Pedro Corrêa cita reuniões com peemedebistas para tratar de propinas

Condenado a 20 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras, o ex-deputado Pedro Corrêa conta tudo. (Foto: Reprodução)
Condenado a 20 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro na Petrobras, o ex-deputado Pedro Corrêa conta tudo. (Foto: Reprodução)

Em depoimentos cujo objetivo é negociar um acordo de delação premiada, o ex-deputado Pedro Corrêa citou reuniões com deputados e senadores do PMDB para a partilha de propinas do esquema de corrupção na Petrobras. A revista “Veja” teve acesso ao conteúdo dos depoimentos e traz detalhes na edição deste final de semana.

Em 2004, o PP se recusava a votar projetos de interesse do governo, o que mudou com a indicação, feita pelo partido, de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da estatal. Mas, depois, o PMDB passou a pleitear parte da propina. Pedro Corrêa, que foi condenado no processo do mensalão, disse ter se reunidos com peemedebistas para “buscar o melhor entendimento na arrecadação”. Segundo a revista, o ex-parlamentar disse ter se reunido com o presidente do Senado, Renan Calheiros, e o deputado Aníbal Gomes (CE), em um escritório de advocacia de Brasília. Fez o mesmo com Eduardo Cunha (RJ), agora presidente afastado da Câmara, e o senador Romero Jucá.

De acordo com a revista, os negócios começaram a fluir em 2006. A reportagem cita uma reunião, no período da campanha daquele ano, que contou com a participação de Paulo Roberto Costa e do diretor da área de Internacional, Nestor Cerveró, além dos senadores Renan Calheiros, Romero Jucá, Jarder Barbalho, do então deputado Henrique Eduardo Alves, hoje ministro do Turismo, e do lobista Jorge Luz. “Veja” descreve que os peemedebistas pediram US$ 18 milhões em propinas para apoiar a manutenção de Costa e Cerveró nas diretorias da Petrobras e teriam recebido US$ 6 milhões.

A delação de Corrêa aguarda homologação do ministro Teori Zavascki, relator dos inquéritos e ações da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. A negociação é feita há um ano. Procurados pela revista, os citados negaram ter recebido ou pago propina.

Lula faz interferência – Ainda segundo a “Veja”, Corrêa também afirma que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva interferiu diretamente na nomeação de Paulo Roberto Costa para a diretoria, por indicação do PP. Na delação, o ex-deputado reconstrói um diálogo entre Lula e o ex-presidente da Petrobras José Eduardo Dutra, já falecido.

“Oh, Dutra, nós não nos comprometemos com o PP, que indicou o Dr. Paulo Roberto, já há algum tempo, para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras. Porque até agora ele não foi nomeado?”, teria perguntado Lula.

“Porque esta mudança de diretor é um assunto complicado dentro da Petrobras. Estão (sic) havendo resistências, além de a competência não ser só minha para nomeá-lo”, respondeu Dutra, segundo Corrêa.

Lula, então, teria dito: “E quem nomeou a maioria dos conselheiros, Dutra?”

“Você, Lula!”, respondeu Dutra.

“Então, quero que você diga aos conselheiros que nomeei que se o doutor Paulo Roberto não estiver nomeado daqui a uma semana eu vou demitir e trocas esse conselheiros que nomeei”, teria dito o ex-presidente.

Por meio de nota, o Instituto Lula afirmou que “há mais de dois anos o ex-presidente Lula tem suas contas, impostos, viagens e conversas devassadas e não se encontrou nenhum fato que o associe aos desvios da Petrobras, porque Lula sempre agiu dentro da lei”.

“O ex-presidente não participou, não foi conivente e muito menos organizou qualquer tipo de ação ilegal, e a os investigadores da Lava Jato sabem disso. Não se pode tomar como verdade a palavra de réus confessos, que negociam acusações sem provas em troca de sair da cadeia”, diz a nota.

O Instituto Lula declarou ainda que “os advogados do ex-presidente Lula vão requerer acesso ao suposto depoimento do réu Pedro Correia, para tomar as medidas cabíveis”.

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