A pergunta que todos estão fazendo é sobre o que acontecerá com o Carnaval de Salvador, caso a greve da Polícia Militar se estenda. Ontem, em entrevista à Band, o governador Jaques Wagner garantiu a segurança na festa, apesar de a luz amarela já ter sido acessa com a proximidade do evento. Ele disse ainda que a negociação é entendida pelo governo como principal saída para o desfecho positivo da manifestação.
Já o presidente da Saltur, Cláudio Tinoco, que organiza a folia do Momo, aproveitou para dizer que “até o momento” está mantida a programação do Carnaval. “Estamos trabalhando normalmente diante, inclusive, das declarações do governador Wagner e do comandante da PM. Estamos mantendo a execução do planejamento, a programação oficial foi divulgada ontem no portal do Carnaval e todas estruturas para a festa estão sendo montadas dentro do cronograma”.(Raio Laser)
As forças que se organizam para disputar a Prefeitura de Salvador tentam calcular o impacto político-eleitoral da onda de violência causada pela greve da PM.
De imediato, aliados e adversários apostam que o governador Jaques Wagner (PT), na berlinda, tentará reforçar a posição de seu candidato, Nelson Pelegrino (PT), negociando o apoio de partidos da base estadual. Porém alguns deles, como PP e PC do B, têm nomes lançados e resistem à ideia de retirá-los do páreo.
Pelegrino aparece em segundo lugar nas pesquisas, atrás de ACM Neto (DEM), que ainda não anunciou, mas, segundo entendimento geral, é candidatíssimo. (Folha)
Os sites do Governo do Estado foram invadidos por hackers do grupo Anonymous Brasil, nesta segunda-feira (6), e estão fora do ar desde o início da manhã. O grupo, que assumiu a autoria do ataque por meio de um perfil no Twitter, deixou uma mensagem em solidariedade à greve da Polícia Militar da Bahia, que teve início no último dia 31. "Em solidariedade ao trabalhador Baiano!", diz a mensagem.
Por consequência, segundo a Secretaria Municipal de Comunicação (Secom), os sites do governo municipal também não são possíveis de serem acessados, já que estão hospedados no mesmo servidor.
Na semana passada, o grupo Anonymous atacou sites de diferentes bancos e instituições financeiras. No perfil @AnonBRNews, eles anunciaram a queda dos sites do Citibank Brasil, Panamericano BMG, Federação Brasileira de Bancos (Febraban), entre outros. O acesso ao internet banking dos bancos Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC e outros, também ficou instável.(A Tarde)
População argumenta que salário de policiais, de R$ 2.400, é equivalente a de médico iniciante; comerciantes temem Carnaval esvaziado
Grupos de policiais militares que saíram no início da tarde desta segunda-feira, 6, em carreata por cidades do litoral sul baiano puderam constatar que o movimento grevista não tem apoio algum da população. E a indignação não é só pelo caos causado em uma região turística, às vésperas do Carnaval.
O piso salarial da PM na Bahia chega a R$ 2.400 mensais, mais que o dobro do salário médio da região, o que tem gerado revolta contra a greve em todos os setores da sociedade, do empresário do ramo hoteleiro ao feirante.
O salário dos policiais é citado em qualquer conversa de padaria em cidades como Itabuna, Nova Ibiá, Itamarí, Teolândia, Wenceslau Guimarães e Gandu. Era visível a vontade que feirantes tinham de vaiar ontem a carreata de PMs que passou em frente à Centrais de Abastecimento de Ilhéus.
No interior e em municípios pobres do sul baiano, onde 2.200 PMs estão parados, a renda média mensal da população não passa de R$ 910 mensais, segundo dados do Censo 2011 do IBGE. O vencimento de um policial baiano é quase igual ao piso de R$ 2.600 pago aos professores da rede municipal paulistana de ensino. Nos postos de saúde da rede estadual da Bahia, o vencimento de um médico plantonista em início de carreira é inferior ao salários dos policiais – são R$ 2.500 mensais por 40 horas por semana.
Até uma tímida vaia chegou a ser ensaiada por vendedores de coco contra os PMs que passaram no entreposto de Ilhéus para pedir apoio à paralisação. “Policial ganha melhor do que qualquer comerciante aqui em Ilhéus. Todos eles têm carro zero, casa, salário bom, trabalham 12 horas e descansam 36. E ainda fazem greve perto do Carnaval, quando todo mundo precisa fazer dinheiro para garantir o ano”, reclamava Francisco Antonio Teixeira, de 57 anos, dono de uma barraca de coco.
Cientes do clima hostil, os policiais nem chegaram a descer das motos para conversar com os feirantes, como estava previsto inicialmente. Pelo centro de Ilhéus também houve xingamentos. “Tem hóspede do Brasil inteiro me perguntando sobre reembolso de reservas. Isso vai quebrar a economia da cidade. Uma categoria que já foi tão valorizada nos últimos anos, que tem uma condição bem melhor que a maioria das famílias da cidade, não poderia fazer isso”, disparou Elton Pacheco de Souza, de 61 anos, dono de três hotéis em Ilhéus e em Porto Seguro. (...) (Estadão)
O governador Jaques Wagner (PT) declarou à imprensa que os métodos usados por uma parte dos grevistas da Polícia Militar da Bahia, liderada pelo ex-soldado Marco Prisco, são "coisa de bandido".
Qual é a moral que tem o governador Jaques Wagner para chamar seu ex-companheiro de luta Marco Prisco de bandido? Ao chamá-lo de bandido, Wagner está se igualando a ele, pois em 2001 juntou-se a Prisco naquela aventura que implantou o terror em todo o Estado durante o governo César Borges (PFL).
Na época, Prisco lutava por melhorias salariais para a PM enquanto o atual governador e seus companheiros do PT estavam de olho na campanha eleitoral, cobiçando o comando do governo estadual.
Do ponto de vista da estratégia de luta, Prisco até que poderia alegar legitimidade por comandar a greve. Mas e o governador Jaques Wagner e seus companheros do PT, que deram apoio financeiro e logístico para aquela onda de violência, saques e arrastões apenas por interesse político?
Na busca pelo poder, o PT bancou a onda de pânico e terrorismo que pôs a Bahia de joelhos em 2001.
Além de Wagner, Prisco deu o nome dos principais apoiadores do movimento: Nelson Pellegrino (PT), Moema Gramacho (PT), Lídice da Mata (PSB), Alice Portugal (PCdoB), Daniel Almeida (PCdoB) e Eliel Santana (PSC).
O então presidenciável Luiz Inácio Lula da Silva também se intrometeu no episódio e declarou apoio à greve. Chegou a atribuir ao então governador César Borges a violência, saques e arrastões que assolavam a Bahia.
O líder da greve de 2001 foi muito claro e disse que o Sindicato dos Químicos e Petroleiros da Bahia -- dominado pelo PT -- alugou e cedeu, na época, seis carros para garantir o movimento que espalhou o terror na Bahia.
Declarou que o PT chegou, inclusive, a garantir sua fuga da Bahia, onde estava ameaçado de prisão pelo então governador carlista Cesar Borges. "O motorista que me levou para Brasília era um funcionário do sindicato, Nelson Souto", disse.
Mais tarde, durante a campanha eleitoral, Prisco e Wagner estavam no mesmo palanque. O atual governador chegou a apresentar o contracheque do ex-soldado como exemplo de como os PMs ganhavam mal.
Na ocasião, o PT prometeu mundos e fundos aos PMs e aos líderes do movimento caso viesse a ocupar o governo do Estado, como veio a acontecer.
Depois que venceram as eleições, Wagner e o PT esqueceram as promessas e terminaram por acender de novo o estopim da luta por melhorias salariais, que explodiu agora com o movimento em curso.
A greve deste ano repete a mesma estratégia de 2001. O terror tomou conta de Salvador e do interior do Estado com a mesma tecnologia bancada pelo PT há quase 11 anos atrás.
A Polícia Militar perdeu o comando da segurança pública na Bahia com a chegada do Exército e da Força de Segurança. Quem admitiu foi o coronel Humberto Sturaro, diretor de Comunicação da PM, em entrevista à Rádio Tudo FM.
“Hoje, o comando da segurança em nosso estado não pertence mais a nós e nem à Secretaria de Segurança Pública, mas ao Exército brasileiro. Estou preocupado porque a situação não está mais sob o nosso comando e isso o policial militar tem que entender”, lamentou.
O coronel teme as repercussões negativas que o movimento grevista pode gerar entre a população e teceu duras críticas aos policiais que lideraram ações que causaram pânico nos soteropolitanos.
O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), disse que os métodos usados por uma parte dos grevistas da Polícia Militar do Estado são "coisa de bandido", e acrescentou que não vai ter negociação e anistia a esses policiais. A informação foi dada à Folha de São Paulo.
Wagner apontou o envolvimento de policiais em tomadas de ônibus para bloquear vias e a alguns do assassinatos nos últimos dias. Desde o início da greve, na noite de terça-feira (31), 93 homicídios foram registrados na região metropolitana.
O governador afirmou que a greve na Bahia está sendo orquestrada nacionalmente para pressionar a aprovação da PEC-300, a proposta de emenda constitucional que cria um piso nacional para os policiais.
“Os baianos não merecem isso”. Essas são as palavras da produtora de cinema Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, sobre o estado de “abandono” em que se encontra Salvador. “Sou uma baiana convertida, vou a Salvador há 30 anos e meu filho nasceu aí, por isso preciso dizer que a situação da cidade é muito triste, de doer no coração”, disse, ontem, Paula, que foi assaltada no Pelourinho. Entre os pontos criticados por ela, estão os buracos nas ruas, o descaso com o Aeroclube, os índices de dengue e, sobretudo, a violência.
Vítima de um assaltante no Pelourinho na terça-feira passada enquanto caminhava acompanhada do próprio Caetano, do rapper Criolo, da cantora Mariana Aydar e de outros amigos, Paula se diz apavorada com a banalização violência no Centro Histórico. O ladrão levou dela uma corrente descrita como “fina e sem muito valor”, mas ainda deixou-lhe marcas no pescoço. Na ocasião, Caetano Veloso mostrava o Pelourinho para o rapper Criolo e, segundo Paula Lavigne, o incidente deixou o compositor baiano envergonhado.
Há duas semanas, durante uma apresenta gratuita do Olodum no Pelourinho, espectadores e turistas também foram vítimas de ataques de ladrões que roubaram carteiras e celulares. A PM interferiu com violência. A cozinheira Almerinda Santos Neves e perdeu a visão do olho esquerdo ao ser agredida por um policial. A PM instaurou inquérito.
Ao procurar a delegacia do Pelourinho para registrar a ocorrência policial, a produtora e ex-mulher do compositor baiano ainda teve que sofrer com o descaso policial.
“O ladrão me roubou uma corrente, e quando fui fazer o boletim de ocorrência na polícia, o agente só faltou rir de mim, dizendo: isso é normal, acontece sempre por aqui”, protestou Paula. A ex-mulher de Caetano também criticou a violência no Parque Metropolitano de Pituaçu, onde costumava pedalar. “É lamentável um parque tão bonito, com uma reserva de Mata Atlântica maravilhosa estar sem policiamento. Ouvi dizer que estão enfiando a faca por cinco reais no caminho para os ciclistas”.(A Tarde)
"Vândalos, terroristas, baderneiros". Usando esses adjetivos para qualificar os grevistas da PM, será difícil os representantes do governo chegar em a um entendimento com os policiais militares que, no fim das contas, não passam de trabalhadores lutando por melhores salários coisa, inclusive, que vem fazendo desde o primeiro ano do governo Jaques Wagner. O problema é que são grevistas armados. A ação dos militares é igual à da greve de 2001, que teve apoio político e logístico do PT e PCdoB, legendas que hoje condenam os antigos ou agora ex-companheiros.
O líder da greve, Marcos Prisco que continua na condição de ex-PM porque o governo não quis reintegrá-lo à tropa, apesar de ter obtido esse direito na Justiça (além da anistia concedida pelo ex-presidente Lula aos policiais militares, agentes de presídios e bombeiros expulsos por perseguição política nas greves realizadas nos últimos anos em vários estados) foi um dos antigos companheiros dos integrantes do governo que fizeram campanha para eleger Jaques Wagner em 2006. Ele era um dos militantes que o governador costumava dizer que tinha “comido sal e tomado poeira” ao longo das jornadas das oposições na Bahia.(Tempo Presente)
Final da manhã de sábado, Palácio de Ondina, sede do governo da Bahia. Reunidos o governador Jaques Wagner, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o comandante militar do Nordeste, general Odilson Benzi, o comandante da 6ª Região Militar, general Gonçalves Dias, e o secretário de segurança do Estado, Mauricio Barbosa.
Segundo Bob Fernandes, do Terra Magazine, um assessor se aproxima do governador e informa: “É da parte do prefeito João Henrique no telefone… O prefeito quer vir para o Palácio e participar da reunião”. O governador diz para o assessor: “Fala para o prefeito que não é necessário… Se eu precisar dele eu chamo”.
Cresce a expectativa em torno da possibilidade de João Henrique retirar da Justiça a prestação de contas referentes ao exercício 2009 de sua gestão, que também foram rejeitadas pelo TCM. O problema para o êxito na Câmara, segundo um parlamentar da base do prefeito, é mesmo o PMDB. “Rapaz, se o PMDB ficar mesmo contra o prefeito, o negócio não vai andar. Mas soube que ele já está tentando resolver a questão com os peemedebistas”, afirmou a fonte em tom de mistério.
Existe esperança para João Henrique. E ela vem do bloco oposicionista, mais especificamente do PT. Como a coluna já noticiou, a fonte voltou a dizer que já está prestes a ser colocada em prática a tentativa de conseguir os votos favoráveis às contas do Executivo dos mesmos petistas que votaram com o prefeito na aprovação da Lei de Ordenamento de Uso do Solo (Lous), Moisés Rocha, Henrique Carballal, Alcindo da Anunciação e Giovanni Barreto.
“Dos quatro será mais difícil, mas o pessoal (vereadores da situação) acredita que pelo menos Alcindo e Carballal não darão dor de cabeça”, afirmou a fonte. (Raio Laser)
O ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte, participará da posse do seu sucessor, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), hoje, às 17h, no Palácio do Planalto. A expectativa é que o progressista transmita o cargo para o aliado amanhã, quando reassumirá também seu mandato de deputado na Câmara Federal.
Na semana passada, logo após ter deixado a pasta das Cidades, Negromonte havia atribuído sua demissão à divisão do partido. Ele disse ainda sentir “alívio” por não estar mais como ministro.
“O maior problema foi que, além do fogo inimigo, houve o fogo amigo contra mim”, disse o progressista, que garantiu ao G1 estar mais satisfeito agora do que quando foi nomeado, no início do ano passado, ressalvando, é claro, ter sido “uma honra” cumprir a “missão” à frente da pasta.
Apesar de algumas escolas particulares adiarem o retorno das aulas por conta da situação da greve de uma parcela da Polícia Militar, cerca de um milhão de estudantes e mais de 40 mil professores da rede estadual de ensino voltarão às aulas nesta segunda-feira. Para abertura do ano letivo, a Secretaria da Educação do Estado da Bahia realiza uma vasta programação a partir das 8 horas, no auditório da Escola Parque, no Bairro da Caixa D’Água.
A programação, que também homenageia o centenário de nascimento do escritor Jorge Amado, inclui performances e exposições artísticas dos estudantes, ressaltando distintas experiências culturais e científicas evidenciadas nos contextos escolares. Estão confirmadas as presença do governador Jaques Wagner, e do secretário da Educação do Estado, Osvaldo Barreto.
Na rede municipal de ensino, as aulas para cerca de 140 mil alunos de 426 escolas estão marcadas para começar nesta terça-feira (7). A assessoria da Secretaria Municipal da Educação informou que a princípio não houve nenhuma alteração no calendário.
No sábado (4), o secretário estadual de Segurança Publica, Mauricio Teles Barbosa, garantiu que o retorno escolar ocorrerá normalmente com a presença de homens do Exercito e de policiais militares.
Já parte das escolas particulares da Bahia, seguindo orientação do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinepe-BA), que emitiu comunicado para que as escolas particulares só voltem às aulas após o fim da greve, atendeu a solicitação. O colégio Salesiano Dom Bosco na Paralela suspendeu o início das aulas, que aconteceria nesta segunda-feira, até quando durar a greve da Polícia Militar. O grupo educacional que reúne os colégios São Paulo, Anchieta e Anchietinha também suspendeu as atividades por conta da paralisação de parte da PM baiana.
Preocupada com a segurança da sua comunidade acadêmica diante dos recentes acontecimentos ocorridos na Bahia, a Unime também resolveu suspender o retorno das atividades hoje nas unidades Salvador, Lauro de Freitas e Itabuna. O início das aulas vai acontecer nesta terça-feira (7). Ainda de acordo com a assessoria da instituição, os alunos devem acessar o site da instituição para obter maiores informações quanto ao funcionamento nos próximos dias.(Tribuna)
Os seguidores do Candomblé cobrem Yemanjá de cravos e rosas, os atabaques anunciam o orixá do mar, as contas em azul e branco escorrem nos tabuleiros. Na praia do Rio Vermelho, os barcos vão ao alto-mar, pejados de flores. "Chegou, chegou, chegou/ Afinal que o dia dela chegou". A canção de Caymmi governa o Dois de Fevereiro. O som de uma das barracas a confronta: "Minha vó tá maluca/ Tanta coisa pra comprar, ela compra uma peruca".
Os milhares de devotos, místicos e transbaianos ignoram a greve parcial da Polícia Militar. Mas os pequenos furtos, as enfiadas de mão nos bolsos e uma certa agressividade, alimentadas pela presença recolhida de policiais, anunciavam qualquer coisa. Na Avenida Paralela acontecera qualquer coisa, não ali. Houve qualquer coisa na Avenida Sete. E um arrastão, qualquer coisa assim, no Imbuí. As mensagens são disparadas pelos celulares, durante almoços festivos: "Merda geral na cidade", "Tiroteio na Paralela", "Fique aí, tem arrastão".
Os boatos abafam Caymmi e limpam a noite do Dois de Fevereiro, por tradição fervilhante no Mercado do Peixe. Policiais encapuzados paralisam os ônibus. O pânico em Feira de Santana. O governador está em Cuba. O prefeito de Salvador prefere o Rio de Janeiro, onde seria surpreendido num cooper, em Copacabana, pela cantora Mariella Santiago.
A cidade vazia se impõe. Dezoito homicídios na região metropolitana. Dois dias depois, na Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, a própria Casa de Yemanjá seria arrombada por ladrões - os quais, num refluxo, levaram as moedas ofertadas à Mãe d'Água. Do Centro à periferia, a madrugada cairia em saques, homicídios e assaltos, apesar da convocação da Força Nacional.
A "grande noite de paz da Bahia", evocada por Jorge Amado em Capitães da Areia, aos poucos seria apenas vazia. Bem antes da greve, um passeio noturno por Salvador poderia demonstrar a morte das ruas, pois há uma década a cidade de cultura popular e de boemia ancestral se converteu num reduto do medo.
"Essa porra hoje vai inchar", diz o motorista de táxi, enquanto observa as praias vazias e os primeiros grupos de soldados do Exército. Por hábito engarrafada, Salvador tem um fluxo menor de carros. À tarde, no bairro litorâneo da Barra, um dono de banca de revista, assustado por boatos, começa a guardar seus magazines. "O arrastão está na Graça, descendo para aqui. Vamos fechar". Na Avenida Sete, de comércio popular, os lojistas iniciam a cerimônia de encerramento.
Nas televisões, o jornalismo de sensação e de histeria - a linguagem também se rebaixa em comentários cafajestes. A palavra: "bandidagem". Volta a noite. Em pronunciamento, após regressar de Cuba, o governador Jaques Wagner fala em "momentos de intranquilidade" e garante: "agi imediatamente e com rigor".
O terror recolhe os baianos, apesar das tranquilidades do Estado. No Solar do Unhão, o show de Karina Burh está cancelado. Outros espetáculos tomam rumo igual, da Timbalada a Ivete Sangalo. O Pelourinho em silêncio. Mesmo os tradicionais puteiros seguem fechados. No Santo Antonio Além do Carmo, os bares são salvos pela frequência marciana de turistas.
Do início da greve, em 31 de janeiro, até a madrugada deste sábado (4), a Bahia registrou 53 homicídios. Uma guerra cotidiana, não apenas episódica, realçada pela greve de 30% da PM (estimativa oficial). Na laje de um bar do Santo Antônio, em cima da encosta que rasga a topografia de Salvador, vê-se, outra vez, "a grande noite de paz". E a cidade vazia. Poucos carros deslizam nas avenidas da Cidade Baixa. O porto permanece reluzente, com navios ancorados na larga barra. A Igreja do Bonfim está apagada. O verão do medo, somado à noite de paz, ganharia mais doze mortos até o amanhecer. (Terra Magazine)
Os feitos da violência na Bahia mostraram, em sua gratuidade na rua e irresponsabilidade no palácio, o mesmo espírito carnavalesco que, como sempre, há semanas invadiu Salvador por antecipação.
A quebra dos limites que levou aos saques e destruição de lojas, a outros roubos e violências, e mesmo a tantos crimes de morte, não foi causada diretamente pela greve da Polícia Militar. Veio da espontaneidade que tem o motivo único e simples de estar liberado. Para vestir o que quiser ou desvestir-se, cantar e dançar nas ruas, assaltar, encher-se de bebida ou de tóxicos, roubar e saquear, agarrarem-se uns aos outros, soltar-se para o sexo ou para o crime: o carnaval autêntico e o carnaval da violência permitidos pela mesma ausência de impedimentos.
A cota mais pesada de responsabilidade pelos distúrbios criminosos na Bahia cabe ao governador Jaques Wagner, o mais prestigiado por Dilma Rousseff. Não é imaginável que a greve da sua polícia o surpreendesse. Ainda que o fizesse, já no começo da semana estava concretizada e, portanto, evidente.
Logo se comprovava que o governador não adotou medidas preventivas. Não cuidou de sustar a eclosão da greve, não preparou o deslocamento de contingentes policiais discordantes do plano de greve, não se articulou com os comandos militares para eventualidades previsíveis, e não se coordenou com o governo federal para o auxílio da Força Nacional. Se fez alguma outra coisa útil, e de seu dever, não se sabe.
Diante disso, nem importa saber onde estava e o que fazia o governador enquanto a sua PM cuidava de deixar a capital do Estado desprovida de policiamento, como também outras áreas. A seu favor (se é), só o fato de que não esteve sozinho na omissão. Os secretários de Segurança e de Justiça, o comando da PM e várias assessorias o acompanharam na ausência de ação. Os fatos o atestam.
Efetivada a greve e iniciadas suas consequências sobre a população, o governo baiano tardou ainda dois dias, ou algumas horas menos, para adotar providências perceptíveis. Só na quinta-feira foi possível perceber algumas delas, sobretudo a pedida presença de militares nas ruas.
Greves de serviços públicos essenciais, em especial os chamados de saúde (a rigor, falta de) e os de segurança da população, sempre serão polêmicas. Não precisam, porém, ficar nesse limbo em que permanecem no Brasil. Entre direito, abuso, consequências públicas e particulares desrespeitadas pelo poder público, e outras muitas obscuridades artificiosas. Mas convenientes aos governantes e aos parlamentares, que assim escapam aos ônus eleitorais, em qualquer sentido, da posição definida.
Quando escrevo, as indicações do número de mortos continuavam contraditórias. Mais de 20, por certo. Em circunstâncias também mal definidas. Teriam ocorrido, todas, fossem diferentes a greve e o que se passou à sua volta no governo? Ora, isso não importa aos poderes públicos que têm mais o que fazer. E de preferência o que não fazer. (Folha de S.Paulo)
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apoiou a greve dos policiais militares na Bahia, ocorrida no governo César Borges (PFL), em 2001, que teve apoio financeiro e logístico do PT, inclusive do governador Jaques Wagner, na época deputado federal.
Durante a Caravana da Agricultura Familiar, realizada em Santa Maria (RS), em julho de 2001, o então presidenciável petista acusou o governador César Borges de ter provocado a violência, saques e arrastões durante a greve da PM para, segundo ele, enfraquecer o movimento.
Lula acusou o governador César Borges de ter provocado a violência, saques e arrastões
Matéria do repórter Léo Gerchmann, da Agência Folha em Santa Maria, onde Lula estava participando da Caravana da Agricultura Familiar, revela que o então presidenciável petista também defendeu o direito de policiais fazerem paralisações.
"Acho que, no caso da Bahia, o próprio governo articulou os chamados arrastões para criar pânico na sociedade. O que o governo tentou vender? A impressão que passava era a de que, se não houvesse policial na rua, todo baiano era bandido. Não é verdade. Os arrastões na Bahia me lembraram os que ocorreram no Rio em 92, quando a Benedita [da Silva, petista e atual vice-governadora do Rio] foi para o segundo turno [nas eleições para a prefeitura]. Você percebeu que, na época, terminaram as eleições e, com isso, acabaram os arrastões?"
"A PM pode fazer greve. Minha tese é que todas as categorias de trabalhadores que são consideradas atividades essenciais só podem ser proibidas de fazer greve se tiverem também salário essencial. Se considero a atividade essencial, mas pago salário mixo, esse cidadão tem direito a fazer greve. Na Suécia, até o Exército pode fazer greve fora da época de guerra", disse.