Malta, Ferraço e Romário engrossam discursos favoráveis ao impeachment

Dando como certo o resultado desfavorável à presidenta Dilma Rousseff na votação do Senado que analisa a admissibilidade do processo de impeachment contra ela, o senador Magno Malta (PR-ES), lamentou o momento político e disse que a ruptura “que acontecerá hoje a tarde” é triste, mas necessária.

Senador Magno Malta fala durante sessão plenária para decidir sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Antonio Cruz/ Agência Brasil)
Senador Magno Malta fala durante sessão plenária para decidir sobre a admissibilidade do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff (Antonio Cruz/ Agência Brasil)

Malta comparou o país com um doente diabético e febril que “há muito tempo precisa amputar a perna” para se salvar. “Este país febril vai ter restituída a sua saúde e sua energia. Amputemos a perna apodrecida para salvar o corpo e é preciso ter o tempo de cicatrização e recuperação”, disse, durante sua fala na tribuna.

Segundo o senador capixaba, o governo do PT promoveu a inclusão social, mas “deu com uma mão e tirou com outra”. Malta disse ainda que a administração Dilma é responsável por “dilacerar a economia do país”. O senador defendeu que o vice-presidente Michel Temer dê continuidade a programas como o Bolsa Família. “Temer, melhore o Bolsa Família e ponha uma porta de saída. Um bom programa social tem que ter duas portas.”

Outro capixaba, Ricardo Ferraço (PSDB-ES), disse que eleições não conferem ao vencedor uma coroa, mas o compromisso de fazer “um governo decente e eficiente” que trabalha de acordo com a lei. Segundo o tucano, a governabilidade é construída dia a dia com atitudes. “Até as monarquias decorrem do compromisso para com a lei que a todos compromete. Numa República a lei vale para todos. O lado certo da história é a democracia.”

Romário (PSB-RJ), que integrou a comissão especial do Senado que produziu e aprovou o parecer pela admissibilidade do processo contra Dilma, disse estar convencido que há indícios de crime de responsabilidade fiscal que precisam ser apurados. “O que votamos hoje é a possibilidade de conhecer melhor os fatos. É inegável que o país atravessa uma crise grave que tem componente político mas não se resume a isto.”

Em um recado a Michel Temer, Romário disse que não existe “mágica” para uma saída rápida da crise, mas que o possível governo peemedebista precisa adotar medidas emergenciais de redução de gastos e estímulo à economia. O senador fluminense disse ainda que não é possível desperdiçar a oportunidade de repensar o Brasil para além dos mandatos políticos. “Os mandatos acabam, os governos passam e o país fica”, lembrou, concluindo seu discurso com um apelo: “É hora de juntar forças, superar diferencias e devolver ao Brasil toda a força.”

Encaminhamento

Ao todo, 68 senadores se inscreveram para falar na sessão de hoje. Cada um tem 15 minutos para sua manifestação. Não será permitida orientação da bancada pelos líderes e também não serão permitidos apartes. Para evitar que os senadores excedam o tempo de fala, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), advertiu os parlamentares que os microfones das duas tribunas serão automaticamente desligados ao final do tempo estipulado. Caso Renan não interrompa a sessão, a expectativa é que a votação do relatório da Comissão Especial do Impeachment no plenário ocorra de madrugada, por volta das 3h. (Carolina Gonçalves e Karine Melo – Repórteres da Agência Brasil)

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