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A relação entre o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), azedou de vez. Nem mesmo a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem na capital baiana deu trégua à disputa entre eles. O novo capítulo dessa guerra política foi o encontro entre Geddel e Wagner ocorrido na noite de segunda-feira para aparar as arestas da disputa entre PT e PMDB na campanha pela Prefeitura de Salvador, em que o prefeito e peemedebista João Henrique venceu o petista Walter Pinheiro. A versão divulgada pelo governador sobre o teor da reunião foi desmentida por Geddel.
Segundo Wagner, o ministro relatou, numa conversa de duas horas e meia, que não pensa em ser candidato a governador em 2010, mas sim disputar uma vaga para senador. O petista afirmou ainda ter lembrado ao ministro que deve buscar a reeleição. Neste caso, haveria uma vaga ao Senado na chapa disponível ao peemedebista.
Caminho Wagner foi além: disse que não aceitará que Geddel use a sua gestão para alavancar uma possível candidatura ao governo do estado daqui a dois anos. “Se ele quer um caminho próprio, não pode ser no governo. Não faz sentido manter um aliado que não vai estar junto em 2010”, disse o governador.
A declaração do petista irritou Geddel. O ministro o procurou ainda na Base Aérea de Salvador na manhã de ontem para questioná-lo. No local, ambos aguardavam a chegada do presidente Lula, que visitou a cidade para um encontro com o primeiro-ministro português, José Sócrates. Wagner tentou minimizar a polêmica.
De lá, todos foram para a Igreja da Santa Casa de Misericórdia, primeiro palco do evento. Geddel sentou atrás de Wagner. Os dois não trocaram palavras publicamente. Aos jornalistas, o ministro negou o teor do encontro divulgado pelo governador. “Não discutimos 2010, isso não existe. Apenas fizemos um balanço das eleições e cada um colocou sua opinião sobre o que ocorreu”, afirmou.
O ministro desmentiu ainda a ameaça de Wagner em retirar o PMDB do governo estadual caso Geddel tente usar a administração do petista para fortalecer uma eventual candidatura. “Não ouvi isso. Não entendi dessa maneira”, afirmou o ministro.
Ciente do mal-estar entre os dois, o presidente Lula evitou dar declarações ontem sobre o racha entre PT e PMDB. O prefeito João Henrique e o candidato derrotado, Walter Pinheiro, também foram recebê-lo na Base Aérea. Durante o dia, Wagner tentou mostrar intimidade com Lula aos fotógrafos, enquanto Geddel queria pegar uma carona no avião presidencial de volta a Brasília.
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Geddel diz que Wagner tem que convencê-lo a não sair candidato em 2010
Terça-feira, 28/10/2008 - 12:21
Deu no Correio Braziliense:
Um dos grandes vencedores da eleição municipal no país, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, líder do PMDB baiano, avisa que poderá disputar o governo estadual em 2010 se não houver diálogo com o PT. “Chegar ao posto de governador é o coroamento de uma vocação de vida pública”, afirma.
Geddel: "Não recebo recados para evitar dar recados. Quando o governador quiser dizer algo a meu respeito, ele haverá de citar o meu nome".
O PMDB venceu em 115 cidades e reelegeu em Salvador um prefeito que até pouco tempo não tinha chance. O senhor é o novo rei da Bahia? Eu repilo isso. É uma insidiosa comparação que meus adversários tentam fazer e insistir me comparando com Antonio Carlos Magalhães. Eu não tenho nada comparado ao seu estilo, na forma, na maneira de ver o mundo, a família, no jeito de tratar os amigos e fazer política. Sou transparente. Assumo os bônus e ônus da política. Não sou de perseguir ninguém, não tenho estilo coronelista, não sou oligarca. Tenho a noção de que a vida acaba e nada me envaidece.
O governador Jaques Wagner disse que o prefeito João Henrique é de faz-de-conta, não governa a cidade. É o senhor quem governa Salvador? Não recebo recados para evitar dar recados. Quando o governador quiser dizer algo a meu respeito, ele haverá de citar o meu nome. Em resposta à sua pergunta, eu digo que não. Já tenho atribuições demais no ministério.
O PT acusa o PMDB de fazer uma gestão de quatro meses, transformando a cidade num canteiro de obras com verba federal em época de eleição. É legítimo ganhar a disputa desta maneira? Não acho legítima a crítica. Os adversários a quem você se refere estavam com o prefeito João Henrique desde o início. Se o prefeito só administrou nos últimos quatro meses, o que os adversários estavam fazendo nos três anos e meio anteriores? O prefeito mostrou que trabalhou desde o primeiro dia do seu governo. Se as obras apareceram no seu período final, melhor para Salvador.
A vitória em Salvador o credencia para disputar o governo estadual em 2010? Se você me perguntar se tenho um projeto acabado para ser candidato em 2010, eu diria que não. Se você inverter a pergunta para saber se eu gostaria de ser governador, eu lhe diria que sim. Se eu disser que não, lhe autorizaria a me chamar de mentiroso e hipócrita. Evidente que, como homem público e militante político, chegar ao posto de governador é o coroamento de uma vocação de vida pública. Mas não sou obsessivo.
O governador Jaques Wagner diz que o natural seria ele disputar a reeleição e o senhor sair para o Senado.... É uma visão. Cabe ao governador demonstrar, através do convencimento, que essa é a naturalidade. Estou aberto a todas as hipóteses.
O senhor não descarta enfrentá-lo nas urnas? Se o governador conduzir o processo político para isso, não descarto. Mas não vou nessa direção.
O PT diz que o PMDB baiano sempre fez oposição a Lula e agora bebe de sua popularidade... Não sou comentarista político e não tenho que comentar as declarações dos outros. Não nego nem renego as frases que proferi. Fizemos oposição ao presidente Lula no primeiro governo porque foi uma imposição das ruas. Exerci meu mandato na oposição com vigor e paixão. Quando tive que reformar a posição, fui às ruas e passei a defender essa postura.
É o melhor momento de sua vida na política? Estou mais maduro e incapaz de cometer erros do passado. Administro melhor o pavio e não respondo imediatamente a qualquer agressão.
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João Henrique vai adotar o ''Big Brother Bairro'' de ACM Neto
• Por Redação do Jornal da Mídia
Terça-feira, 28/10/2008 - 12:02
Confira o vídeo com a entrevista
O prefeito João Henrique (PMDB), reeleito no último domingo, vai mesmo adotar o projeto do deputado ACM Neto, o ''Big Brother Bairro''', que estabelece a instalação de câmeras em pontos estratégicos da periferia como forma de inibir a violência, através do monitoramento das áreas onde há mais incidência de criminalidade.
Encantado com o apoio que recebeu do candidato derrotado do DEM no segundo turno, que foi decisivo para a sua reeleição, João revelou em entrevista à TV Bahia (confira o vídeo) que outras ações de prevenção à violência serão implantadas.
"Vamos dar "um banho de luz" na cidade, que há mais de 20 anos está precisando. E a Guarda Municipal será reforçada - atualmente já são 1.400 homens nas ruas. Na entrevista o prefeito falou também sobre o metrô, que segundo ele começa a funcionar em junho.
"O vagões jão estão em alto mar, viajando com destino a Salvador. No máximo em 30 dias devem estar chegando os primeiros 12 vagões. A parte de instalação física fica pronta até dezembro, com a colocação completa dos trilhos", assinalou.
João Henrique falou também sobre a briga com o PT, com o governador Jaques Wagner e sobre o clima agressivo da campanha em Salvador. "Vamos pensar em superar. A gente tem que pensar sempre na população, que é o compromisso maior".
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Após a 'surra', Wagner vê Geddel
Terça-feira, 28/10/2008 - 08:12
Do colunista Cláudio Humberto:
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), se encontra nesta terça-feira com o arqui-rival ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) na presença do presidente Lula, depois da “surra” que levou na eleição para prefeito de Salvador. O encontro será na instalação da Cúpula Brasil-Portugal, em um resort a 80km de Salvador. Geddel volta para Brasília no avião presidencial. Jaques fica lavando as feridas.
Eram amigos
Logo após ser eleito governador da Bahia, em 2006, Jaques Wagner atribuiu a Geddel grande parte da vitória, dividindo o governo com ele.
O ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) afirmou hoje (26) que tem a intenção de disputar o governo da Bahia. Durante a entrevista coletiva do prefeito reeleito de Salvador, João Henrique, Geddel, que o acompanhava, disse que seria hipocrisia dizer que não tem planos de ser governador.
“Não tenho um projeto pronto e acabado para disputar a próxima eleição como governador. Mas se eu dissesse que não sonho em governar o estado da Bahia você poderia me chamar de hipócrita. Se o destino me reservar isso, para mim seria um privilégio”, disse o ministro. Reeleito com 58% dos votos, o prefeito de salvador João Henrique Carneiro disse que recebeu os cumprimentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que irá acompanhá-lo na terça-feira, durante a Cúpula Brasil Portugal que se reúne na capital baiana na próxima quarta-feira. “Ele me desejou sucesso e êxito nessa nova administração”, disse prefeito, em sua primeira entrevista coletiva depois de reeleito.
Geddel disse ainda que o resultado da eleição da capital baiana não deixou vencidos nem vencedores e demonstrou disposição para se reaproximar do PT, partido do candidato derrotado Walter Pinheiro. “Os problemas ocorridos na eleição acabaram, ficaram para trás. Não há no meu espírito nenhuma razão para falar em rompimento”, disse o ministro.
O prefeito disse ainda que deixará para Geddel a tarefa de reaproximação com PT. A movimentação do prefeito foi em direção ao DEM. João Henrique anunciou a criação da Secretaria de Combate e Prevenção à Violência, compromisso que, segundo o prefeito, foi assumido com o deputado democrata Antonio Carlos Magalhães Neto.
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Vingança em Juazeiro
Domingo, 26/10/2008 - 13:13
Do colunista Cláudio Humberto:
Derrotado na tentativa de reeleger-se, o prefeito de Juazeiro da Bahia, Misael Aguilar Silva Jr. demitiu 1.200 funcionários da Prefeitura. Diz que não foi retaliação e anunciou que mais trezentos estão na mira.
O secretário de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza da Bahia, Valmir Assunção (PT), informou hoje que o Movimento dos Sem-Terra entra, a partir de hoje, na campanha do deputado petista Walter Pinheiro à Prefeitura de Salvador. Segundo o jornal ‘A Tribuna da Bahia’, a participação do MST, que chegou ontem à capital baiana em dezenas ônibus, será de 300 integrantes para fazer boca de urna na cidade. Assunção é apontado como o organizador da participação do MST na campanha. Ontem, os 300 militantes do MST realizaram um arrastão no Centro da cidade, saindo da Praça da Piedade até o Campo Grande para compor a Caminhada da Virada puxada por Walter Pinheiro.
Comandante da difícil reeleição do prefeito de Salvador, João Henrique (PMDB), o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) já ganhou status de provável vice de Dilma Rousseff, na chapa presidencial de 2010. Ou pode destronar Jaques Wagner (PT) do governo da Bahia.
De Maria Lima e Luiza Damé, no jornal O Globo, hoje:
Na mira direta do PMDB do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, e do prefeito João Henrique, candidato à reeleição em Salvador, o governador Jaques Wagner (PT) partiu para o contraataque e, num tom agressivo que surpreendeu até mesmo o comando da campanha do candidato do PT, Walter Pinheiro, chamou o prefeito de covarde, incompetente, mentiroso e traidor.
Num recado indireto a Geddel, que fez forte oposição ao presidente Lula no primeiro mandato, afirmou que é fácil apoiar o governante quando ele está com a popularidade alta.
Ontem, Wagner esteve com Lula, no Planalto, numa audiência que não estava prevista.
O presidente não estaria gostando dos ataques do prefeito ao governador. Nem da aliança do PMDB com o DEM no segundo turno. Na conversa com Lula, que irá a Salvador na terça-feira, Wagner relatou que o resultado é imprevisível e reclamou dos ataques ao PT e ao seu governo: — Mais uma vez, o resultado será conhecido só às 7h da noite, como foi na minha eleição.
(...) Um dia (João) chegou à minha casa apavorado porque a imprensa estava perguntado de onde tinha tirado tanto dinheiro para comprar uma casa muito cara num condomínio em Salvador — disse, emendando que são seus aliados que mandam na prefeitura.
- Quem governa não é ele, quem comanda não é ele. Prefeito João Henrique, olhe no espelho e admita que não tem preparo para governar uma cidade como Salvador! Wagner acusou o PMDB de se aliar a Lula só agora, com a popularidade dele alta: — Agora que a popularidade de Lula está nas alturas, eles vêm dizer que são Lula desde criancinha? Quem é Lula sou eu, que, durante a saraivada de balas, me coloquei à frente dele. Com 80% de popularidade é fácil.
Segundo aliados de Pinheiro, se Wagner tivesse feito esse discurso antes, sua situação hoje seria diferente. Geddel preferiu não rebater. Argumentou que a guerra poderia atrapalhar Lula: — Não sou eu, aqui da Bahia, que vou criar dificuldades para o presidente. Meu papel é criar todas as facilidades.
A vantagem do prefeito de 10 pontos percentuais sobre Pinheiro tem sido creditada por analistas à classe média alta, que votou em ACM Neto (DEM), no primeiro turno.
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Vale tudo
Sexta-feira, 24/10/2008 - 12:40
De Lauro Jardim na VEJA On-Line:
Em Salvador, os petistas têm batido no apoio que ACM Neto dá ao peemedebista João Henrique. Beleza. Mas quando as urnas do primeiro turno ainda estavam quentes Walter Pinheiro foi ao gabinete de ACM Neto na Câmara pedir apoio. E Jaques Wagner chegou a ligar para o senador ACM Junior com o mesmo objetivo.
A eleição de 2010 já começou na Bahia. Acabou a trégua entre o governador Jaques Wagner (PT) e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB). O cenário de guerra entre os dois era tudo o que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não queria. Mas o projeto político de cada um falou mais alto e o impasse está criado.
Geddel passou o dia de ontem irritado com os ataques desferidos na noite anterior por Wagner no último comício do candidato do PT à Prefeitura de Salvador, Walter Pinheiro. O governador deixou a cordialidade de lado e atacou o prefeito João Henrique (PMDB), que disputa a reeleição, atingindo também o próprio ministro da Integração Nacional, a quem insinuou governar no lugar do prefeito. “É um prefeito de faz-de-conta. Quem governa não é ele”, disse o petista.
Ao responder, o ministro mandou um recado ao presidente Lula: é Jaques Wagner quem quer arrumar confusão. “Sou um ministro de Estado. Meu papel é só facilitar a vida do presidente. Não estou criando dificuldades a ele. É preciso perguntar ao governador por que ele falou isso”, disse ao Correio.
Com esse discurso, Geddel tenta se isentar de qualquer responsabilidade por um eventual racha em 2010. O ministro sonha em disputar o governo do estado e não terá cerimônia em enfrentar a reeleição de Jaques Wagner. A vitória de João Henrique faz parte do projeto de Geddel. As ruas de Salvador viraram um canteiro de obras nos últimos meses, numa ação coordenada pelo ministro para fortalecer a candidatura de João Henrique, mal avaliado pela população até julho, segundo as pesquisas.
Mas um dos obstáculos ao projeto de Geddel é o próprio Lula. Não passa pela cabeça do presidente ter PMDB e PT separados daqui a dois anos. Por isso, o ministro culpa Wagner e o PT pelo racha. Assim, não assume o ônus de uma guerra declarada entre os dois partidos. Lula teme que uma divisão carregue Geddel para o colo da oposição, atrapalhando o fortalecimento de uma possível candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
“Faz-de-conta” Wagner foi o protagonista do comício de Pinheiro. O petista declarou que o PMDB da Bahia sempre fez oposição a Lula, e hoje se “curvou”, “bebendo da popularidade” do presidente. “Alguns hoje gostam de dizer que são Lula desde criancinha. Eu sou Lula desde criancinha”, disse.
O estopim para Wagner reagir dessa maneira foi a crítica que a campanha de João Henrique fez sobre o seu governo para enfraquecer Walter Pinheiro. O governador baiano ainda chamou o prefeito do PMDB de “mentiroso e covarde”. “Se o senhor tivesse o mínimo da gratidão deveria calar a boca sobre o governo estadual que conduzo. A covardia é própria daqueles que não têm capacidade para serem líderes. É fácil, prefeito, cuspir para baixo, como fazem os chefes covardes”, afirmou.
João Henrique preferiu não responder de imediato. Guardará a munição contra o PT para o debate hoje à noite na TV Globo, o último antes da votação de domingo. Ontem, o prefeito passou a tarde reunido com assessores discutindo a estratégia para o programa. Ele chegou a cancelar a presença em uma caminhada no subúrbio, enviando no lugar o pai, o senador João Durval.
A postura de Jaques Wagner surpreendeu até os petistas presentes ao comício. A avaliação interna é a de que a atitude do governador pode ajudar Pinheiro a diminuir a diferença de 10 pontos percentuais nas pesquisas em relação a João Henrique, mas o resultado teria sido bem melhor se ele tivesse agido desta maneira desde o fim do primeiro turno. “Ele demorou a fazer isso”, afirmou um petista graúdo da Bahia.