SEI analisa impactos da seca no estado da Bahia nos anos de 2016 e 2017

No início do ano de 2017, o fenômeno da seca atingiu 219 municípios da Bahia, que decretaram estado de emergência. A informação foi analisada pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia, com dados da Superintendência de Proteção e Defesa Civil do estado da Bahia. O problema, como já aconteceu em outros períodos, concentra-se na região do Semiárido, que representa, aproximadamente, dois terços do território do baiano.

Plantação de grãos destruída pela estiagem (Foto: Reprodução)
Plantação de grãos destruída pela estiagem (Foto: Reprodução)

De acordo com a análise, os municípios atingidos pela estiagem abrangem uma área de aproximadamente 307,4 mil km², o que corresponde a 54,4% da área total do Estado. A população desses 217 municípios equivale a 38,7% do total da Bahia (5,9 milhões de pessoas). De acordo com Urandi Paiva, coordenador de estatística da SEI, são cerca de 4,2 milhões de pessoas foram afetadas diretamente pela falta de chuvas no Estado.

“A estiagem prolongada atinge com maior intensidade os municípios que tem como uma das atividades principais a agricultura de subsistência”, analisa Paiva. Diferentemente da seca (que é um fenômeno permanente), a estiagem pode provocar desequilíbrios hidrológicos importantes e causar desastres ambientas e humanos; além de baixar o volume de água, secar rios e nascentes e ser transformada, de fato, em uma situação de seca.

O Território de Identidade Sudoeste Baiano foi o mais afetado com 20 municípios que decretaram estado de emergência, seguido pelos territórios de Irecê (19 municípios), Chapada Diamantina (18) e Semiárido Nordeste II, Sertão Produtivo e Sisal, todos com 17 municípios.

A seca atual que afeta a Bahia e o Nordeste teve início em 2012 e se intensificou desde então. Ela já dura cinco anos e é considerada a mais severa em várias décadas. A intensidade e a persistência da atual estiagem pode ser indício das mudanças climáticas, também conhecida como aquecimento global que se dá pelo aumento de temperatura média global. O aumento das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera (CO2 em particular) estão prendendo o calor na atmosfera da Terra. Não se tem registro na Bahia de seca mais persistente e aguda tal qual nos últimos 100 anos, segundo alguns especialistas. Desde 1911, ocorreram duas secas com duração de três anos (1930-32; 1941-43), duas com duração de quatro anos (1951-543 e 2012-2015) e uma com duração de cinco anos (1979-83).

Impactos agropecuários – Os efeitos da falta de chuvas são mais contundentes nos municípios que apresentam maior participação (superior a 40,0%) do setor agropecuário na composição do PIB municipal. A agricultura familiar responde pela atividade principal dessas economias municipais e caracteriza-se por pequenas propriedades, onde a família é dona dos instrumentos de produção e da terra, voltada para produção de subsistência e com o excedente destinado para comercialização. Em geral, esta atividade apresenta baixo nível de produtividade.

A agricultura de subsistência também é uma das principais fontes de emprego da população rural que retira desta atividade o sustento familiar. Na região Nordeste 89,0% dos estabelecimentos é de agricultura familiar. A Bahia é o estado com maior número de estabelecimentos familiares de todo o País, 15,2% do total, segundo o Censo Agropecuário de 2006.

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