Rúgbi volta à Olimpíada, e praticantes esperam vitrine para o esporte

Marcelo Brandão
Repórter da Agência Brasil

Foram mais de 90 anos de ausência, mas o rúgbi está de volta aos Jogos Olímpicos. Esse retorno, justamente na edição do Rio de Janeiro, dá aos praticantes dessa modalidade esportiva esperança de mais visibilidade no Brasil. Além disso, eles esperam que, durante os seis dias de competição, desmitifique-se o caráter agressivo do rúgbi e se conquistem mais adeptos.

Esporte de muito contato, rúgbi volta à Olimpíada depois de 90 anos de ausência (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Esporte de muito contato, rúgbi volta à Olimpíada depois de 90 anos de ausência (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

“Vamos ter seis dias de exposição máxima em canais de TV abertos e fechados, e isso não tem preço. Sem dúvida, haverá um impacto muito bom na disseminação do esporte e no conhecimento dos brasileiros sobre ele”, disse o CEO (diretor executivo) da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), Agustin Danza.

Segundo Danza, o rúgbi vem crescendo de forma acelerada no Brasil, principalmente nos últimos cinco anos. “Um dos fatores é o rúgbi ter se tornado esporte olímpico. Isso ajuda muito a disseminar, a criar interesse nas pessoas e em organismos que participam do esporte, como escolas e imprensa, dentre outros”, afirmou. “E hoje é mais fácil achar rúgbi na televisão. Quase todo final de semana tem rúgbi nos canais por assinatura.”

Parte desse crescimento é comprovada pela criação de times em vários estados e de ligas locais e nacionais. Danza, no entanto, vê no torneio olímpico a janela que esperava para popularizar o esporte entre os mais jovens, nas escolas. “As escolas veem com bons olhos os esportes olímpicos. Durante esses dois anos, o fato de ser [esporte] olímpico tem ajudado bastante, e esperamos que, no pós-Rio 2016, possamos continuar o trabalho do rúgbi escolar.”

A CBRu existe desde 2010, motivada em parte pela participação do rúgbi nos Jogos Rio 2016. O Comitê Olímpico Internacional (COI) exige a existência de uma confederação por trás de cada atleta olímpico. “O que marcou a diferença aqui é que aproveitaram essa necessidade de criar uma confederação para redesenhar todos os princípios de gestão esportiva”, explica Danza.

Atualmente, o calendário do rúgbi brasileiro consegue preencher grande parte do ano. No primeiro semestre, são agendados os jogos da seleção brasileira, de 10 a 12 partidas. Ao mesmo tempo, realizam-se os campeonatos estaduais. O segundo semestre é dedicado aos torneios nacionais. Existem torneios de primeira e segunda divisão, além de torneios de rugby sevens (variação do rúgbi tradicional e a mesma modalidade a ser disputada nos Jogos do Rio) feminino e masculino. Não existe rúgbi tradicional feminino.

De acordo com Danza, existem cerca de 300 times em atividade em todo o país, mas apenas seis estados – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina – contam com federações para organizar o esporte. Já existem campeonatos locais e nacionais, mas o rúgbi ainda é amador no país. A remuneração, geralmente, vem de patrocínios pessoais e prêmios da CBRu, além do Bolsa Atleta e de programas semelhantes.

Não há planos em um horizonte próximo para profissionalizar o rúgbi. Isso, como explica o CEO da confederação, não prejudica o desenvolvimento do esporte e sua popularização. “Por enquanto, o objetivo é fortalecer o rúgbi amador, os clubes já existentes, fornecer mais competências para eles para que possam estimular seus atletas de um melhor jeito. Não precisa ser profissional para ser bem-sucedido, temos o exemplo da Argentina e do Uruguai, que são muito bons.”

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