Câmara Municipal de Salvador celebra Dia da Consciência Negra

A exposição do quadro “Zumbi dos Palmares”, da artista plástica França, foi aberta na Câmara de Salvador.

A Câmara Municipal de Salvador celebrou o Dia da Consciência Negra com um ato dos vereadores no Salão Nobre nesta segunda-feira (20), às 14 horas. Na ocasião, o presidente da Casa, Leo Prates, e o da Comissão de Reparação, Moisés Rocha, acompanhados de outros colegas, fizeram pronunciamentos sobre a questão racial, abrindo a exposição do quadro “Zumbi dos Palmares”, da artista plástica França. Integrante do acervo da instituição, a obra que retrata o líder negro venceu um concurso realizado pela Câmara em 1987 e ficará em exibição no local durante o mês de novembro.

Para o presidente Leo Prates, embora não seja feriado em Salvador, como em outras capitais brasileiras, o Dia da Consciência Negra é muito importante para a cidade, que tem 80% de sua população composta por afrodescendentes.

“Esta é uma data que simboliza a luta de todos nós contra as injustiças e as desigualdades que herdamos do execrável sistema escravocrata”, afirma Prates. Segundo ele, faz-se necessário agora corrigir esse erro histórico da escravidão com políticas públicas que reparem as injustiças e as desigualdades. “Nesta legislatura, estamos dando um exemplo disso com a realização no ano que vem de um concurso público com 30% de cota para negros”.

Ao tratar da questão racial, o presidente da Comissão de Reparação, vereador Moisés Rocha, lembra da militante negra Eli Odara Theodoro. “Ela dizia que, se o muro que nos impede de avançar, de ascender em nosso país é o racismo, nós temos que derrubá-lo com a nossa consciência negra”. Na opinião dele, esse pensamento da ativista explicita bem o que significa a data de 20 de novembro. “Lutamos por um país onde o negro não esteja acima, mas todos estejam em patamar de igualdade”, afirma, ressaltando que a experiência do Quilombo de Palmares, sob a liderança de Zumbi, foi uma referência de uma sociedade igualitária.

Ao comparar o 13 de maio, da Princesa Isabel, com o 20 de novembro, de Zumbi de Palmares, Moisés observa que a data da Libertação dos Escravos, embora tenha importância jurídica, no aspecto social foi um fiasco. “Diferentemente do fim da escravidão nos Estados Unidos, onde os libertos tiveram direito a um pedaço de terra, mula e sementes para plantar, no Brasil, os negros livres foram jogados à própria sorte, sem eira nem beira”.

A programação de atividades da Câmara sobre a questão racial vai além do Dia da Consciência Negra. Já no dia 22, haverá a audiência pública sobre o Estatuto da Igualdade Racial, às nove horas, no auditório do Centro de Cultura. A mesa redonda “Negros, museus e representatividade, onde está a sua cultura” será realizada no dia 23, a partir das nove horas, no Memorial. Neste mesmo dia (23), às 14 horas, haverá a sessão especial “Combate à marginalização do negro na sociedade soteropolitana”.

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