Demitido por justa causa por suspeitas de desvio de recursos, o ex-gerente da Petrobras Geovane de Morais estourou o orçamento de sua área em 2008, ano de eleições municipais, em quatro vezes. Ele gastou, sem licitação nem autorização formal, R$ 120 milhões a mais do que o previsto.
Conforme a Folha revelou, entre as empresas beneficiadas por Morais estão duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do governador Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas do PT.
As produtoras receberam R$ 4 milhões em 2008, sendo R$ 1,5 milhão para filmar festas de São João e Carnaval na Bahia.
Ligado à ala do PT baiano oriunda do sindicato dos petroleiros e químicos do Estado, Morais tinha um orçamento na comunicação do Abastecimento de R$ 31 milhões para o ano passado. Contudo, fez pagamentos de R$ 151 milhões.
A estatal reconheceu que uma das razões para a demissão, formalizada em abril, foram os gastos muito acima do orçamento. Além disso, a empresa informou que ele desrespeitou outras normas internas, como pagamentos sequenciais a uma mesma empresa, ao invés de celebrar um contrato.
Em outras palavras, no lugar de negociar um pacote com um mesmo fornecedor, o que permite reduzir custos, Morais fazia vários desembolsos picados, elevando os ganhos dos prestadores de serviços. Essa prática é muito usada para driblar licitações e favorecer empresas previamente escolhidas.
As duas produtoras ligadas ao PT, a Movimento Produções e a M&V Produções, estão nessa situação. A Folha obteve os contratos da Gerência de Comunicação do Abastecimento de 2008. Foram mais de 90 pagamentos às duas produtoras, com diferença de dias na maioria dos casos e referentes a serviços diretamente interligados. Há desembolsos distintos, por exemplo, para filmagem e sonorização do mesmo evento.
Os dados demonstram que os valores destinados às duas explodiram depois que Morais assumiu o cargo, no final de 2004. Naquele ano, somente a Movimento foi contratada, por R$ 163 mil. No ano seguinte, as duas embolsaram R$ 291 mil. Em 2006, ano em que Jaques Wagner se elegeu, foi R$ 1,074 milhão, passando para R$ 1,87 milhão em 2007. Em 2008, chegou aos R$ 4 milhões.
Vagner Angelim, dono das produtoras, nega favorecimento. Ele trabalhou na vitoriosa campanha de Wagner ao governo da Bahia, em 2006.
A concorrência para escolha das 4 agências que terão a conta do governo Jaques Wagner na Bahia - um butim de uns R$ 150 milhões - virou uma brigalhada entre as agências Maianga e Ideia 3.
No meio da briga, denúncias de extorsão e favorecimento político.
•
Presidente de Câmara proíbe apelidos
Sexta-feira, 19/06/2009 - 18:07
Do colunista Cláudio Humberto:
O presidente da Câmara Municipal de Conceição do Coité, interior da Bahia, Edevaldo Santiago Ramos (PP), determinou que não aceita documentos com os nomes políticos (apelidos) adotados pelos vereadores nos documentos do legislativo.
A medida do chefe do legislativo foi entendida pelo vereador Betão do PT como uma retaliação, pois é uma prática constante entre os vereadores serem chamados por apelidos.
Vai ficar difícil cumprir a determinação já que a Câmara é composta por Edevaldo Santiago Ramos ( Dé), Orlando Ramos (Orlando de Deda), Raimundo Ferreira, José Jailmo ( Nego Jai), José Anaedson (Nai), Adalberto Gordiano ( Betão), Danilo Ramos, Edivaldo Evangelista (Edivaldo do Sindicato), Elizane Cana Brasil e Samuel Araújo.
Ato secreto deu cargo no Senado a sobrinha de Sarney
Sábado, 13/06/2009 - 08:18
De Rosa Costa, Rodrigo Rangel e Leandro Colon, no Estado de S. Paulo:
Os boletins secretos que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirma desconhecer foram utilizados em maio de 2003 para nomear sua sobrinha Vera Portela Macieira Borges para um cargo na Casa. Apesar de morar em Campo Grande (MS), a 1.079 quilômetros de Brasília, ela foi contratada para exercer o cargo de confiança de assistente parlamentar, com salário de R$ 4,6 mil, originalmente na presidência do Senado. Sarney exercia, na ocasião, seu segundo mandato como presidente da Casa. Vera está na folha de pagamento do Senado até hoje.
Assinada pelo então diretor-geral Agaciel Maia, a primeira nomeação de Vera foi publicada, às claras, no dia 24 de março de 2003, mas ela não tomou posse. Um mês e meio depois, porém, Agaciel assinou duas outras medidas, mas com caráter de sigilo. Uma delas, só agora divulgada, tratava da nomeação da sobrinha do presidente do Senado.
Procurada ontem, a assessoria de Sarney confirmou o parentesco, a nomeação e informou que, na verdade, Vera dá expediente no escritório político do senador Delcídio Amaral (PT-MS), em Campo Grande. De acordo com os assessores de Sarney, ela é funcionária de carreira do Ministério da Agricultura e está "cedida" ao Senado, lotada na assessoria do parlamentar petista. No entanto, o Estado telefonou ontem para o escritório de Delcídio em Campo Grande e, lá, funcionários disseram - em entrevista gravada - não conhecer nenhuma Vera Macieira.
O presidente Lula está a um passo de pedir aos petistas Jaques Wagner, na Bahia, e Fernando Pimentel, em Minas Gerais, para desistirem de suas candidaturas ao governo e apoiar os candidatos do PMDB.