para tamanha barbaridade. Dona Luma de Oliveira, sempre envolvida com essas coisinhas e esses casinhos escandalosos, não é dona do mundo e muito menos da Bahia.

    Os donos do Txai Resort, os Srs. Nelson Moraes, Renato Guedes e um tal de Márcio podem ser poderosos, mas não podem transformar Itacaré em um quintal deles. Não podem fazer do seu luxuoso resort um quartel para praticar torturas contra pessoas honestas.

    O espancamento do fotógrafo Cassiano Barbosa de Sousa não pode ser esquecido ou deixado de lado. É lamentável que até o momento entidades como o Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Bahia e a Associação Baiana de Imprensa não tenham se pronunciado. Já deveriam, no mínimo, terem divulgado notas de repúdio à violência praticada pelos donos do Txai Resort, seus seguranças e pelo suposto namorado de Dona Luma de Oliveira, contra um profissional que estava no exercício pleno de sua atividade.

    Luma e Sigmar
    A empresária e ex-modelo Luma de Oliveira encarou o fotógrafo e disse: "Que profissão de merda. Vocês fotógrafos não têm jeito". O policial Sigmar, na foto acima ao lado da beldade, é o suposto namorado de Luma. Ele estava hospedado no Txai Resort e participou de tudo. Sigmar exigiu que o fotógrafo ficasse nu e ameaçou matá-lo.(Foto: Revista Caras)
    Cassiano foi espancado. Tiraram-lhe sua ferramenta de trabalho e ainda levaram R$ 800 de sua carteira. Um absurdo. O que se espera é que a Polícia Civil da Bahia investigue o caso com rigor. Sem temor e que conclua o inquérito de forma imparcial e honesta. O inquérito já está rolando na Delegacia de Polícia de Itacaré.

    O Ministério Público também deveria ficar atento e acompanhar o caso de perto, para que não ocorram "fatos novos". A Editora Abril, proprietária da Revista Caras, está muito bem municiada. A imagem da Bahia não pode ser ainda mais prejudicada por esse lamentável e triste episódio, praticado por um bando de irresponsáveis, por pessoas que pensam que podem tudo.

    A equipe do Jornal da Mídia manifesta o seu repúdio. O caso do Txai Resort arranha a imagem da Bahia, violenta o direito de expressão e a liberdade de imprensa. O JM apresenta a sua solidariedade ao fotógrafo Cassiano Barbosa de Sousa e à revista Caras. Vamos acompanhar o desenrolar do inquérito e divulgar tudo o que acontecer. Ou o que não acontecer.

    Leia com atenção trechos da entrevista de Cassiano, publicada na Caras:

    "O Nelson (dono do Txai Resort) me chamou para um canto. Queria saber para quem eu estava trabalhando, perguntou quem tinha me mandado ali. Até perguntou especificamente se teria sido Eike (Batista), ex-marido de Luma. Eu disse que não, expliquei que era fotógrafo, que viajava por vários hotéis e tirava fotos dos lugares. Enquanto ele falava comigo, três seguranças do hotel se posicionaram, atrás de Nelson, não tão perto mas de modo que eu pudesse vê-los, e ficaram manipulando revólveres, ostensivamente. Me senti ameaçado. Disse que fazia parte do meu trabalho fotografar celebridades, como Luma. Falei que trabalhava para várias revistas e que não tinha fotografado nada demais. Continuamos a conversar e eu disse que era de Caras e que queria fotografar a Luma".

    Descrição da Foto
    O Txai Resort fica de frente para a praia de Itacarezinho, numa área de 100 hectares a 15 quilômetros do centro de Itacaré. Seus proprietários têm fama de "poderosos" na região Sul da Bahia.
    "O Nelson ameaçou quebrar meu equipamento (avaliado em R$ 20 mil). Chamou seus outros sócios. Renato Guedes, ex-namorado da apresentadora Eliana, e um tal de Márcio, e disse que o Renato, por entender mais de tecnologia iria ver meu equipamento. O Renato pegou minha mochila, nos dirigimos para meu quarto com mais três seguranças. Chegando lá, a porta estava aberta e todas as minhas coisas completamente reviradas. Até o cofre tinha sido aberto, tudo na maior bagunça, minhas roupas estavam espalhadas, tinham mexido em tudo. Fiquei bastante preocupado, mostrei que não tinha nada, cartão por cartão (o fotógrafo trabalha com cartão de memória para equipamento digital). O Nelson, aos gritos, voltou a dizer que ia quebrar todo meu equipamento. Pedi por favor para me deixarem ir embora, pois não tinha feito nada demais. Ele falou: "É bom você mostrar tudo, porque isso não vai ficar assim".

    "As ameaças e os gritos foram crescendo. O Renato pegou todo o equipamento, inclusive os cartões de memória, colocou na minha mochila e saiu. Disse para eu arrumar minhas coisas, pegar tudo que estava espalho pelo chão, porque eu iria embora naquela hora. Os seguranças, armados e me encarando, ficaram na porta do quarto enquanto eu arrumava as minhas coisas. A partir daí, começaria um drama muito maior. Dois seguranças me colocaram em um Celta branco. Já passava da meia noite. Rodaram comigo em lugares escuros e afastados do resort, me ameaçando sem parar. Dizendo que iriam me matar e jogar meu corpo no rio e que ninguém saberia de mim. 'A gente vai te matar, você vai sumir do mapa'. Repetiam. Eu estava no meio do nada, apavorado.

    "Após várias voltas, fui levado para a recepção. Lá estava o acompanhante de Luma (Sigmar), o Nelson e o Renato e mais seguranças. Me levaram para uma sala. Eu só pedia para me deixar ir embora e devolverem minha máquina. Me levaram para uma sala da administração, que tinha parte da parede de vidro transparente. Dava para ver a Luma do outro lado, a tal da doutora Regina com outras pessoas que, imagino, eram funcionários do hotel. Luma me olhava de lá. Revistaram todas as minhas coisas novamente, o que, aliás, não havia nada. Eu já tinha deletado as poucas fotos feitas na praia. Estava com medo. Ficavam me ameaçando. Falavam para eu contar a verdade, o que já tinha feito. Falei para o Renato: viu que eu disse a verdade? Por favor me deixa ir embora. Neste instante o acompanhante de Luma mandou eu tirar o tênis. Revistaram e aí aos berros ele mandou eu tirar a roupa inteira. Fiquei ali, com medo e totalmente nu. O Nelson já tinha saído da sala, mas o Renato, o acompanhante da Luma e o segurança estavam lá. Dava para ver a Luma do outro lado. Foi humilhante. Me vestir e a Luma entrou na sala e me disse: 'Que profissão de merda. Vocês fotógrafos não têm jeito'. Ela saiu.

    O acompanhante da Luma não parava de me ameaçar. Tirou xerox de todos os meus documentos, inclusive do meu carro, com o endereço de minha casa, e dizia que se essa história vazasse eu estaria morto de verdade. Que não era para ninguém ficar sabendo de nada. Disse várias vezes gritando. Isso não é uma ameaça, é um aviso!. Meu equipamento inteiro ficou retido lá - o Renato me deu uma lista com tudo que ficou, com um recibo. Me levaram até a recepção, eu paguei a conta e saí com os seguranças. Eles me empurraram e quando eu caí começaram a me chutar. Eram três. Eu nem reagia. Levei socos no rosto e muitos chutes. Depois me colocaram no carro, e a mando do Nelson, me levaram para uma pousada em Itacaré. Fiz check in e fui para um quarto.Eu estava acabado. Já eram 5 horas da manhã. Dois motoqueiros ficaram vigiando o hotel. No domingo, acordei e estava completamentre dolorido. Machucado e com o rosto com hematomas grandes. O braço machucado, mancha roxa nas costas e com o nariz sangrando, urinando sangue e, o pior, apavorado. Só queria ir embora dali. Meu celular não funcionava e vi que toda a agenda havia sido apagada.

    "De um orelhão liguei para meu editor em São Paulo pedindo ajuda. Mas estava com tanto medo que não queria que ele falasse para ninguém. Ele foi me acalmando e combinamos que eu arrumaria um carro para sair logo dali. Percebi que faltavam nas minhas coisas R$ 800 que estavam na minha mala. Estava com medo até de pegar um taxi. Os motoqueiros continuavam dando voltas por ali. Arrumei uma pessoa para me levar a Ilhéus onde uma equipe da Globo avisado pela revista me esperava no aeroporto para me dar uma assistência", relata o fotógrafo bastante abalado.

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