Aécio deve ser o único investigado na Lava Jato a ficar fora da eleição

Aécio Neves (Valter Campanato/Agência Brasil)

De quase presidente da República a réu praticamente fora da disputa eleitoral. Em quatro anos, Aécio Neves (PSDB-MG) foi do céu ao inferno bafejado por denúncias de corrupção. A três meses das eleições, ele corre o risco de ser o único senador investigado na Operação Lava Jato a não disputar um mandato. Os outros 20 parlamentares que respondem a inquérito ou ação penal abertos com base nas delações da megaoperação estão em plena pré-campanha eleitoral e, salvo algum infortúnio, terão suas fotos exibidas na urna eletrônica em outubro.

Como mostrou o site do Congresso em Foco, a tendência é que Aécio fique fora de qualquer disputa em 2018 para não prejudicar a candidatura do senador Antonio Anastasia (PSDB) ao governo estadual. Ontem, este site voltou a confirmar a informação com pessoas próximas ao tucano. Caso mude de ideia, seu caminho deve ser a Câmara.

Entre os demais senadores investigados, 15 vão tentar renovar o mandato de oito anos no Senado. É o caso de integrantes das cúpulas do MDB – como o presidente da Casa, Eunício Oliveira (CE), e dos senadores Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL) e Romero Jucá (RR) –, do PT, como Humberto Costa (PE) e Lindbergh Farias (RJ), e do PP, como Benedito de Lira (AL) e Ciro Nogueira (PI).

Também pretendem disputar a reeleição dois senadores cujos inquéritos inicialmente foram relacionados à Lava Jato, mas acabaram retirados da alça da operação pelo relator, ministro Edson Fachin: Jorge Viana (PT-AC) e Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM). Lídice da Mata (PSB-BA), que também foi afastada da Lava Jato por Fachin, é pré-candidata a deputada federal.

De todo o grupo, o único que almeja o governo de seu estado é Ivo Cassol (PP-RO), que tenta voltar para o seu terceiro mandato. Condenado a quatro anos e oito meses de prisão em 2013 pelo Supremo Tribunal Federal, por crimes contra a Lei de Licitações, ele conseguiu este ano reduzir sua pena para quatro anos. Na prática, escapou da prisão e teve sua pena reduzida à prestação de serviços e ao pagamento de multa.

Cassol responde a dois inquéritos originados da Lava Jato (3614 e 4411) por suspeita de ter recebido propina em troca de favorecimento na construção das obras das usinas hidrelétricas do Rio Madeira.

Além de Aécio, outros três parlamentares emparedados pela Lava Jato não vão concorrer à reeleição: Gleisi Hoffmann (PT-PR), José Agripino (DEM-RN) e Dalirio Beber (PSDB-SC). O trio tem pretensões mais modestas. Seja pelo desgaste provocado pelas denúncias, seja pela incapacidade de reunir votos suficientes para permanecer no Senado. Gleisi e Agripino são pré-candidatos a deputado federal. Suplente efetivado no mandato desde a morte do ex-senador Luiz Henrique da Silveira (MDB-SC), Dalirio deve disputar uma vaga na Assembleia Legislativa.

Fonte: Congresso em Foco/Fábio Góis. Clique e leia mais.

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