É impossível fazer ciência com poucos recursos, diz vencedor do Prêmio Nobel

Maiana Diniz
Agência Brasil

Durante sua passagem por Brasília, o cientista Aaron Ciechanoven, natural de Haifa, Israel, disse que é impossível se fazer pesquisa e desenvolvimento com pouco dinheiro. Ele também diz que não se pode interromper os recursos para a ciência, pois trata-se de um investimento de longo prazo. “Israel está fazendo muito dinheiro com ciência”, disse.

Aaron Ciechanover, pesquisador israelense, Prêmio Nobel de Química de 2004, fez palestra no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (UnB)  (Foto: Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil)
Aaron Ciechanover, pesquisador israelense, Prêmio Nobel de Química de 2004, fez palestra no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (UnB) (Foto: Antonio Cruz/Arquivo/Agência Brasil)

Prêmio Nobel em Química em 2004, Ciechanoven começou a carreira como médico, mas decidiu seguir sua intuição e virar pesquisador. Seu grande feito foi detectar um sistema chamado Ubiquitina, responsável por eliminar moléculas de proteínas danificadas ou desnecessárias para o organismo, conhecimento que mais tarde, descobriu-se, está intimamente ligado ao câncer e às doenças degenerativas.

Durante suas palestras, Ciechanoven invoca os jovens a questionarem as regras estabelecidas, desafiarem seus professores, seguirem os seus sonhos e trabalharem com algo em que realmente acreditem. Nesta semana, ele fez uma palestra em Brasília e, ao final, uma estudante perguntou ao cientista premiado como ele fez para manter a motivação por 40 anos pesquisando o mesmo assunto, sem ter a certeza de que ia chegar a algum lugar. “Como ir de uma pequena questão para outra pequena questão?”, questionou ela.

Ciechanoven respondeu que é preciso ter foco, resiliência e coragem. “Se você quiser mesmo atingir um objetivo, você precisa estar muito focado. Mas isso também é muito relativo. Sua área de pesquisa pode ser exaurida e você terá que mudar para algo novo. É preciso se adaptar às circunstâncias”, respondeu. “Acho que essa pergunta é diferente de pessoa para pessoa. Eu sou um aventureiro, é minha natureza. Assumo riscos altos”.

Em um bate-papo exclusivo com a Agência Brasil, Aaron Ciechanoven falou sobre investimento em pesquisa (segundo dados mais recentes divulgados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2014, o Brasil investiu 1,27% do PIB nacional em pesquisa e desenvolvimento. Desde então, em decorrência dos cortes orçamentários para cumprimento do superávit, esse índice tem caído), retenção de pessoas altamente qualificadas e deu perspectiva sobre o futuro da medicina.

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