Empregados da UTC protestam após receberem avisos de demissões em massa

A UTC perdeu o contrato de manutenção com a Petrobras em diversas plataformas.
A UTC perdeu o contrato de manutenção com a Petrobras em diversas plataformas.

Cristina Indio do Brasil
Agência do Brasil

Empregados da UTC Engenharia reuniram-se na porta de uma unidade da Petrobras na Praia Campista, em Macaé, no norte fluminense, para protestar após receberem avisos de demissões feitas pela empresa que tem contratos com a estatal. Segundo o sindicato da categoria, cerca de 2 mil funcionários receberam o comunicado. Os trabalhadores foram informados ontem (10) da demissão por meio de um telegrama em que a UTC alega que as rescisões ocorreram “em decorrência de motivos técnicos, econômicos e financeiros”.

Bruno Vieira trabalha há sete anos na UTC Engenharia em serviços para a Petrobras na Bacia de Campos na função de técnico de instrumentação e tem contrato até setembro. Segundo o técnico, antes do anúncio da demissão esses empregados sofriam com o atraso de salários, que não foram depósitos em junho.

“No dia 1º, o nosso pagamento não caiu. Eles alegaram que seria no quinto dia útil, mas só [foi depositado] para algumas pessoas e o nosso não. Eles alegaram que o pagamento que não caiu [na conta] é de pessoas que estão demitidas, porém, a gente não tem informação. Só a carta que a gente recebeu dizendo que fomos desligados da empresa”, disse Viera, que trabalhou em diversas plataformas da Petrobras, entre elas a P-33, a Cherne 1 e a Cherne 2.

Cerca de 2 mil empregados receberam o comunicado de demissão. “Os demais ainda não receberam [o telegrama], mas vai ser todo mundo”, disse, acrescentando, que os contratos ainda têm um prazo para frente, mas a empresa não tem condição de honrar. “Os contratos da UTC acabam todos em setembro. Eles não têm como manter. Não tem para onde correr”.

Sindicato

Durante a manifestação na porta da Petrobras, em Macaé, o advogado do Sindicato dos Trabalhadores em Pintura Industrial e Construção Civil (Sintpicc), Leonardo Lessa, que representa os empregados, disse que, em uma reunião nesta terça-feira com dirigentes da UTC, a empresa se comprometeu a protocolar hoje na estatal um documento em que abre mão de recebíveis para que a Petrobras libere recursos que a construtora usaria para fazer o pagamento dos empregados. Segundo o advogado, isso ainda deve levar 48 horas até que a Petrobras receba o comunicado da UTC e analise se aceita o pedido.

Ficou acertado ainda que haverá uma força-tarefa para tornar mais rápido o processo de homologação das demissões. O advogado disse que os custos da empresa serão elevados. “Caso haja a demissão de todos os funcionários, estamos falando em R$ 120 milhões em rescisões. É um valor muito alto. A empresa informa que hoje o objetivo dela não é esse. É manter o máximo de funcionários possíveis, até porque seria um valor impagável. A demissão em massa de mais de 4 mil [número de funcionáios da UTC que prestam serviço para a Petrobras] dá um total de R$ 120 milhões”.

Outro lado – Em nota a UTC informou que paralisação de atividades nas plataformas P18, P19, P20, P26, P33, P35, P37, P50, P52, P54, P55 e P62, todas localizadas na Bacia de Campos, litoral do Rio de Janeiro, foi em decorrência da decisão da Petrobras de não aditar os contratos de manutenção offshore, conforme previsão contratual.

A empresa informou que permanece tentando defender os interesses e os direitos trabalhistas do quadro de funcionários, com a regularização e aditamento dos contratos por parte da estatal. “A companhia informa que está e sempre esteve à disposição da Petrobras para encontrar uma solução que minimize o impacto social de tal medida. A UTC informa que nunca houve atraso de salários em toda sua história”, completou a nota.

Petrobras – A Petrobras, também por meio de nota, disse que a decisão da UTC Engenharia S.A de interromper a prestação de serviços de construção e montagem em plataformas na Bacia de Campos ocorreu de forma unilateral e após intensa tentativa de negociação por parte da companhia na busca de uma solução que priorizasse os trabalhadores envolvidos.

A empresa informou que não solicitou a desmobilização do efetivo da UTC, pois os contratos de prestação de serviços ainda estão vigentes e as obrigações assumidas pela Petrobras estão sendo regularmente cumpridas.

A Petrobras informou que antecipou, na quarta-feira passada (5), os pagamentos à UTC previstos para o final do mês de julho. “Esta antecipação foi excepcionalmente aprovada após pedido da UTC e teria como objetivo garantir o pagamento dos salários de junho dos empregados da empresa. Ainda assim, a Petrobras foi surpreendida com a decisão da UTC de desmobilização do seu efetivo a bordo”, disse.

As retenções parciais de recursos feitas pela Petrobras em junho e julho deste ano, segundo a estatal, se referem a falhas da UTC na execução de serviços contratados, em 2011, com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. “Este procedimento está de acordo com o previsto nos contratos”. A Petrobras acrescentou que adotará as medidas administrativas e judiciais cabíveis para garantia da continuidade operacional e manutenção da segurança das instalações.

A UTC, investigada na Operação Lava Jato, foi uma das construtoras envolvidas no esquema de propinas com a Petrobras, a Eletrobras e a Valec. Ontem a empresa assinou acordo de leniência com a Controladoria-Geral da União (CGU) e a Advocacia-Geral da União (AGU) e se comprometeu a pagar R$ 500 milhões de multa em ressarcimento aos cofres públicos.

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