Salários pagos pela TV Brasil explicam o petismo feroz de alguns jornalistas contratados

REINALDO AZEVEDO

A TV Brasil na forma em que existe é uma das invenções mais caras da era petista. Dá traço de audiência, mas paga salário de gente grande. Não é por acaso que custa R$ 1 bilhão por ano. Num país quebrado.

Aderbal Freire Filho, que acha que o impeachment é golpe, tem um programa sobre teatro chamado “A Arte do Artista”. Para dar pinta lá uma vez por semana, recebe R$ 68 mil mensais. Tem contrato até o fim do ano.

Luis Nassif tem um contrato anual de R$ 761 mil com a TV Brasil.
Luis Nassif tem um contrato anual de R$ 761 mil com a TV Brasil. (Foto: YouTube/Reprodução)

Aderbal é casado com Marieta Severo, aquela que cantou as glórias do PT no “Domingão do Faustão”, ex-mulher de Chico Buarque, que exalta os feitos da legenda em toda parte.

Outro que não passa apertado é Luis Nassif, com um programa também semanal chamado “Brasilianas.org”. Embora ninguém veja a defesa que ele faz do governo — não na TV ao menos —, tem um contrato anual de R$ 761 mil — mais de R$ 63 mil por mês. Ou R$ 15.750 por programa!

Nassif até tenta fingir diversidade com alguns temas de interesse geral. Quando envereda para a política e para a economia, é mero porta-voz do governo petista (veja aqui). Lúcia Mendonça, diretora do seu programa, tem um contrato de R$ 289 mil/ano.

Paulo Markun também fez um bom acordo para um programa semanal: R$ 585 mil anuais. Em favor de Markun — e não tenho nenhum problema em dizer isto —, observo que mantém ao menos uma pauta plural em “Palavras Cruzadas” (está aqui).

Não é o caso de Paulo Moreira Leite, também com uma, por assim dizer, atração por semana chamada “Espaço Público”. Tem um contrato anual de R$ 279 mil. Só entrevista esquerdistas e governistas — na maioria das vezes, petistas. Vejam.

E Emir Sader, o grande intelectual de um país chamado “Emirados Sáderes”, que desenvolveu até uma gramática própria? Para fazer alguns pequenos comentários — em que fala bem do PT e das esquerdas do Brasil e do mundo e mal de todos os seus adversários, recebe R$ 227 mil por ano. Tereza Cruvinel, que hoje só dá alguns pitacos políticos, mantém um contrato anual de 182 mil.

Exceção feita a Aderbal — não entendi ainda por quê —, todos os outros contratos estão suspensos para ser renegociados.

A questão particular – Não sei exatamente o que o novo comando da TV Brasil entende por “renegociação”. Não entro no mérito das convicções políticas de um Paulo Markun, por exemplo, porque não sou policial de consciências. Havendo uma TV Pública, ele tem trajetória, estofo e biografia para fazer um programa plural. Se o novo valor que lhe vai ser proposto é ou não aceitável, isso é com ele.

Nunca vi o seu programa, mas ele é um entrevistador competente. A pauta de “Palavras Cruzadas” evidencia não se tratar de mero prosélito do petismo.

Nos outros casos, lamento, basta uma pesquisa rápida para a gente perceber que não se trata de jornalismo, mas de militância política. E feita com o nosso dinheiro. O “jornalismo” que essas pessoas fazem, inclusive fora da TV Brasil, não as habilita a estar numa TV Pública — a menos que esta sirva de cabide de emprego e de remuneração por serviços prestados fora dali.

Elas têm simplesmente de ser demitidas a bem do serviço público. O nome disso é aparelhamento do estado.

A questão geral – Eu não seria eu se não dissesse o que penso, certo? Sou contra a existência de uma TV que consome R$ 1 bilhão por ano para ninguém ver. Deveria ser simplesmente fechada. Mas sou realista: acho difícil que aconteça.

Que Laerte Rimoli, novo presidente da EBC, à qual se subordina a TV Brasil, chame especialistas da área para estudar e implementar um modelo de TV pública que não assalte os cofres e não sirva de cabide emprego — de petistas ou pessoas de quaisquer outras legendas.

Reitero: eu não acho que a TV Brasil deva deixar de ser a emissora do PT para ser a emissora do PMDB. Como ente público, tem de ser a emissora que respeite os valores da Constituição. E o bom mesmo é não haver uma TV Brasil. Se ninguém vê, pra quê?

Fonte: Blog de Reinaldo Azevedo

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1 Comentário

  1. DanAQ

    É por isso que NUNCA….

    Comentam a CORRUPÇÃO no transporte público coletivo monopolizado….
    Comentam a CORRUPÇÃO na RADIODIFUSÃO…

    PS.: RADIODIFUSÃO são as empresas de RÁDIO e TV ABERTA, ou seja, Rádios AM, OM, OC e FM abertos, Record, Rede TV, SBT, Bandeirantes, Globo e vários canais ainda analógicos em mãos de religiosos.

    BANDIDOS, CORRUPTOS e TRAIDORES DA NAÇÃO, que ao invés de EDUCAR, INFORMAR, VALORIZAR A NOSSA CULTURA e PROPICIAR A DEMOCRATIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO, tudo isso como MANDA a CONSTITUIÇÃO, LEIS FEDERAIS, DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS E PACTO INTERNACIONAL DE BROADCASTING, exploram EXCLUSIVAMENTE com finalidade comercial lesando a os interesses da NAÇÃO e da COLETIVIDADE.

    E nem adianta reclamar ao MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES (por lei o responsável em fiscalizar, legislar e punir), pois se isentam de responsabilidade depositando à ANATEL que repassa novamente ao MINISTÉRIO DAS COMUNICAÇÕES.

    A LEI É CLARA: MERCHANDISING NA TV ABERTA É CRIME. ESTELIONATO, PECULATO, ENRIQUECIMENTO SEM JUSTA CAUSA, QUEBRA DE CONTRATO, EXTINÇÃO DA CONCESSÃO.

    Enquanto isso, com o CONLUIO das autoridades, NA RADIODIFUSÃO (máquina PÚBLICA EDUCATIVA CONCEDIDA), em qualquer horário e de forma banal:
    1) INCENTIVO AO USO DE DROGAS: comerciais de cerveja.
    2) INCENTIVO AUTOMEDICAÇÃO: comerciais de remédios
    3) INCENTIVO A MÁ ALIMENTAÇÃO: comerciais de produtos alimentícios industrializados (MC Donalds é normal).
    4) INCENTIVO AOS JOGOS DE AZAR: Nomeando o boi, SBT com telesena e baú (por anos denunciai a publicidade estilo “Tapa na cara da sociedade Jequiti”, onde o SBT piscava produtos Jequiti, Telesena, Bau e novelas ao MC cobrando punição e publicidade à população das punições).
    4) CENSURA LIVRE: FAUSTÃO e programas do tipo, para a nossa justiça É CENSURA LIVRE. Para vocês terem uma ideia do ABSURDO, A JUSTIÇA BRASILEIRA, diz À FAMÍLIA BRASILEIRA, que assistir ao FAUSTÃO é tão pernicioso quanto seria assistir ao TELETUBIES (ou qualquer outro programa REALMENTE INFANTIL), o seu filho/filha de 0 a 9 anos.
    OBS.: Deveria a MAQUINA PÚBLICA EDUCATIVA, fazer ao contrário, EDUCAR ao não consumo de DROGAS, CONTRA A AUTOMEDICAÇÃO, À ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL, À EDUCAÇÃO FINANCEIRA, PROTEGER AS CRIANÇAS E ADOLESCENTES, enfim, AOS INTERESSES DA NAÇÃO E DA COLETIVIDADE COMO MANDA A CONSTITUIÇÃO, NOSSAS LEIS E PACTOS E ACORDOS INTERNACIONAIS.

    PUNIÇÃO, EXTINÇÃO DA CONCESSÃO E REPATRIAMENTO DOS LUCROS BILIONÁRIOS ILEGAIS À EDUCAÇÃO, CULTURA E INFORMAÇÃO, JÁ

    DanaAQ, 20160601

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