Pedidos de recuperação judicial crescem 57,7% na Bahia

Na Bahia,  Cachoeira com 25 processos ajuizados (60%), Salvador com 8 casos (20%) e Vitória da Conquista com 3  (7%) lideram.
Na Bahia, Cachoeira com 25 processos ajuizados (60%), Salvador com 8 casos (20%) e Vitória da Conquista com 3 (7%) lideram oa pedidos de recuperação. (Foto: Reprodução)

Enquanto o Brasil vê o número de pedidos de recuperação judicial cair 25% entre janeiro a julho deste ano, passando de 1098 para 814, a Bahia está no caminho oposto. De acordo com levantamento da EXM Partners, especializada em insolvência, de janeiro a agosto de 2017, houve aumento de 57,7% nas solicitações feitas no estado, envolvendo 41 empresas contra 27 no mesmo período do ano passado. As cidades líderes são Cachoeira com 25 processos ajuizados (60%), Salvador com 8 casos (20%) e Vitória da Conquista com 3 empresas nesta situação (7%).

Parte deste resultado pode ser justificado pela lenta recuperação da economia brasileira, em especial no Nordeste. De acordo com o IBGE, dos dez estados da região nove estão com índices de desemprego acima da média brasileira (13%). E a Bahia encontra-se na antepenúltima posição com 17,5% de taxa de desocupação.

A empregabilidade é um dos fatores que mais interferem no consumo e, consequentemente, na rentabilidade das empresas. Em 2016, diversos especialistas acreditavam que a recuperação da economia brasileira aconteceria tendo como mola propulsora o aumento da confiança e dos investimentos, o que elevaria consequentemente empregos, renda e o consumo. Porém, as últimas análises mostram que o investimento não cresceu e o Brasil ainda possui 13,5 milhões de pessoas desempregadas. O índice de volume de vendas do varejo está no mesmo patamar de dois anos atrás e a produção industrial segue como em 2009.

O que difere a curva dos pedidos de recuperação judicial no mercado nacional e no estado da Bahia são algumas boas notícias que fazem o Brasil começar a ver os primeiros sinais de recuperação. A economia mostra certa estabilização na reta final do ano, com perspectivas de alta de 0,5% para o Produto Interno Bruto (PIB). O desemprego no segundo trimestre caiu em 11 das 27 unidades da federação e o número de vagas formais subiu nos últimos quatro meses. As notícias podem ser consideradas positivas, entretanto o processo de recuperação ainda deve ser longo.

“Os índices ainda não tão positivos fez com que o número de recuperações judiciais na Bahia aumentasse consideravelmente neste ano, contrariando o panorama nacional” informa Eduardo Scarpellini, sócio da EXM Partners, consultoria especializada em administração judicial, reestruturação e recuperação de empresas. “O desenho que se mostra no mercado baiano, fez com que mudássemos a estratégia de atuação da EXM Partners na região. No início de agosto abrimos um escritório em Salvador exclusivamente para atender o judiciário e as empresas do estado que passam por dificuldades financeiras”, completa.

O consultor acredita que, até a retomada do consumo e dos empregos no estado, diversas empresas precisarão passar por um processo de reestruturação ou se utilizar do instituto de recuperação judicial para evitar a falência.

A recuperação judicial pode ser um importante instrumento para colaborar com a retomada da economia baiana. Este instrumento permite que empresas economicamente viáveis ganhem fôlego para superar a crise aguda, aumentando a possibilidade de manter as atividades e os empregos gerados, impactando positivamente também na sua cadeia de fornecedores e na arrecadação de tributos

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