Salvador - As belas fachadas nos estilos art déco, art nouveau, barroco e neoclássico do Taboão e Pilar, em breve, terão o devido destaque na capital baiana. É que a Prefeitura municipal, através da Secretaria de Transportes e Infra-Estrutura, está promovendo a recuperação do Elevador do Taboão e do Plano Inclinado Pilar. Com isso quem andar motivado pela novidade, vai descobrir um dos lados mais charmosos e enfeitados da história de Salvador. São fachadas ecléticas, cheias de florais, outras simétricas e ousadas. Há ainda o romantismo natural do art nouveau e o melhor do elegante neoclássico, estilo que Portugal tentou impor ao Brasil desde o final do século XVIII, mas que a Bahia resistiu para incluir em sua arquitetura.
A expectativa de valorização dessa parte da história de Salvador é grande. Quando a Prefeitura concluir o restauro, os dois equipamentos servirão mais do que um simples meio de transporte. Funcionarão como um atrativo a mais para os bairros onde estão instalados, ressaltando a história do lugar. O estilo neoclássico, por exemplo, só veio realmente a ser adotado quando D. João VI trouxe uma missão francesa ao país, em 1816, colocando até palmeiras imperiais que foram plantadas para transformar o visual.
“Fiquei surpresa e feliz quando soube da recuperação do Pilar e do Taboão. Sem dúvida isso vai provocar uma redescoberta desta bela arquitetura do Santo Antônio e arredores”, destacou a arquiteta Celeste Leão. “Acredito que as casas neoclássicas, os edifícios art déco e os detalhes art nouveau que a gente vê por toda a parte, ganhem tanto destaque internacional quanto a arquitetura do período colonial que faz a fama de Salvador”, salientou a arquiteta, depois de confessar que adora passear naqueles bairros.
“Quando passava por lá eu sempre lamentava o abandono do velho elevador e do plano inclinado”, disse, lembrando ainda que o Centro Histórico de Salvador começou a ser recuperado há pouco mais de dez anos, mas a região do Taboão ficou esquecida tanto pelos visitantes quanto pelos soteropolitanos.
Lembranças
Os moradores e comerciantes da região concordam com Celeste Leão. “Lembro que há mais de 40 anos, quando o Elevador do Pilar funcionava, era um sobe e desce de turistas que não parava nunca. Eles pareciam bandos de garotos em um parque de diversões, não cansavam de tirar fotos de tudo” recorda, divertido, o espanhol Porfírio Amoedo, dono do Bar Cruz do Pascoal, que funciona há 54 anos em um prédio ao lado do Plano Pilar. “Se o prefeito começa a governar a cidade mostrando um trabalho desse tipo, já nos deixa muito alegre”, avaliou Amoedo.
Mais dois quarteirões adiante e a opinião cheia de esperança se repete. “Se estes dois equipamentos voltarem a funcionar, vai ser ótimo também para a cultura popular da Bahia, pois vai dar mais visibilidade à tradicional festa de Santa Luzia, que acontece logo ali abaixo, na Igreja do Pilar, e hoje está muito desprestigiada”, avalia o galerista e produtor cultural Dimitri Ganzelevicht, francês de origem russa, que está na Bahia desde os anos 70. Instalado na Rua Direita de Santo Antônio, o galerista mora num solar de quatro pavimentos cujo restauro foi feito pelo mesmo arquiteto que criou as residências das atrizes Brigitte Bardot e Juliette Grecco, na Riviera francesa.
Para quem vive no local, o Elevador do Taboão, do final do século XIX, e o Plano Inclinado do Pilar, do início do século XX não vão se transformar nas principais atrações dos bairros mas, com o restauro, vão ajudar e muito a destacar as outras atrações do lugar. “Mesmo que não sejam especialistas em história, arte, arquitetura ou urbanismo, vale a pena as pessoas conhecerem esses equipamentos. Basta ter curiosidade e bom gosto”, acrescentou Ganzelevicht. |