Parceria da Embratur com Airbnb é um atentado contra a hotelaria, diz ABIH.

Glicério Lemos:  "Serviço online de aluguel temporário de imóveis funciona de forma desleal e predatória''.
Glicério Lemos: “Serviço online de aluguel temporário de imóveis funciona de forma desleal e predatória”.

“Absurda e um atentado contra a hotelaria, que paga impostos e gera empregos”. Foi assim que o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis – seção Bahia (ABIH-BA), Glicério Lemos, classificou a parceria firmada entre a Embratur e a Airbnb para divulgação do Brasil no exterior. O acordo, proposto na última segunda-feira, 31 de outubro, prevê atrair o turista para que “viva na cidade como um morador local” se hospedando nos imóveis cadastrados no serviço online de aluguel temporário.

O problema, ressalta o presidente da ABIH-BA, é a concorrência desleal. Os imóveis listados no Airbnb não pagam impostos ou qualquer tipo de tributação, enquanto que a hotelaria arca com um custo elevado para operar, sem considerar o número de empregos gerados. Na Bahia, existem mais 4, 2 mil meios hospedagem, que pagam IPTU comercial, PIS, COFINS, ISS, sem considerar os custos com os empregos. Segundo o Sindicato dos Hotéis, Restaurantes Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte, todo o setor gera 200 mil empregos diretos (750 mil indiretos) no Estado.

“Não somos contra a existência de sites de aluguel online temporário, mas queremos que eles sejam regulamentados. Como está é que não dá para continuar. É uma concorrência predatória”, frisa Lemos. Cidades como Nova Iorque, San Francisco, Berlim, Paris e Barcelona já proíbem aluguel através do Airbnb.

No Brasil, o serviço online existe desde 2012, quando tinha três mil anúncios no site. Ano passado esse número já havia saltado para 20 mil. Normalmente, a diária de um imóvel pelo Airbnb é abaixo do praticado pela hotelaria, o que tem levado a um aumento da procura pelo serviço.

A regulamentação para novos modelos de hospedagem, como o Airbnb, já está na pauta da ABIH Nacional. O presidente da entidade baiana pretende se reunir com o prefeito ACM Neto para reivindicar que Salvador fiscalize o sistema e adote a cobrança dos mesmos tributos aplicados à hotelaria.

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