Jacques Wagner ajudava a Odebrecht em troca de doação para campanha, diz jornal

Ex-diretor da Odebrecht, Cláudio Melo Filho,  diz que a relação entre o ex-governador da Bahia e a empreiteira começou em 2006."A atenção demonstrada por Jacques Wagner aos temas que eram de interesse da Odebrecht reforçou a sua imagem no grupo e qualificou-o como beneficiário de melhores recebimentos financeiros''.
Pelas contas de Cláudio Melo Filho, da Odebrecht, Jaques Wagner levou R$ 7,5 milhões em dez parcelas, pagas entre agosto de 2010 e março de 2011.

Na sua delação, o ex-diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho conta que o ex-governador da Bahia Jaques Wagner, do PT, atendia aos pleitos da empreiteira mediante doação para suas campanhas eleitorais e do seu sucessor no cargo, Rui Costa, também petista. Solicitava também recursos para o partido.

Segundo reportagem do site do jornal O Globo, assinada por Evandro Éboli, na delação Cláudio Melo Filho faz o relato que na sexta-feira antes do domingo da eleição de 2014, Wagner cobrou um repasse de R$ 10 milhões que não teria sido feito pela Odebrecht, em troca da liberação de dinheiro de uma dívida de R$ 290 milhões do governo com a empresa. Desse montante, R$ 30 milhões, pelo acordo, seriam destinados às campanhas petistas. Cláudio Filho sempre que fala desses repasses a políticos usa o termo “a pretexto de campanha” ou para “pretensa campanha”.

Dúvidas sobre a vitória de Wagner – A relação entre Wagner e a Odebrecht começou em 2006, quando o petista venceu a eleição ao governo da Bahia. Filho diz que, no início, os dirigentes da Odebrecht tinham dúvidas sobre a vitória de Wagner e que a certeza “sobre o êxito na sua carreira não era unânime”. O apoio financeiro na eleição teria sido de R$ 3 milhões – entre oficial e caixa 2 – e, para sua reeleição, o total repassado teria sido de R$ 7,5 milhões. Este último, feito em dez pagamentos entre agosto de 2010 e março de 2011. Ao longo de dois mandatos como governador, o petista atendeu a vários pedidos da Odebrecht e teve o reconhecimento da empreiteira. Segundo o depoente, com o tempo, seus pedidos de ajuda financeira ficaram mais qualificados.

“A atenção demonstrada por Jacques Wagner aos temas que eram de interesse da Odebrecht reforçou a sua imagem no grupo e qualificou-o como beneficiário de melhores recebimentos financeiros. O próprio Jacques Wagner fez questão de encaminhar esse pedido de apoio financeiro mais qualificado, apoiando-se na cuidadosa atenção que demonstrou aos nossos pleitos ao longo do seu primeiro mandato como Governador da Bahia” – disse o ex-diretor da Odebrecht.

Dinheiro para a Campanha de Rui – A empresa também só fazia os repasses se tivesse a garantia de Wagner do atendimento de seus pedidos. Filho diz que, em 2014, Wagner o procurou e pediu apoio financeiro para a campanha de Rui Costa, do PT, e que o sucedeu no cargo.

“Conversei com Marcelo Odebrecht, que me disse que só iríamos fazer um pagamento mais elevado caso o assunto da Bahiagás (empresa estatal) fosse resolvido ou, então, se um tema denominado “Recebíveis CERB” fosse encerrado, tema esse que era uma questão antiga que envolvia disputa judicial da Odebrecht contra o Estado da Bahia…Em algumas oportunidades cobrei a solução do governador. O assunto demorou muito, mas foi resolvido por Rui Costa (que também era chefe da Casa Civil da gestão de Wagner). Em função disso, fizemos contribuição financeira diferenciada a Rui Costa”.

Essa pendência judicial – o “recebíveis Cerb” – envolvia, segundo o depoente, uma dívida do governo de R$ 390 milhões com a Odebrecht. Filho diz que ficou combinado o pagamento de R$ 290 milhões e, desse total, R$ 30 milhões seriam pagos ao PT a pretexto de a campanhas do partido na Bahia na eleição de 2014 e em eleições futuras.

Wagner recebeu o codinome de “Polo”, como era tratado nas mensagens da Odebrecht e na planilha de repasses. Um dos pedidos da empresa ao então governador foi o de devolução pelo estado de parte do ICMS referente ao polo petroquímico de Camaçari.

Cláudio Filho confirmou dois relógios dados como presente de aniversário a Wagner. Em março de 2012, o petista recebeu um relógio da marca Hublot, modelo Oscar Niemeyer, que tem no fundo uma imagem do Congresso Nacional, e cujo preço é US$ 20 mil (R$ 67,4 mil). O outro relógio presenteado, de marca Corum, vale US$ 4 mil (R$ 13,5 mil).

Fonte: Jornal O Globo/Evandro Éboli

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