STF inclui citações a Dilma, Temer e Lula em inquérito da Lava Jato

Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF). (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

AGÊNCIA BRASIL

O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu hoje (20) incluir no principal inquérito da Operação Lava Jato que tramita na Corte trechos da delação do senador Delcídio do Amaral (MS) em que a presidenta Dilma Rousseff, o vice-presidente, Michel Temer, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva são citados. Na delação, também foi citado e incluído no inquérito Joel Rennó, ex-executivo da Petrobras do governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Zavascki atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A medida não significa que os citados passaram a ser investigados pelo Supremo.

Em março, Zavascki homologou o acordo de delação premiada do senador Delcídio do Amaral (MS) firmado com a Procuradoria-Geral da República (PGR) para colaborar com as investigações da operação. Na ocasião, o ministro retirou o sigilo do processo e divulgou a íntegra dos depoimentos de delação.

Governos Itamar e FHC

No acordo de delação premiada assinado com o Ministério Público Federal e homologado pelo Supremo, o senador Delcídio do Amaral (MS) revelou que o esquema de corrupção na Petrobras já ocorria antes da chegada do PT ao governo, nas gestões dos presidentes Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Delcídio, na gestão do ex-presidente da estatal Joel Rennó, que comandou a Petrobras nos governos de Itamar e Fernando Henrique, entre os anos de 1992 e 1999, ocorriam “casos de ilicitudes”, em alguns casos para “enriquecimento pessoal” como também para “financiamento de campanhas políticas”.

Temer

O senador disse em depoimento de delação premiada que o vice-presidente da República, Michel Temer, chancelou a indicação de dois ex-diretores da Petrobras que foram condenados na Operação Lava Jato. Segundo o senador, Temer era “padrinho” de João Augusto Henriques, ex-diretor da BR Distribuidora, subsidiária da estatal, e de Jorge Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras.

De acordo com depoimento de Delcídio, tomado no dia 11 de fevereiro pela Procuradoria-Geral da República (PGR), Henriques foi o principal operador de “um dos maiores escândalos envolvendo a BR Distribuidora”, envolvendo uma suposta aquisição ilícita de etanol, entre 1997 e 2000, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Dilma

Na delação, Delcídio declarou que a presidenta Dilma tinha “pleno conhecimento” do processo de compra da Refinaria da Pasadena, nos Estados Unidos, que gerou prejuízos para a estatal. Segundo o senador, Dilma nomeou o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marcelo Navarro Ribeiro Dantas com interesse em barrar as investigações da Operação Lava Jato.

Lula

Em um dos depoimentos, Delcídio disse que o ex-presidente Lula tentou interferir para evitar que o ex-diretor da Área Internacional da Petrobras Nestor Ceveró assinasse acordo de delação premiada com a força-tarefa da Lava Jato. No dia 8 de abril, Lula prestou depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) e negou as acusações.

Outro lado

No mês passado, após a divulgação dos depoimentos, Temer negou que teria feito a indicação pessoalmente e que conhecesse Henriques à época. Segundo ele, a apresentação do nome de Henriques foi feita pela bancada do PMDB de Minas Gerais na Câmara.

“O nome não foi aprovado. Posteriormente, indicaram o nome do senhor Jorge Zelada, que foi encaminhado pela mesma bancada e aprovado. Aliás, esse procedimento era rotineiro, já que muitas e muitas vezes vários nomes indicados pelas bancadas eram-me tão somente comunicados. Estes são os fatos”, disse Temer.

A presidenta Dilma declarou “jamais” ter falado com Delcídio sobre a Lava Jato e negou ter tentado negociar “de forma imoral” a nomeação dos ministros, com o objetivo de conseguir a libertação de investigados que na época estavam presos preventivamente.

Na ocasião, a presidenta também disse que os esclarecimentos sobre a compra da Refinaria de Pasadena pela Petrobras, em 2014, já foram devidamente prestados, embasados em documentação do Conselho de Administração da Petrobras, e que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, determinou o arquivamento da investigação.

A defesa de Joel Rennó não foi localizada.

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2 Comentários

  1. Charton Baggio Scheneider

    Por favor, PRESIDENTA NÃO! SERA QUE NEM JORNALISTA SABE QUE NÃO EXISTE ESTA PALAVRA? A BOCA DA ANTA DA DILMA É UMA COISA, MAS DE JORNALISTAS AI DÓI!

  2. Zamian Zartan

    Protestos úteis, cidadãos úteis. Protestos inúteis, cidadãos inúteis.

    Políticos úteis, países úteis. Políticos inúteis, países inúteis.

    Na matéria não consta que Lewandowski e Renan se reuniram a portas fechadas. O que estes dois, um corrupto consagrado e o outro um socialista corporativista, tramaram contra o povo? Boa coisa é que não foi e em breve todos os cidadãos brasileiros, que abandonaram as ruas e retornaram para suas prisões particulares achando que está tudo solucionado quanto ao impeachment de Dilma, ficarão sabendo das tramóias e poderão ter uma grande surpresa que pode se concretizar, o não impeachment de Dilma. Não pensaram nesta hipótese! Então se não quisermos vê-la concretizada em favor do socialismo petista, retornemos às ruas do país com urgência.

    Enquanto não rompermos definitivamente as correntes que nos prendem a inércia, apatia e ceticismo nada mudará para melhor em nossa política e o impeachment e vários outros problemas latentes tem tudo para não dar em nada e se manterem camuflados respectivamente, e o resultado é que todos os cidadãos brasileiros que saíram às ruas ou não, por um país organizado politicamente, economicamente e socialmente, ficarão com cara de tacho a ver navios no deserto se autoconsolando com o seu eterno blá blá blá no estilo sabia que ia dar em pizza, sabia que ia dar em pizza…

    Os protestos contra todos os absurdos descasos existentes na presidência, congresso, senado e suprema corte que só ferram o povo brasileiro, não conseguirão seus objetivos caso não retornemos às ruas do país com urgência e com mais união, seriedade e determinação, isto antes que a organizada esquerda o faça para dar proteção aos seus *meliantes que neste caso se camuflam como trabalhadores em prol de todo o povo brasileiro embora não estejam dando a mínima para, como dizem, esta questão que pode esperar para ser debatida, sempre, depois. Enquanto em nosso país há décadas e mais ainda atualmente milhares de cidadãos estão pagando com a vida nas ruas e hospitais, sendo despejados, demitidos e passando fome. O Brasil e todos os cidadãos vivenciam um democídio silencioso, onde uns comemoram e milhares perecem, praticado pelos que foram eleitos para representar e proteger o povo brasileiro e, no entanto o massacra e como se fosse pouco o presenteia com o abandono das nossas fronteiras para o deleite, em conchavo, de todos os traficantes, jogando no colo dos brasileiros, sem exceção, todos os tipos de drogas que se possa imaginar, isto além de submeter toda a população à vários outros crimes, inclusive crime de lesapátria praticado por todos os incompetentes inúteis a frente da nossa política e suprema corte parcial há décadas.

    Não confiar na suprema corte atualmente, não e uma simples opção e sim uma regra obrigatória, não tecnicamente analisando. Tecnicamente analisando todos os que lá estão, deveriam ter conseguido os seus postos por méritos próprios através de concurso público e não através de indicação deste ou aquele presidente da nossa republiqueta de bananas grandes e nanicas que nada representa para o mundo a não ser uma horta onde se colhe, neste caso, o que quer a quando se bem entende. Literalmente é uma afronta ao povo brasileiro nossa atual geração de políticos e juristas criminosos, não em sua totalidade é claro.

    *Meliante é o mesmo que malandro, vadio, patife. É o indivíduo que costuma abusar da confiança dos outros, que possui maus costumes e que pode se mostrar perigoso para a sociedade. O meliante é o sujeito que não trabalha que vive de expedientes, ou seja, que vive de negócios fortuitos, ilícitos.

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