Cada rua de Salvador é um rallye de regularidade, por Jolivaldo Freitas

Jolivaldo Freitas

Está cada vez mais necessário que as pessoas da área de trânsito da velha cidade do São Salvador da Bahia de Todos os Santos comecem a pensar de forma mais ampla, com amplitude de ações inteligentes, para que não se fique apenas naquilo que o povo convencionou chamar de “caça-níquel” ou “fábrica de multas”. Vejo, ouço e leio sobre grandes iniciativas que vêm dando certa há dezenas de anos em cidade como Tóquio, Los Angeles e Buenos Aires e não percebo nada sequer parecido ser tentado por aqui.

Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista.
Jolivaldo Freitas é escritor e jornalista.

Eu costumo colocar a culpa de tudo que acontece com o trânsito na cidade nos ombros do meu amigo Machola, que tem a carga de trabalhar na Transalvador . Como para mim o órgão é uma espécie de espectro, sem rosto e sem identidade, cravo neste meu velho companheiro de partidas (nada memoráveis) de tênis, e ele cada vez que me encontra diz que eu alivie seu lado, pois a área não lhe pertence.

Mas, voltando à seriedade da questão, nunca recebemos na caixa de email do portal Notícia Capital, que edito com minha equipe, um release, uma nota, uma informação qualquer dando conta que um diretor da área de inteligência do trânsito ou um grupo seleto de agentes de trânsito esteve visitando outro país para absorver técnicas e atos que fizeram com que os carros não transformassem as capitais, principalmente as mais populosas, em verdadeiras sucursais do inferno. O que vemos por aqui é uma tentativa de acertar, um tal de acerta e erra, erra e acerta e erra de novo, e se refaz, e mexe outra vez e o que valia não vale mais, e se não vale agora vai valer depois e quem quiser que vá chorar no pé do caboclo, caso consiga lugar para estacionar no centro da cidade.

Ouço queixas e outro dia debati o assunto com Chico Kertész na Rádio Metrópole, da Via Crucis que o motorista costuma fazer no Rio vermelho. Da tensão do homem que vem no guidão de seguir tentando se encaixar nas determinações de velocidade, que fazem o bairro parecer uma pista de rallye de regularidade ou uma gincana. Ele começa lá atrás com permissão de velocidade de 60 quilômetros por hora e de repente cai para 20, meio metro depois sobe para 50, cai para 20, vale 40, e cai mais um metro após para 10, centímetros por horas, depois vai para 60 e de repente é proibido parar, proibido estacionar, proibido dobrar à esquerda e se dobrar à direita cai no mar, e daí encontra uma rua que ontem era permitido o acesso e hoje nem pensar e por ai vai.

A sorte do Rio Vermelho é que boa parte daqueles que frequentam seu bares, praças e restaurantes é feita de estudantes, alternativos e visitantes que não utilizam em sua maioria o carro. Para Salvador e para a Prefeitura Municipal a invenção do carro é coisa do diabo, uma ofensa pessoal, um alien. Como citei antes, precisamos de menos improviso e mais inteligência e técnica. A Transalvador pode ir atrás de boas experiências que possam ser aplicadas por aqui. E usar a fortuna que vem amealhando com as multas – que até acho necessárias em vários tópicos – para fazer campanhas educativas. Educação gera menos infração. Permito o uso da frase como slogan da campanha. De graça, sem multa. Tudo em nome da mobilidade e da civilidade.

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