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Museu realiza mostras alertando para mortes do povo negro

Lençol manchado sobre base retangular que evoca uma pedra de necrotério; coroa de flores; fileiras de cruzes sobrepostas em covas rasas; nomes dispostos como num gaveteiro de cemitério. A sequência integrada por instalação, mural, arte com grafite, imagens e audiovisual compõe a exposição “O Mafro pela vida contra o genocídio da juventude negra”, aberta à visitação pública, no Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia até o dia 31 de julho.

Museu Afro-Brasileiro da Universidade Federal da Bahia(Foto/Divulgação)

A exposição integra a retrospectiva “Trajetória de Inclusão e Resistência no Mafro/UFBA (2012-2018)”, que também apresenta a mostra “Exu: Outras Faces” e foram remontadas para destacar a ação do museu em consonância com as temáticas do eixo 19 – Vidas Negras Importam – do Fórum Social Mundial, realizado no último mês de março em Salvador.

Ao apresentar releituras dessas mostras, que tiveram altos índice de procura pelo público, o Mafro “reafirma seu papel de museu social e espaço de memória e inclusão, pois trata das ações de denúncia, realizadas nos últimos anos, articulado com os movimentos negros e a comunidade em geral”, afirma Graça Teixeira, coordenadora do museu.

“Há uma necessidade de promover reflexões a respeito das violências que atingem os corpos negros. E, além das exposições, o Mafro também promove um conjunto de atividades a fim de suscitar debates sobre o tema, junto à comunidade e com representantes da luta em favor do povo negro”, explica a coordenadora. Entre esses eventos estão a roda de conversa “A Violência em Corpos Negros”, que acontece no dia 9 de maio, com a presença da cineasta Camila Moraes, responsável pelo documentário “O caso do homem errado”.

Nessa trajetória, “o Mafro tem se projetado como um dos principais portais das ações afirmativas da Universidade Federal da Bahia”, diz Graça Teixeira. No período entre 2012 a 2018, o museu realizou 19 exposições focadas na memória, inclusão e resistência do povo negro e várias ações de combate e avanços, através das políticas públicas afirmativas. Entre as atividades de maior repercussão estão as exposições “O Mafro pela vida contra o genocídio da juventude negra” e “Exu: Outras Faces” que tiveram grande visitação.

O Museu Afro-Brasileiro foi concebido na Universidade num projeto que teve início no ano de 1974, com o objetivo de atender à demanda dos intelectuais do Centro de Estudos Afro-Orientais (Ceao/UFBA) por um equipamento museológico e pedagógico. No dia 7 de janeiro de 1982, o museu foi instalado mediante um acordo entre os Ministérios das Relações Exteriores e da Educação e Cultura do Brasil, o Governo da Bahia, a Prefeitura Municipal de Salvador e a Universidade Federal da Bahia, sob a direção da professora Yeda Pessoa de Castro, que também estava à frente do Ceao.

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