A falta de propostas e o excesso de acusações marcaram o primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial, no Grupo Bandeirantes de Comunicação, na noite deste domingo (8).
Em tom agressivo, o candidato tucano, Geraldo Alckmin, cobrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre escândalos de corrupção de seu governo, como o Mensalão, Máfia dos sanguessugas e Vampiros. Lula, muitas vezes tratando com ironia seu adversário, quis saber do adversário sobre CPIs barradas em São Paulo na gestão tucana e o envolvimento do ex-ministro da Saúde Barjas Negri com suposta corrupção.
Alguns momentos do debate foram de maior apreensão; expressões como “é mentira” chegaram a ser utilizadas. O presidente-candidato Lula chegou a pedir direito de resposta, mas teve a solicitação negada.
Em diversas oportunidades, Alckmin ressaltou que esteve em todos os debates ao contrário do adversário. “O debate é do eleitor”, disse o tucano, que parabenizou os adversários do 1º turno Cristovam Buarque e Heloísa Helena por participarem dos debates. Lula ressaltou esperar “que haja mais debates”. A TV Globo realiza um debate no próximo dia 27, antevéspera da eleição.
Durante a primeira pergunta do moderador, o jornalista Ricardo Boechat, sobre corte de gastos públicos, Alckmin questionou Lula sobre a origem do R$ 1,7 milhão encontrado pela Polícia Federal com petistas e que seria utilizado para compra de dossiê contra políticos tucanos.
O presidente Lula respondeu dizendo que queria conhecer quem “arquitetou” o dossiê. “O único ganhador desse trambique todo foi o meu adversário. Minha campanha estava tranqüila, serena.
Senhora de 67 anos reage a assalto e atira em bandido no Rio
Domingo, 08/10/2006 - 23:45
De Francisco Édson Alves e Leslie Leitão em O Dia:
Rio - Ameaçada duas vezes pelo mesmo assaltante, a enfermeira aposentada Maria Dora dos Santos Arbex, de 67 anos, tomou uma atitude radical na manhã de sábado no Flamengo. Ao ser abordada pelo mesmo ladrão, armado com canivete, às 8h30, na esquina das ruas Senador Vergueiro e Marquês do Paraná, ela fingiu pegar dinheiro na bolsa, sacou um revólver 38 e atirou contra o bandido.
Baleado na mão esquerda, Alexandre Cardoso Pereira, o Nem, 21 anos, correu, mas foi preso por policiais do 2º BPM (Botafogo). Dois comparsas fugiram assustados com a reação da aposentada, que foi aplaudida por quem estava em volta.
Na 9ª DP (Catete), onde foi presa por lesão corporal dolosa e porte ilegal de arma — cujas penas podem ultrapassar cinco anos de prisão —, Maria Dora contou que, como faz todas as manhãs, passeava com Igor, seu poodle, quando foi cercada pelos três homens. Alexandre exigiu que ela entregasse o cachorro ou o celular.
"Ele disse ‘perdeu’. Pedi que ele se acalmasse e me desse um minuto, que ia dar-lhe um dinheiro que estava na bolsa. Mas peguei o revólver, ele tentou tomá-lo e atirei", disse Maria Dora, que é hipertensa e toma remédios de uso controlado. A parentes, ela afirmou que só pretendia assustar o ladrão, mas disparou quando ele tentou segurar a arma. O revólver está registrado em nome da filha da aposentada, a assistente social Ana Maria dos Santos Arbex, 31 anos.
O ladrão, que responderá por tentativa de assalto, foi socorrido no Hospital Miguel Couto. De lá, foi para 9ª DP, com mão enfaixada. Segundo a polícia, já foi preso por assalto à mão armada.
(...)
Durante todo o dia, muita gente foi até a porta da 9ª DP apoiar a aposentada. "Essa vovó é heroína. Não pode ficar presa", afirmou o ambulante José Costa. "Solta a velhinha!", gritavam taxistas que passavam em frente. "Temos que erguer um busto em sua homenagem no Flamengo. Ela foi corajosa e teve muita disposição", ressaltou o empresário Ricardo Silva Pinto. Já o funcionário público Edgar Melquíades Palermo vê com cautela a atitude: "Essa reação pode abrir um precedente perigoso. Fazer justiça com as próprias mãos não é a saída para o combate à violência".
(...)
Sentada em uma cadeira no fundo da 9ª DP, a aposentada Maria Dora Arbex, 67 anos, era a imagem de uma cidadã amedrontada com a violência do cotidiano carioca. Dessa vez, porém, além de engrossar as estatísticas de vítimas, a ex-enfermeira também passou à condição de acusada. Ao tentar se defender do homem que a ameaçara na noite anterior, ela acabou usando um revólver calibre 38 e foi autuada por porte ilegal de arma.
—Por que a senhora saiu de casa armada no sábado?
— Sexta-feira à noite, ele tentou roubar o meu celular e joguei para dentro da blusa. E ele me avisou que isso não iria ficar assim. Então, fiquei com medo. Sabia que ele ia me atacar. Mas não falei nada para o meu filho, que é mais genioso do que eu, tive medo de ele fazer alguma coisa e depois o homem se vingar.
(...)
—A senhora já havia sofrido outros assaltos antes?
—Uma vez, na Barra da Tijuca. Mas esse cara já vinha me ameaçando. Nós, senhoras, não temos sossego ali no Flamengo. Alguma coisa tem de ser feita para melhorar a segurança lá. Pelo que eu fiz, rapidamente apareceram oito carros da PM. Quando alguém de bem é assaltado, não aparece ninguém.
Corrupção e denúncios vão dar tom ao debate presidencial
Domingo, 08/10/2006 - 13:04
Do Portal G1, do Globo.com:
Na noite deste domingo, por duas horas e quinze minutos, os dois principais candidatos à Presidência da República vão, pela primeira vez, ficar cara-a-cara em rede nacional, a partir das 20h30, na TV Bandeirantes.
O primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial promete definitivamente esquentar o clima no País: tanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto o candidato tucano Geraldo Alckmin prometem partir para o ataque. Na agenda dos candidatos, o crescimento econômico do país, problemas sociais e, principalmente, corrupção.
A eleição está indefinida. Lula tem 54% dos votos válidos e Alckmin, 46%, segundo pesquisa divulgada pelo Instituto Datafolha na última sexta-feira (6). Há grande diferença de intenção de votos nos estados: Alckmin vence em São Paulo e na Região Sul, enquanto o petista mantém-se muito forte no Nordeste. Por isso, o cara-a-cara em rede nacional poderá ter papel decisivo na eleição do próximo dia 29.
Os dois candidatos cancelaram todos os compromissos públicos deste domingo para se concentrarem no confronto em rede nacional. Os debates na televisão, tão desprestigiados até agora na corrida presidencial (Lula não foi nem no da Rede Globo no primeiro turno), agora ganham caráter vital para a definição do resultado do segundo turno.
Por isso, é esperada neste domingo uma verdadeira briga de números, acusações, documentos e até fotografias. De um lado, estará o PT falando da "era FHC" (1994-2003) e dos "deslizes" cometidos nos oito anos do mandato tucano. De outro, o PSDB promete atirar forte e até levar fotos dos R$ 1,7 milhão levantados pelo partido do presidente para compra de dossiê contra políticos tucanos.
Escaldado por uma vitória certa no primeiro turno que lhe escorreu por entre os dedos, o PT está preparado para bater forte. "Vamos levar uma pasta com documentos, inclusive com fotos, e esperamos não precisar usar", disse o vice-presidente José Alencar (PL) ao jornal O Estado de S. Paulo.
Após fazer campanha no Nordeste (seu principal reduto eleitoral, onde mantém-se firme e forte nas pesquisas), o presidente Lula dedicou a maior parte de seu sábado (7) a uma reunião na Granja do Torto com os principais articuladores de sua campanha. O objetivo: preparar-se para o debate, criticando os aliados de Alckmin, desde os tradicionais, como o ex-presidente Fernando Henirque Cardoso, até os mais recentes, como Anthony Garotinho, ex-governador do Rio.
Após alguns reveses na primeira semana de campanha, como o polêmico apoio do casal Garotinho, que lhe rendeu mais dores de cabeça do que dividendos políticos, Alckmin deve manter o tom duro que vem adotando desde o final do primeiro turno. Nos últimos dias, ele chamou o presidente Lula de "mentiroso" e os classificou os petistas de "desesperados".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, afirmou hoje que não se ganha uma campanha apenas com a imprensa, pela TV ou com debates. Lula convocou a militância a ajudá-lo nesta segunda fase da disputa.
Ao visitar um novo comitê de sua campanha, em Brasília, o presidente afirmou que a disputa --do segundo turno-- começa depois do debate deste domingo, que será promovido pela "TV Bandeirantes", e fez um apelo para que a militância saia às ruas para defender o seu governo.
"Uma campanha a gente não ganha apenas pela imprensa, pela TV, pelo debate. Ganha com a capacidade de convencimento da militância. O segundo turno começa segunda-feira, depois do debate. A partir de segunda, teremos 20 dias para as eleições e a militância tem que ocupar cada metro quadrado do território nacional para que a gente possa fazer o debate", disse.
Sem citar o seu adversário na disputa, o tucano Geraldo Alckmin, o presidente disse que não foi ele quem dividiu o país entre pobres e ricos e justificou que seu governo precisa atender a esta parcela da população que esteve esquecida durante séculos.
"Temos que fazer muito mais porque a dívida social com o povo não é de uma década, é secular. Uma parte das pessoas que governaram [o país] imaginava governar para 1/3 [da população]. Quero uma sociedade onde todos possam ter acesso aos bens materiais, que tenham mais dignidade", disse.
Brasmarket: Lula só está dois pontos na frente de Alckmin.
Sábado, 07/10/2006 - 23:51
Do Blog do Etevaldo Dias, no portal iG:
Teve início a temporada do sobe-e-desce na preferência dos eleitores nas pesquisas do segundo turno. Amanhã, domingo, a Brasmarkert, divulga resultados que não mostram posição confortável para Lula: a diferença para Alkmin cai para dois pontos, em números redondos, segundo o instituto.
Os resultados do Datafolha divulgado na sexta-feira registram vantagem de sete pontos para Lula sobre Alckmin.
O Brasmarket mostra vantagem apertada de Lula sobre Alckmin: 47,7 a 45,3%. No primeiro turno Lula teve 48,6 e Alckmin 41% dos votos válidos.
Brasmarket não tem a mesma visibilidade do IBOPE, Sensus e Vox Pópuli, mas não é novo no ramo, já realizou longa série de pesquisas para a revista Isto nas eleições passadas.
Os resultados regionais do Brasmarket mostram movimentação na intenção de votos em todas regiões do país. O sul e sudeste continuam sendo o grande problema de Lula. (...)
Bastos aconselha Lula a manter distância do dossiê
Sábado, 07/10/2006 - 23:31
Do Blog de Josias de Souza na Folha Online:
Preocupado com os rumos da investigação do dossiêgate, o ministro Márcio Thomas Bastos (Justiça) aconselhou a Lula que mantenha distância do caso. Em mais de uma ocasião, Bastos manifestou ao presidente sua preocupação com a hipótese de que o PT caia na tentação de montar uma versão fictícia para encobrir a verdade que se esconde atrás da tentativa de compra do dossiê antitucanos.
Bastos disse a Lula que, cedo ou tarde, a trama será descoberta pela Polícia Federal. Afirmou que o PT cometerá um “grave erro” se tentar forjar uma nova “Operação Uruguai” para tentar encobrir a origem do dinheiro (R$ 1,7 milhão) apreendido com o petista Valdebran Padilha e com o ex-agente da PF Gedimar Passos no instante em que transacionavam o dossiê, em 15 de setembro.
“Operação Uruguai” é como ficou conhecido o empréstimo fictício de US$ 5 milhões com o qual o ex-presidente Fernando Collor tentou justificar os gastos na reforma da Casa da Dinda, onde residia antes de sofrer o impeachment. A reforma fora custeada com verbas de má origem coletadas por Paulo César Farias, ex-gerente das arcas de Collor.
O ministro disse a Lula que, a menos que haja uma confissão, a apuração da PF dificilmente será concluída antes de 29 de outubro, dia em que os eleitores voltarão às urnas para definir, em segundo turno de votação, o nome do próximo presidente. Daí o receio do ministro de que, para livrar-se do problema, o PT acabe por produzir uma versão fantasiosa.
(...)
Na PF, acredita-se que os petistas do dossiê não teriam condições de levantar R$ 1,7 milhão sem a interferência de um superior hierárquico no organograma do PT. Todas as suspeitas apontam para Ricardo Berzoini, compelido a licenciar-se da presidência do partido na sexta-feira.
Alckmin fará primeira pergunta no debate deste domingo
Sábado, 07/10/2006 - 21:22
Do Blog de Josias de Souza na Folha Online:
O debate deste domingo, primeiro tête-à-tête entre Lula e Alckmin terá duração de duas horas e 15 minutos. Serão cinco blocos. Num deles, o quarto, os presidenciáveis responderão a perguntas formuladas por jornalistas. Nos demais, farão perguntas um ao outro. O primeiro “tiro” será disparado por Alckmin.
A ordem das perguntas foi definida por sorteio, realizado nesta sexta pela TV Bandeirantes, promotora do evento. O início da transmissão está marcado para as 20h. Mas o confronto entre os presidenciáveis só começa às 20h30.
Na abertura, o mediador do debate, Ricardo Boechat, fará uma mesma pergunta aos dois candidatos. Em seguida, começa o duelo direto. Embora regulado por normas estritas, definidas de comum acordo entre os dois comitês de campanha, o debate deste domingo será menos manietado do que aquele realizado pela Globo, no dia 27 de setembro, sem a presença de Lula.
Dessa vez, não haverá sorteio de temas para as perguntas. Cada candidato poderá questionar o oponente sobre o que bem entender. A presença de jornalistas na bancada de perguntadores também é uma novidade em relação ao debate da Globo. depois de três blocos de confronto direto e de um quarto com a intervenção de repórteres, Lula e Alckmin ainda dirigirão um ao outro uma última pergunta no quinto bloco. Para fechar, os dois serão instados a fazer as tradicionais “considerações finais”.
''Só voltar a ser oposição salva o PT'', diz Aécio Neves
Sábado, 07/10/2006 - 18:21
De Otávio Cabral na revista Veja:
O tucano Aécio Neves, 46 anos, atingiu duas marcas históricas na eleição passada. Além de ser o primeiro governador de Minas Gerais reeleito, obteve 77,03% dos votos válidos, a maior votação da história do estado, o que lhe deu a condição de segundo governador mais bem votado do país, superado apenas por Paulo Hartung, do Espírito Santo, que colheu 77,27% das urnas. Aécio repudia a suspeita de ter feito corpo mole na eleição presidencial, equilibrando-se entre o apoio ao tucano Geraldo Alckmin e uma relação diplomática com o presidente Lula. Diz Aécio: "Lula trouxe a turma da cerveja do sindicato sem se preocupar se ela estava preparada para governar". A seguir, os principais trechos de sua entrevista a VEJA, concedida no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte:
O SENHOR FOI REELEITO COM 77% DOS VOTOS EM MINAS GERAIS, MAS GERALDO ALCKMIN, SEU CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, TEVE SÓ 40% DOS VOTOS DOS MINEIROS. O SENHOR NÃO CONSEGUIU TRANSFERIR VOTOS? O resultado de Geraldo em Minas foi excepcional. Há cinqüenta dias, a distância dele para Lula era de 50 pontos porcentuais. Com o trabalho intenso que fizemos na campanha, a diferença nas urnas caiu para 10 pontos porcentuais. Chegar a esse resultado, com a presença que Lula sempre teve em Minas, foi uma grande vitória. Certamente, não tenho como prever o futuro, mas, se depender da minha ação, da minha disposição, teremos aqui um grande resultado no segundo turno.
(...)
O SENHOR SEMPRE TEVE UMA BOA RELAÇÃO COM O PRESIDENTE LULA. ACHA QUE ELE NÃO TEM CULPA ALGUMA NESSA CIRANDA DE ESCÂNDALOS? Mesmo que se acredite que o presidente desconhecia todos esses atos criminosos, ainda assim ele não escapa de uma responsabilidade: a pouca qualificação de seu governo. Não o estou absolvendo, mas a menor condenação é essa. Seu governo não foi focado no mérito. Lula deu doze ministérios a petistas derrotados, porque achava que tinha de chegar com eles ao poder. Meu avô Tancredo tinha uma boa teoria. Nunca chame para trabalhar com você os amigos da cerveja, porque dá errado, e também não chame para tomar cerveja os amigos do trabalho, porque seu fim de noite ficará chato. Lula trouxe a turma da cerveja do sindicato sem se preocupar se ela estava preparada para governar. Infelizmente, o Brasil está pagando o preço desse equívoco. A pior herança do governo Lula, embora seja difícil apontar apenas uma, é esse absurdo aparelhamento da máquina, em todos os níveis e com pessoas pouco qualificadas. Vai demorar mais de um governo para recuperar a qualidade de empresas como Embrapa, Ibama, Petrobras, Banco do Brasil, ocupadas por pessoas que tinham compromisso apenas com um projeto de partido político, não com um projeto de país. O PT usou o governo para perpetuar-se no poder. Foi o grande equívoco. É preciso entender que o governo fez mal ao PT. O PT é um partido com um papel na história da democracia brasileira, mas se perdeu quando chegou ao poder. Para o PT, é hora agora de uma reciclagem na oposição.
QUAL SERÁ O PRINCIPAL DESAFIO DO PRÓXIMO PRESIDENTE? Não tenho dúvida de que o Brasil precisa viver agora a segunda grande transição. A primeira fizemos há vinte anos, com a passagem do regime militar para a democracia. Agora, é preciso a grande transição dos ricos para os pobres. É a vez da inclusão social. Para chegar lá, precisamos de convergência. Não será possível votar reforma tributária e reforma política sem que alguns atores, em especial PT e PSDB, estejam comprometidos com elas. Quem quer que ganhe as eleições precisará buscar a convergência.
Segundo o ministério, o transponder do jato foi desligado propositalmente pelo piloto Joseph Lepore, o que o tornou invisível para o Boeing da Gol
SÃO PAULO - A Aeronáutica está convencida de que o piloto do jato Legacy, Joseph Lepore, foi o responsável pelo maior acidente da história brasileira, o choque no ar com o Boeing da Gol, que matou 154 pessoas. Acredita também que tudo foi provocado porque, embora o jato dispusesse de um sofisticado sistema anticolisão, o transponder que permitiria seu funcionamento estava inoperante. E mais: que Lepore, por razões não explicadas, deixou de responder aos sete chamados feitos pelos controladores de vôo para o avião da Embraer - cinco do Cindacta de Brasília e dois do Cindacta de Manaus - a fim de saber se ele voava na altitude estabelecida pelo plano de vôo, assinado pelo próprio piloto.
O Legacy saiu de São José dos Campos (SP), em direção a Manaus, na altitude de 37 mil pés. Em cima de Brasília deveria passar para 36 mil pés, conforme o plano de vôo. Deveria, também, entrar em contato com o controle aéreo de Brasília, para avisar que efetuou a mudança. Mas não o fez, sob a alegação, considerada “impossível” pela Aeronáutica, de que não conseguiu falar com o comando de Brasília, o local mais vigiado do País. Estranhamente, o transponder inoperante voltou a funcionar instantes depois do choque com o avião da Gol, assim como o rádio de comunicação.
O Legacy e o Boeing da Gol estavam na mesma aerovia. O avião da Gol voava na altitude autorizada pelo controle, de 37 mil pés. O Legacy seguiu nos mesmos 37 mil pés autorizados até Brasília, e não desceu para os 36 mil pés.
A informação que responderia uma das principais dúvidas sobre as causas do acidente não foi registrada. Por uma opção dos engenheiros da Embraer, fabricante do Legacy, o funcionamento do transponder não estava acoplado à caixa-preta do jato. Com isso, ficará mais difícil descobrir se o aparelho apresentava pane no momento da colisão, como sugerem os pilotos americanos, ou se ele foi desligado propositalmente, conforme suspeitam peritos da Aeronáutica.
Um outro dado que surgiu na investigação e será apresentado esta semana, quando a Aeronáutica pretende divulgar um relatório preliminar para famílias das vítimas, é de que o piloto do Legacy deveria trocar de altitude não apenas uma, mas duas vezes. A primeira vez, em Brasília, descendo de 37 mil pés para 36 mil pés. A segunda, cerca de 40 minutos depois de passar pela capital federal, para 38 mil pés.
Essa segunda troca deveria ocorrer num ponto da carta aeronáutica chamado Teres, cerca de 500 quilômetros a noroeste de Brasília. Teres fica bem antes do local onde houve o choque - pelo menos 20 minutos -, a Serra do Cachimbo, no Pará. Mas, exatamente pela distância em relação ao local do choque, autoridades descartaram a possibilidade de o colisão ter acontecido pelo fato de o piloto do Legacy estar fazendo a segunda mudança de altitude.
Vale tudo marca a campanha eleitoral para a Presidência
Sábado, 07/10/2006 - 16:09
Do Blog do Noblat:
Alckmin voltou a garantir na manhã de hoje que não demitirá funcionários públicos caso seja eleito. Ontem ele havia dito que não acabará com o programa Bolsa-Família - e anteontem que não privatizará o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal.
O PT está se valendo da mesma arma usada contra ele no passado: falsas afirmações, capazes de provocar prejuízo eleitoral ao adversário. Na reta final do segundo turno da eleição de 1989, a turma de Collor espalhou que Lula confiscaria a poupança.
Uma vez eleito, Collor confiscou a grana de todo mundo. Fidel Castro, que viera para a cerimônia de posse, comentou que nem ele tivera tamanha coragem depois do triunfo da revolução cubana. Bem, Collor, hoje, apóia Lula.
Os mesmos personagens do comitê de reeleição do presidente Lula que participaram do esquema montado para a compra do dossiê contra políticos tucanos negociaram também com o empresário Luiz Antônio Vedoin a compra de um dossiê contra o grupo do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Vedoin teria mostrado cheques, acompanhados de guias de depósito, revelando pagamentos de propina na conta de um sobrinho de ACM, o vereador Paulo Magalhães Júnior (PFL-BA). 'Esse tipo de dossiê já os levou para o segundo turno. Vedoin é ladrão e não merece crédito', rebateu ACM ontem.
Por essas informações, os Vedoin exigiam um pagamento em separado. Eles não admitiam colocar as supostas provas sobre o pagamento ao PFL na mesma negociação do dossiê contra os tucanos.
(...)
Jorge Lorenzetti, o churrasqueiro do Planalto e um dos operadores da compra do dossiê contra tucanos, e Valdebran Padilha, empresário ex-tesoureiro da campanha do PT em Cuiabá, esperavam comprar o dossiê contra o PFL baiano depois de encerrada a primeira negociação.
(...)
A negociação não foi para frente, de um lado, porque Jacques Wagner - candidato do PT ao governo baiano, eleito em primeiro turno - não quis saber de dossiê e, do outro, porque a bruxaria entre petistas e a família Vedoin se voltou contra os feiticeiros. Com o episódio, Wagner saiu fortalecido junto a Lula e Berzoini sai ainda mais fraco.
Na CPI dos Sanguessugas, Luiz Antônio Vedoin, dono da Planam, contou que foi à Bahia com o deputado Paulo Magalhães, pai do vereador Paulo Magalhães Júnior. O deputado chegou a patrocinar um encontro entre Vedoin e o governador Paulo Souto (PFL).
Na ocasião, o chefe da máfia das ambulâncias discutiu a instalação de uma empresa de ônibus, a Vedobus, na cidade de Dias D'Ávila. Paulo Magalhães chegou a constar na lista dos sanguessugas, mas em depoimento à CPI Vedoin tratou de inocentá-lo. Mesmo deixando um rastro de suspeição, o sobrinho de ACM não foi investigado.
No vale-tudo do segundo turno da guerra presidencial, Lula recorre a uma arma que, em outros tempos, foi muita usada contra ele: o terrorismo eleitoral. Na noite desta quinta, o presidente insinuou que, por trás do “choque de gestão” de seu adversário, esconde-se um passaralho. "Quando meu adversário fala em contenção de gasto corrente, está pensando em mandar servidor público embora", disse.
O medo de Lula foi semeado no Rio, um local estratégico. A ex-capital da República abriga legiões de funcionários públicos. O candidato discursou numa universidade, em cerimônia que organizada com o propósito de celebrar a aliança que firmara pela manhã, em Brasília, com Sérgio Cabral, candidato do PMDB ao governo fluminense.
Em contraposição à imagem de guarda-livros que tenta pespegar no rival, Lula disse que não vai apenas "administrar", mas "cuidar" do país. E lançou uma outra bomba eleitoral em direção ao rival. Insinuou que Alckmin, se eleito, repetirá FHC, a quem acusa de ter dado de ombros para os brasileiros desassistidos: "Eles [os tucanos] vislumbravam o Brasil para 40 milhões de habitantes, o restante mais pobre o tempo cuidava".
Em 1989, quando disputou sua primeira eleição presidencial contra Fernando Collor, hoje seu aliado, Lula fora vítima do mesmo terror retórico que hoje utiliza. O empresário Mário Amato, então presidente da Fiesp, chegou a dizer que a eleição de Lula provocaria uma fuga em massa de 800 mil empresários do país.
Nas eleições subseqüentes, em que Lula perdeu a presidência com FHC (1994 e 1998), o tucanato difundiu a tese de que, alçado ao Planalto, o petista desorganizaria a economia e afugentaria o capital estrangeiro. Na eleição seguinte (2002), em que prevaleceu sobre o tucano José Serra, Lula viu-se compelido a lançar a “Carta ao Povo Brasileiro”, na qual prometeu honrar contratos e respeitar a lógica do mercado. Honrou cada letra do documento. Na economia, foi mais ortodoxo do que o antecessor.
Ecoando Lula, o sítio do PT na internet entrega-se ao fundamentalismo eleitoral. Nesta quinta, divulgou um texto que sustenta uma tese ausente do programa de governo de Alckmin. Insinua que, eleito, o presidenciável tucano irá privatizar a Petrobras. O texto escora-se numa entrevista concedida há um ano e quatro meses por Luiz Carlos Mendonça de Barros.
Na entrevista, Mendonção foi inquirido acerca dos nacos do Estado que julgava privatizáveis. Respondeu: “Há muita coisa ainda, como os serviços portuários, as estradas de rodagem, o setor elétrico, a Petrobras”. É nessa declaração que se baseia o PT para difundir o terror privatista.
O partido de Lula apresenta o autor da frase como “um dos principais articuladores do programa de governo do candidato à presidência, Geraldo Alckmin”. Uma mentira. Conselheiro de Alckmin na fase pré-eleitoral, o ex-ministro das Comunicações de FHC está tão distante do programa de Alckmin quanto o PT de seu passado.
Lula larga na frente no 2º turno: 50% contra 43% de Alckmin.
• Por Redação do Jornal da Mídia
Sexta-feira, 06/10/2006 - 21:29
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeeleição, largou na frente na primeira pesquisa do Datafolha realizada no segundo turno. Lula tem 50% das intenções de voto contra 43% de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB. A pesquisa foi divulgada pelo Jornal Nacional.
Na pesquisa anterior do Datafolha, realizada entre sexta-feira e sábado da semana passada (antes do primeiro turno), em uma projeção de segundo turno, Lula tinha 49% contra 44% de Alckmin.
O Datafolha ouviu 5.811 eleiroes entre os dias 5 e 6 de outubro e a margem de erro é de dois pontos
Considerados apenas os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), a frente de Lula é de 8 pontos: Lula tem 54% contra 46% de Alckmin.
De acordo com a pesquisa, a maioria (48%) dos votos destinados a Heloisa Helena, do PSOL, no primeiro turno (48%) vão para Alckmin. Lula ficou com 32%. Heloisa e o PSO decidiram não apoiar nenhum dos dois candidatos no segundo turno.
Entre aqueles que votaram em Cristovam Buarque (PDT), 39% disseram que votarão no candidato tucano e o mesmo percentual, em Lula.
•
Dossiê: PT expulsa quatro e Berzoini é substituído.
• Por Redação do Jornal da Mídia
Sexta-feira, 06/10/2006 - 20:12
A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu expulsar quatro filiados por envolvimento com a negociação de um dossiê que envolveria políticos do PSDB com a compra superfaturada de ambulâncias. Os expulsos foram Oswaldo Bargas, Jorge Lorenzetti, Hamilton Lacerda e Expedito Veloso. O partido também decidiu por colocar Marco Aurélio Garcia na presidência, após o pedido de licença do cargo encaminhado hoje por Ricardo Berzoini.
Leia a seguir a íntegra da nota:
“A Comissão Executiva Nacional do PT, reunida no dia 6 de outubro de 2006, decide:
1. O Partido dos Trabalhadores, sua militância e sua direção fomos surpreendidos com a notícia de que um grupo de filiados havia negociado com a “família Vedoin” um dossiê contendo informações sobre a atuação da “quadrilha dos sanguessugas” no governo FHC, nas gestões José Serra e Barjas Negri, no Ministério da Saúde.
2. A surpresa foi ainda maior porque as informações sobre os vínculos entre esta quadrilha e a cúpula tucana já eram de conhecimento público.
3. Os filiados envolvidos nessa negociação não consultaram a direção do PT, não consultaram a coordenação de campanha e não consultaram os candidatos do Partido. Portanto, desrespeitaram as normas básicas de convivência num partido democrático.
4. O episódio do dossiê serviu de pretexto para, na reta final do primeiro turno, ter curso uma campanha articulada entre a oposição de direita e setores da mídia. Esta campanha ocultou os vínculos entre a cúpula tucana e a quadrilha dos sanguessugas, dando destaque apenas para a negociação do dossiê.
5. Executiva Nacional do PT repudia a atitude destes filiados, considera um equívoco substituir a disputa de projetos por este tipo de prática, condena a promiscuidade com um grupo de criminosos, bem como o total desrespeito à democracia partidária.
6. Os filiados que assim agiram colocaram-se, na prática, fora do Partido. E, por decisão da Executiva Nacional, estão politicamente expulsos do PT os filiados Expedito Veloso, Jorge Lorenzetti, Oswaldo Bargas e Hamilton Lacerda.
7. Tendo em vista estas considerações políticas e para dar cumprimento à legislação, a CEN decide aplicar, aos filiados envolvidos que ainda não se desfiliaram do Partido, o que prevê o artigo 228, inciso I do estatuto do Partido dos Trabalhadores. São Paulo, 6 de outubro de 2006”
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Acusados de negociar a compra de dossiê deixam o PT
Sexta-feira, 06/10/2006 - 13:14
Do G1, no Globo.com:
Dois petistas envolvidos no escândalo do dossiê tucano se anteciparam à reunião da executiva nacional nesta sexta e deixaram o partido. O primeiro foi o ex-analista de risco e mídia da campanha de Lula Jorge Lorenzetti. O segundo foi Hamilton Lacerda, ex-coordenador de comunicação da campanha de Aloizio Mercadante ao governo de São Paulo.
Lorenzetti, churrasqueiro predileto do presidente Lula, é um dos operadores da compra do dossiê. Ele teria feito o contato inicial com o empresário Luiz Antonio Vedoin, chefe da máfia dos sanguessugas, para a compra do dossiê. Também era o responsável na campanha por analisar a veracidade dos documentos do dossiê.
Jorge Lorenzetti pediu a desfilação no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Santa Catarina. A situação de Lorenzetti, que teve a prisão decretada mas está solto graças a um habeas corpus, seria discutida nesta sexta pelo partido.
O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mostrou confiança na vitória no segundo turno. Em entrevista a rádios nordestinas, hoje pela manhã, o petista descartou a possibilidade de ser derrotado por Geraldo Alckmin (PSDB) na eleição presidencial. "Eu acho improvável que o outro candidato vença as eleições", disse.
Lula apresentou projetos para o desenvolvimento do nordeste do País e prometeu novos investimentos na região. "Agora é vai ou racha. O desenvolvimento do nordeste tem de acontecer", assegurou. "O nordeste pode esperar muito mais (de um segundo mandato), porque estamos fazendo investimentos que mudarão a cara do nordeste", completou Lula.
O petista apresentou propostas para a área de infra-estrutura da região, como a duplicação da Rodovia BR-101 Nordeste e a construção da Ferrovia Transnordestina. Lula destacou, ainda, a instalação de uma refinaria da Petrobras em Pernambuco e prometeu investimentos na educação.
Quem diria!! Mas quem diria mesmo. O ex-deputado cassado Roberto Jefferson, aquele que diz ter recebido R$ 3 milhões por conta do "mensalão", está fechado com o candidato tucano, Geraldo Alckmin.
Podem apostar. O assunto foi o destaque hoje das principais colunas políticas dos jornais. E também em blogs, como o de Josias de Souza, na Folha Online.
Segundo Josias de Souza, Jefferson informou que o PTB subirá no palanque de Alckmin em pelo menos sete Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás e Mato Grosso.
O "discurso ético" que Alckmin diz ter, na prática, não existe. Pediu o apoio de Garotinho e Rosinha e agora implora por Jefferson.
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Garotinho afirma que deu apoio porque Alckmin pediu
Quinta-feira, 05/10/2006 - 23:25
Do Globo.com:
O ex-governador Anthony Garotinho disse nesta quinta-feira (5) que só declarou apoio à candidatura de Geraldo Alckmin depois ter sido procurado pelo tucano e pelo presidente do PMDB, Michel Temer.
"Declarei meu apoio ao Alckmin a pedido dele. Um dia, o Michel Temer me perguntou se eu apoiaria o candidato tucano. Dez minutos depois, o Alckmin me ligou. E eu não apóio ninguém envergonhado."
Garotinho, que é presidente regional do PMDB, se reuniu com prefeitos e deputados para fazer um balanço dos resultados do partido nas eleições. Ao explicar seu afastamento do governo Lula, Garotinho perguntou aos correligionários: "Como posso apoiar o meu carrasco?"
A assessoria de imprensa do candidato tucano informou que ele não se manifestará sobre a declaração de Garotinho. "Esse assunto está sepultado", afirmou um integrante da assessoria.
Foi um fiasco encontro de Alckmin com o PSDB da Bahia
• Por Redação do Jornal da Mídia
Quinta-feira, 05/10/2006 - 17:30
Geraldo Alckmin leva carão do líder tucano Jutahy Júnior
Foi um fiasco o encontro dos tucanos da Bahia com o candidato a presidente Geraldo Alckmin, nesta tarde, no Marazul Hotel, em Salvador. Alckmin, que menosprezou o seu próprio partido no Estado, no primeiro turno, afirmando que o seu candidato ao Senado era Rodolpho Tourinho, do PFL, e não o tucano Antonio Imbassahy, foi recebido friamente e ouviu do líder tucano na Câmara dos Deputados, Jutahy Júnior, "algumas verdades" e levou um carão do deputado.
Jutahy disse a Alckmin que não votou em Paulo Souto, do PFL (ele revelou que votou em Jaques Wagner, eleito governador pelo PT), candidato do presidenciável, não pelo governador, mas por conta do senador Antonio Carlos Magalhães, de quem Alckmin buscou apoio e se uniu com unhas e dentes na Bahia.
Alckmin, meio desajeitado, escutou e procurou escorregar. Jutahy foi incisivo e exigiu que o presidenciável assume de público o compromisso de, caso eleito, ajudar o governador eleito Jaques Wagner, do PT, a fazer um grande governo. Alckmin aceitou prontamente.
No dia em que os prefeitos eleitos pelo PSDB da Bahia foram ao Palácio de Ondina, em agosto, declarar apoio a Paulo Souto, Jutahy disse a mesma coisa e deixou todo mundo à vontade.
"Gosto do deputado Fábio Souto, com quem mantenho um excelente relacionamento, admiro o governador Paulo Souto, mas não voto com o carlismo jamais", disse Jutahy.
E cumpriu a promessa.
Quem também esteve presente no encontro de Alckmin com os tucanos baianos foi o ex-prefeito Antonio Imbassahy, candidato do PSDB derrotado ao Senado. A princípio, Imbassahy não iria, mas foi lá. Não falou nada. Ficou calado, ouvindo tudo. Mal conseguia olhar para Alckmin.
Se alguém pode reclamar de sacanagem (desculpem, senhores leitores) nas eleições, foi Imbassahy. Primeiro, porque pensou que seria candidato ao Senado em uma chapa com João Durval como candidato a governador. Depois, por ter ficado sem palanque, assistiu o candidato a presidente do seu próprio partido, Geraldo Alckmin, pedir votos para Rodolpho Tourinho, do PFL, João Durval partiu para o palanque do PT e o PSDB não tinha candidato a governador. Imbassahy ficou sozinho fazendo campanha pelo interior com o deputado Jutahy Júnior.
Visitando cidades e fazendo corpo-a-corpo, foi assim que o ex-prefeito buscou os votos - muito pouco para um estado com 417 municípios, como a Bahia.
Mas... na reunão de Alckmin com o tucanato estadual, quem não falou nada, mas absolutamente nada, também, foi João Almeida, reeeleito deputado federal e o único que assinou e que deu repaldo a "aliança" do PSDB da Bahia com o PFL de Antonio Carlos Magalhães.
O deputado federal José Carlos Aleluia, do PFL, que tem livre trânsito entre os tucanos baianos e até com setores de oposição, esteve presente, mas como mero espectador.
Depois do bate-papo desajeitado com os tucanos da Bahia, Alckmin seguiu para o Othon Palace, onde ficou mais à vontade no "ninho" do PFL do senador Antonio Carlos Magalhães.
Leia mais detalhes depois. O Jornal da Mídia está lá
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Geraldo Alckmin tenta apoio dos tucanos da Bahia
• Por Redação do Jornal da Mídia
Quinta-feira, 05/10/2006 - 11:00
Pelo menos na Bahia, o apelido de "pé de chumbo" pega bem para Alckmin. O tucano não conseguiu mais que 26,03% dos votos do Estado.
O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, tem um encontro com os tucanos baianos logo mais às 13h30m no Marazul Hotel. Devem estar presentes o presidente do partido na Bahia, deputado federal Jutahy Júnior, o outro federal eleito pela legenda João Almeida e os estaduais Marcelo Nilo, Artur Maia e Sérgio Passos.
Alckmin vem pedir apoio do grupo, que praticamente cruzou os braços nas eleições de domingo em relação à campanha presidencial.
Como se sabe, no primeiro turno, Alckmin preferiu o PFL de Antonio Carlos Magalhães e fez muito pouco caso do seu partido, o PSDB. Agora, precisando 13 milhões de votos para vencer as eleições, ele tentará unir os tucanos em torno de sua candidatura.
Aliás, aliás, é bom lembrar que Alckmin até declarou seu apoio ao candidato derrotado ao Senado do PFL, Rodolpho Tourinho, deixando o ex-prefeito Antonio Imbassahy, candidato do PSDB, de lado.
Antonio Imbassahy, segundo fontes do PSDB-BA, recusou o convite para participar do encontro com Alckmin, hoje à tarde.
Na Bahia, quem realmente apóia Alckmin é João Almeida, que por muito pouco não perde a eleição. Almeida está acusando os deputados estaduais Marcelo Nilo e Artur Maia de terem apoiado o PT nas eleições de Jaques Wagner. Nilo e Maia devem responder logo mais a Almeida.
Depois da reunião com os tucanos, Alckmin se encontra com os deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos e veradores do PFL, no Bahia Othon Palace.
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Alckmin admite que foi um erro posar em foto com Garotinho
Quinta-feira, 05/10/2006 - 10:58
De na Folha Online, hoje:
A foto de Alckmin com Garotinho e Rosinha foi distribuída pela campanha do candidato tucano, que chegou a reconhecer que "a crise abala sua trajetória ascendente e seu discurso ético".
O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, admitiu, ontem, em conversas, que se precipitou ao posar ao lado do casal Garotinho. À noite, numa audiência com o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia, disse que, se soubesse que daria tanto problema, não teria concordado com a foto. Mas alegou que foi 'atropelado': o ex-governador Anthony Garotinho foi quem insistiu.
Ao longo do dia, Alckmin chegou a reconhecer que a crise abala sua trajetória ascendente e seu discurso ético. Mas, tranqüilizado por tucanos, apostou numa sobrevida de dois dias para o problema. Alckmin também argumentou que não poderia prever o seu impacto, porque essa não foi a reação de Rodrigo na noite de segunda-feira, quando recebeu um telefonema do presidente do PSDB, Tasso Jereissati.
'Se alguém te liga meia-noite e meia é informando, né? E falei da rejeição ao Garotinho', justificou Rodrigo.
Após passar o dia repetindo que 'Tasso é o mister Magoo, que não enxerga um palmo à frente do nariz', o líder do PFL viajou, a pedido do senador José Jorge (PFL-PE), vice na chapa de Alckmin, para São Paulo.
Chamados pelo candidato, os recém-eleitos Aécio Neves e José Serra se reuniram com ele em São Paulo, na tentativa de produzir uma foto melhor. O trio brincou, dizendo que, em Minas, esse apoio seria considerado uma obra de engenharia política. Tasso foi para o Rio.
Ala alckmista do PSDB avaliava ontem que, com a derrota no Rio no primeiro turno --Alckmin teve 28,86% contra 49,18% de Lula no Estado--, o prefeito Cesar Maia (PFL) não tinha justificativa para atacar.
Dizendo que lamenta a decisão de Maia, Alckmin afirmava que, 'em hipótese alguma', rejeitaria o apoio, já que o Rio foi identificado como ponto-chave do segundo turno.
Duvidando de suas chances na capital, Alckmin preferiu investir no interior do Rio. Só não contava que Garotinho viesse a São Paulo na segunda-feira.
Ex-assessor de Lula não está envolvido na compra do dossiê
Quarta-feira, 04/10/2006 - 11:41
Da Folha Online:
Pelas informações de que dispõe até agora, a Polícia Federal não reúne indícios do envolvimento do ex-assessor da Presidência Freud Godoy na compra, por petistas, de um dossiê contra tucanos. Caso o inquérito fosse encerrado hoje, a PF não indiciaria Freud.
Até mesmo o procurador da República Mário Lúcio Avelar, que pediu duas vezes a prisão temporária de Freud, compartilha agora da tese dos policiais. Segundo a Folha apurou, após o segundo depoimento de Freud à PF, na última sexta-feira, Avelar revelou que não encontrou até agora elementos para acreditar na participação do ex-assessor de Lula.
Disse ainda que, caso a Justiça não cassasse o mandado de prisão contra Freud antes da restrição da lei eleitoral que impediu que a decisão fosse cumprida na semana passada, ele mesmo o solicitaria.
Não precisou. Na última sexta, liminar do juiz do TRF da 1ª Região Tourinho Neto cassou a ordem de prisão temporária de Freud e dos outros cinco petistas envolvidos com o caso --todas a pedido do procurador.
A única ligação de Freud com o caso é a mesma do início: em depoimento à PF, Gedimar Passos, um dos petistas presos com o R$ 1,7 milhão para a compra do dossiê, disse que o pagamento teria sido feito "a mando de uma pessoa chamada Froude ou Freud".
O que a PF descobriu nas investigações até aqui bate com os dois depoimentos de Freud, o primeiro deles espontâneo. A perícia nos celulares de Gedimar e de Valdebran Padilha foi concluída, e revelou telefonemas entre o primeiro e o ex-assessor da Presidência, mas todos os contatos foram em agosto, mês em que a empresa da mulher de Freud prestou serviços de varredura antigrampos telefônicos no comitê de reeleição de Lula e na sede do diretório nacional do PT, em Brasília.
Inconformado, ACM diz que o 'carlismo' não acabou.
Terça-feira, 03/10/2006 - 23:32
ACM acha que o governador eleito Jaques Wagner "vai fracassar" e disse que a vitória de Lula na Bahia foi "surpreendente"
A reação do senador Antonio Carlos Magalhães à vitória do petista Jaques Wagner, que venceu de forma limpa as eleições para o governo da Bahia no último domingo, foi bem diferente da declaração de Paulo Souto, governador do Estado e candidato à reeleição.
Enquanto Souto, logo após a divulgação do resultado, desejava a Wagner boa sorte na condução do governo, observando que era necessário se respeitar a vontade do povo, ACM fez hoje (3), no Senado, um discurso inflamado.
Na verdade, um discurso de derrotado que ainda não absorveu o resultado implacável das urnas, manifestado pelos baianos.
O velho cacique previu o pior para a Bahia nos próximos quatro anos e disse ter a certeza de que as oposições vão repetir o fiasco de 20 anos atrás, quando Waldir Pires foi eleito governador, com mais de 1,5 milhão de votos de frente para o candidato carlista, Josaphat Marinho..
Para o senador, o "carlismo não acabou" com a vitória de Wagner.
"Haverá a volta triunfal do carlismo daqui a quatro anos. O carlismo é uma legenda. Ninguém apaga o carlismo", sustentou.
ACM afirmou ainda que a vitória dos candidatos apoiados pelo presidente Lula na Bahia ocorreu porque "se jogou muito dinheiro do governo no estado".
Jaques Wagner venceu as eleições para governador com muita folga (52% contra 43%). O governador Paulo Souto, que reconhecidamente fez um bom governo, liderava disparado as pesquisas, mas perdeu o pleito na reta final.
Ninguém sabe o que é que houve no lado do PFL. Ninguém encontra uma explicação para a derrota. Alguns acham as oposições foram subestimaram e acharam que as eleições estavam ganhas. Houve erros na estratégia da campanha, também.
No horário da propaganda gratuita, nas últimas duas semanas, toda a campanha foi concentrada em cima do candidato ao Senado, Rodolpho Tourinho, indicado por ACM, e que acabou derrotado nas urnas pelo ex-governador João Durval, do PDT, apoiado por Jaques Wagner.
Paulo Souto ficou em segundo plano.
A verdade é que o PFL baiano foi nocauteado por Jaques Wagner. Portanto, natural, muito natural mesmo, a reação do senador ACM.
Só não vale, senador, desejar o pior para o futuro governador e achar que o caos vai se instalar no estado. Afinal, a Bahia precisa continuar crescendo e se desenvolvendo. É isso o que todos os baianos querem.
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Ainda no Senado, ACM disse que a vitória de Lula na Bahia foi uma coisa circunstancial, surpreendente.
Lula repetiu nas urnas baianas domingo a esmagadora vitórias de 2002: 66,65%, dos votos, contra 26% de Alckmin.
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Do deputado federal reeleito Walter Pinheiro (PT), sobre a reação de ACM à vitória de Jaques Wagner:
"Meu pai sempre me aconselhou a relevar o que falam as pessoas com mais de 70 anos".
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Jaques Wagner fará ponte com PMDB e PDT
Terça-feira, 03/10/2006 - 16:45
Com um papel de maior destaque na campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador eleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), ajudará na interlocução do PMDB e do PDT para formalizar o apoio à reeleição. O ex-ministro vai se juntar ao deputado eleito Ciro Gomes (PSB) com objetivo de reforçar a coordenação nacional e a estratégia sobretudo no Nordeste.
"O PMDB pelo tamanho que tem é desejável para qualquer aliança. É um partido fundamental porque é de centro, então tem que negociar. A relação tem de ser institucional, tem que conversar com o comando do partido independente do grau de afinada. Na Bahia, nós conseguimos criar uma aliança muito sólida empenhada na reeleição do presidente Lula", afirmou o governador eleito (ouça aqui chat do governador eleito na Globo.com).
Lula recebeu Wagner (PT) nesta terça no Palácio do Planalto. No gabinete presidencial, depois que fotógrafos e cinegrafistas registraram o encontro, o presidente fez ironia com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), considerado o grande derrotado nas eleições baianas com a vitória petista sobre o pefelista Paulo Souto. "Agora, vocês vão lá, no Senado, fotografar o ACM, para ver como está a cara dele", disse Lula.
Presente à audiência, a mulher de Wagner, Maria de Fátima Carneiro de Mendonça, fez com os dedos, voltada para fotógrafos e cinegrafistas, um "L" de Lula, mas o próprio presidente a demoveu do gesto.
"Não pode, não pode", advertiu, referindo-se ao fato de que a legislação não permite propaganda eleitoral em prédios e áreas públicas. Do encontro de Lula e Wagner participou também o candidato derrotado a deputado federal pelo PT de Brasília, Sigmaringa Seixas.
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Corrupção custa ao Brasil US$ 3,5 bilhões
Terça-feira, 03/10/2006 - 16:22
De Renée Pereira do Estado de S. Paulo:
O brasileiro paga caro pelo aumento da corrupção no País. Segundo estudo feito pelo coordenador da Escola de Economia de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marcos Fernandes, a perda de produtividade provocada por fraudes públicas no Brasil atinge a casa de US$ 3,5 bilhões por ano. 'Da mesma forma que estradas e portos bem estruturados melhoram a produtividade do País, instituições ineficientes diminuem o ganho da nação', afirma Fernandes.
Ele explica que o prejuízo foi calculado com base em dados do Banco Mundial (Bird) sobre educação e investimentos de 109 países, além de índices de percepção de corrupção da organização não-governamental Transparência Internacional. Na avaliação do professor da FGV - que lança hoje o livro Ética e Economia, em São Paulo -, com as péssimas qualidades das leis, da governabilidade e do ambiente de negócios, as empresas hesitam em investir no País e deixam de criar emprego e renda para a sociedade.
Para ter idéia do que significa a perda de produtividade provocada pela corrupção no Brasil, basta comparar o volume de dinheiro empenhado pelo governo no Ministério dos Transportes. Até agosto, foram cerca de R$ 5,3 bilhões em obras de infra-estrutura de transportes, como estradas, hidrovias, ferrovias e portos - bem abaixo da perda de produtividade anual calculada em US$ 3,5 bilhões, ou R$ 7,5 bilhões convertidos pelo dólar de R$ 2,17.
Fernandes completa ainda que em apenas dois escândalos recentes da história do Brasil - o superfaturamento do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo pelo juiz Nicolau dos Santos Neto e o dos sanguessugas, a população perdeu cerca de US$ 150 milhões. 'Com esse dinheiro seria possível construir 200 mil casas populares e abrigar 800 mil pessoas', calcula o professor.
Segundo ele, muito dinheiro que poderia ser investido na precária infra-estrutura do País é desviado pela corrupção. Com isso, o Estado perde força e suas políticas de investimentos são enfraquecidas. Resultado disso pode ser verificado no Índice de Competitividade Global 2006-2007 do Fórum Econômico Mundial. Números divulgados na semana passada mostram que o Brasil caiu nove posições no ranking internacional, de 57ª para 66ª colocação, ficando abaixo dos demais países que formam o chamado Bric (Rússia, Índia e China).
(...)
Mas há uma luz no fim do túnel, argumentam os especialistas. Uma das alternativas é deixar de tratar a corrupção como causa da moralidade. Para [Claudio Weber] Abramo [diretor-executivo da Transparência Brasil], ela tem origem em instituições e práticas administrativas frágeis.
'No Brasil, os governos podem nomear cargos aleatoriamente em troca de apoio parlamentar. Isso precisa ser mudado', indigna-se ele, reivindicando a criação de políticas de gerenciamento de conflito de interesses. 'Certamente não se combate corrupção dizendo que ela é feia.' Gonçalves, da FGV, acredita que a instituição de mecanismos que permitam a fiscalização pública do orçamento do governo já contribuiria para reduzir as fraudes. 'É preciso transparência. Se você torna tudo eletrônico, é possível consultar o andamento dos processos, contratos de compra de serviços, etc.' Mas isso precisa ser inteligível. Não adianta dispor de dados se não é possível fazer a leitura, alerta ele. 'Junta-se a isso a necessidade de redução da burocracia e a aprovação de leis mais racionais.'
Governo agora quer rapidez na investigação do dossiê
Terça-feira, 03/10/2006 - 15:09
De Sônia Filgueiras de O Estado de S. Paulo:
Agora, o governo tem pressa. O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, determinou à PF de Mato Grosso que conclua o mais rápido possível o inquérito sobre a compra, pelo PT, do dossiê Vedoin, que teria supostas irregularidades na gestão tucana no Ministério da Saúde. A ordem é apresentar a solução do caso antes do segundo turno, incluindo a identificação da origem do dinheiro, a lista de responsáveis e o papel de cada um na operação. Lacerda da PF também ordenou controle rígido do fluxo de informações, para evitar vazamentos.
São os primeiros reflexos do resultado da eleição sobre a apuração do escândalo, apontado como causa principal para a queda do presidente Lula. O governo avalia que, quanto mais rapidamente for concluído o caso, mais tempo o comitê de campanha de Lula terá para administrar a repercussão do caso.
O prazo não será longo. As investigações levarão 20 dias, segundo autoridades que as acompanham. Neste momento, a PF trabalha em duas frentes. Uma é esmiuçar os telefonemas que os petistas Gedimar Passos, que era do núcleo de inteligência da campanha de Lula, e Valdebran Padilha fizeram logo antes de 15 de setembro, quando foram presos com R$ 1,75 milhão, que pagaria o dossiê. Outra é localizar a origem do dinheiro, identificando os sacadores dos dólares e reais.
Legacy voava na rota reservada para o Boeing da Gol
Terça-feira, 03/10/2006 - 13:03
De Bruno Tavares e Marcelo Godoy de O Estado de S. Paulo:
O jato Legacy estava na altitude errada quando bateu no Boeing 737-800 da Gol na sexta-feira. Isso porque o piloto do avião disse à polícia que voava a 37 mil pés de altitude. Ele viajava nessa altitude no eixo São José dos Campos-São Paulo-Brasília. O destino era Manaus (AM). O problema é que o jato devia mudar para 36 mil pés ao passar por Brasília. O choque das aeronaves derrubou o Boeing e causou o pior acidente da história do País, com 155 mortos.
A razão pela qual o Legacy não podia estar a 37 mil pés é a organização do espaço aéreo brasileiro. Dependendo do sentido em que trafega o avião, ele deve usar níveis de altitude pares ou ímpares. No caso do jato, vendido pela Embraer para a empresa americana ExcelAire, a viagem até Brasília era feita em uma altitude ímpar (37 mil). Entretanto, ao passar pela capital, essa direção mudou. Assim, a aeronave devia seguir por uma altitude par (36 mil).
Mas o piloto Joseph Lepore e o co-piloto Jean Paul Palladino, que comandavam o Legacy, disseram à polícia de Mato Grosso que tinham autorização da torre de Brasília para efetuar o plano de vôo a 37 mil pés (11 mil metros) de São José dos Campos (SP) até Manaus, onde fariam escala antes de seguir para os Estados Unidos. Os depoimentos foram prestados no domingo, em Cuiabá, ao delegado Anderson Garcia, que trabalha no inquérito sobre o acidente.
(...)
Oficiais da Aeronáutica ouvidos pelo Estado já haviam confirmado que não houve autorização para que o Legacy fizesse toda a viagem a 37 mil pés.
Eles afirmam que é impossível que isso tenha ocorrido, pois seria como autorizar alguém a trafegar na contramão. 'A partir de Brasília, há mudança de proa (a direção do avião)', disse um deles. A proa do Boeing indicava que ele devia voar em altitudes ímpares e a do Legacy, em pares.
Os oficiais chamaram a atenção para outro fato: de São José dos Campos, de onde partiu o Legacy, para Brasília, a proa é de altitude ímpar. Isso explica o fato de o jato da ExcelAire ter recebido em sua carta de vôo a instrução para trafegar a 37 mil pés no trecho inicial. Mas essa altitude deveria mudar em Brasília. Em outras palavras, era o Legacy, e não o Boeing, que devia alterar a rota. Os dados do plano de vôo devem ser registrados pelo piloto no computador da aeronave, antes da decolagem, para o piloto automático funcionar corretamente.
Segundo os oficiais, o Legacy foi alertado pelos controladores de vôo do Centro Integrado de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta-1), com sede em Brasília, de que estava na rota errada, mas não respondeu. Enquanto isso, o Boeing da Gol era controlado pelos operadores do Cindacta-4, com sede em Manaus.
No momento da colisão, o Boeing estava a cerca de 200 quilômetros do trecho onde passaria a ser monitorado pelo Cindacta-1. Só a partir desse ponto é que os controladores dos Cindactas se comunicariam para que um entregasse o vôo ao outro. O mesmo ocorria com o Legacy. Ambas as aeronaves estavam na área de interseção dos dois centros, mas não haviam chegado ao momento de troca.
A grande dúvida entre oficiais é saber por que o sistema anticolisão, o TCAS, não funcionou. Os dois aviões tinham esse sistema, que acusa a aproximação de outra aeronave. Ele é acoplado ao transponder, que emite sinais para que os radares controlem a posição de cada avião, identificando-os no espaço aéreo.
À polícia, os pilotos afirmaram que o equipamento anticolisão da aeronave estava ligado e não emitiu nenhum alerta sobre a aproximação do Boeing.
'Os pilotos alegaram que seguiram a rota do plano de vôo e não viram o avião da Gol. Só após pousarem na Base Aérea do Cachimbo é que ficaram sabendo do desaparecimento do Boeing.'
Lula e Alckmin disputam 18 milhões de votos no 2º turno
Terça-feira, 03/10/2006 - 10:56
Do Portal G1:
De 18,1 milhões de votos brancos, nulos e destinados aos demais candidatos no primeiro turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisará de pelo menos 6 milhões para ganhar a eleição e Geraldo Alckmin (PSDB), de quase 13 milhões.
Essa é a projeção para o segundo turno na hipótese de não ocorrer migração de votos entre Lula e Alckmin e de se repetir o contingente de eleitores que compareceu às urnas no primeiro turno (104,8 milhões).
No primeiro turno, o candidato do PT à presidência terminou a apuração com mais de 6,69 milhões de votos de vantagem sobre o tucano. Para superar Alckmin no segundo turno, ele precisará acrescentar a esse total pelo menos outros 6 milhões de votos. Alckmin, além de conquistar essa fatia, terá de obter outro tanto para compensar a diferença do primeiro turno.
Por isso, os votos que os demais candidatos receberam são valiosos, principalmente os de Heloísa Helena (PSOL), que obteve 6,57 milhões de votos e os de Cristovam Buarque (PDT), que conquistou 2,53 milhões. Ana Maria Rangel (PRP) ficou com 126,4 mil, José Maria Eymael (PSDC), com 63,2 mil e Luciano Bivar (PSL), com 62 mil. Juntos, os cinco receberam mais de 9,3 milhões de votos.
Além disso, tanto Lula como Alckmin tentarão convencer os eleitores que anularam o voto ou votaram em branco a optar por um deles. No primeiro turno, os nulos e brancos totalizaram quase 9 milhões, bem mais que a diferença entre os dois primeiros colocados na apuração.
Normalmente, o número de nulos e brancos tende a cair no segundo turno porque o eleitor precisa digitar menos algarismos na urna eletrônica que no primeiro turno. Em dez estados onde haverá segundo turno, os eleitores apertarão as teclas quatro vezes (para votar em governador e presidente). Nos demais, apenas duas vezes (somente para presidente). Em 2002, o primeiro turno da eleição presidencial teve mais de 9,8 milhões de brancos e nulos, contra 5,5 milhões no segundo, uma redução de mais de 40%.
São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul são estados-chave para Lula e Alckmin no segundo turno. Em São Paulo, os votos dos demais candidatos, mais os nulos e brancos somaram 3,75 milhões. No Rio de Janeiro, 2,76 milhões. Em Minas Gerais, 1,64 milhão, e, na Bahia, 1,25 milhão.
Em outros três estados, o número também é bastante significativo. No Rio Grande do Sul, os votos dos demais candidatos, mais os nulos e brancos, chegaram a 1,16 milhão e no Paraná, a 1,08 milhão. Em Pernambuco, representaram 811,6 mil eleitores.
Aumento de viagens será estratégia principal de Alckmin
Segunda-feira, 02/10/2006 - 20:36
Bruno Bocchini, da Agência Brasil
O candidato à Presidência da República, Geraldo Alckmin (PSDB-PFL), participou na tarde de hoje (2), durante 40 minutos, de uma entrevista coletiva no Instituto Teotônio Vilela, em São Paulo. Logo no início da conversa, ele agradeceu aos eleitores pelos votos e, aos colegas de campanha, pelo engajamento em várias partes do Brasil.
Na disputa em segundo turno com o candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva, Alckmin disse que usará como uma das principais estratégias de campanha o aumento de viagens pelo país.
“A partir de já é pé na estrada e fé na estrada. Vamos trabalhar com grande entusiasmo, multiplicar, somar as lideranças responsáveis do Brasil para o grande projeto nacional de desenvolvimento”, disse o ex-governador de São Paulo.
Segundo ele, o governador eleito de São Paulo, José Serra, e o governador eleito de Minas Gerais, Aécio Neves, já se pré-dispuseram a percorrer o país durante sua campanha no segundo turno.
Outro ponto estratégico da campanha para o segundo turno, destacado por Alckmin, será o esforço para obter apoios de outros partidos.
O candidato conversou na tarde de hoje com o quarto colocado no primeiro turno da eleição presidencial, Cristovam Buarque (PDT) e pretende entrar em contato com Heloisa Helena (PSOL). O presidente do PSDB, Tasso Jereissati (CE), já teria feito feito contato com o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), em busca de apoio.
Questionado pelos jornalistas se as notícias da compra do dossiê sobre tucanos por petistas teria o ajudado a passar para o segundo turno, Alckmin afirmou, inicialmente, que o fator fundamental para o resultado do primeiro turno foi “o voto dos brasileiros”. Depois, considerou que as notícias de uma “seqüência de escândalos” teriam o beneficiado.
“Na realidade, não existem fatos isolados. Você teria uma seqüência de escândalos de corrupção no governo Lula, que não foram fatos isolados. É um conjunto de questões, empresas estatais envolvidas, Congresso Nacional, Ministérios. E não foram distantes do poder, foi a cúpula do partido do presidente, foram ministros do Lula, foi o palácio do planalto.”
Alckmin disse ainda que o povo brasileiro deu ao presidente Lula uma “chance” elegendo-o em 2002. “Ele deixou passar essa chance, o Brasil poderia ter crescido mais e ter tido um governo melhor. Sob o ponto de vista ético poderia ter dado um exemplo para o Brasil. E infelizmente não foi isso que nós vimos.”
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Lula lamenta segundo turno, mas garante que vai ganhar.
Segunda-feira, 02/10/2006 - 17:23
Deu no Globo.com:
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lamentou nesta segunda-feira (2) não ter sido eleito em primeiro turno, mas disse que a nova rodada de eleição permitirá uma melhor comparação entre os resultados do governo e do adversário Geraldo Alckmin (PSDB).
"Nós vamos ganhar. A vitória vai demorar um pouco mais", disse o presidente, garantindo que participará dos debates. "Um segundo turno é importante porque consolida definitivamente a maioria da sociedade e torna mais previsível ao eleitorado a comparação entre dois e não entre quatro ou cinco candidatos. Vai ser um 2o turno interessante, esclarecedor. As idéias vão ser melhor debatidas, vamos discutir os programas e mostrar para o povo o que pretendemos para o futuro do país", disse Lula ao lado do vice José Alencar no Palácio da Alvorada.
Na entrevista que durou pouco mais de 30 minutos, o presidente afirmou que não vai se licenciar para dedicar-se somente à campanha. "Eu provei que posso fazer campanha sendo presidente. Vou governar o país na semana e fazer campanha no final de semana", afirmou o presidente.
O presidente chegou sorridente ao lado do vice José Alencar, da ex-prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, do coordenador da campanha, Marco Aurélio Garcia, dos ministros Walfrido dos Mares Guia (Turismo) e Sérgio Resende (Ciência e Tecnologia), além da primeira-dama Marisa Letícia.