Ex-senador Gim Argello é preso, em Brasília, em nova fase da Lava-Jato

O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) recebeu R$ 5 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil da OAS. (Foto: Pedro França /Agência Senado)
O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) recebeu R$ 5 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil da OAS. (Foto: Pedro França /Agência Senado)

A Polícia Federal deflagrou na manhã nesta terça-feira (12) a Operação Vitória de Pirro, 28.ª etapa da Lava Jato. O objetivo é aprofundar investigações sobre a obstrução do trabalho de duas CPIs instaladas em Brasília para investigar a Petrobras em 2014. O ex-senador Gim Argello (PTB-DF) foi preso preventivamente. Além dele, a OAS é o outro principal alvo da operação.

O nome de Gim Argello apareceu nas delações do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. O Ministério Público Federal (MPF) diz que há evidências de que o ex-senador recebeu R$ 5 milhões em propina da empreiteira UTC Engenharia e R$ 350 mil da OAS. As duas empresas são investigadas na Lava Jato. Os fatos investigados nesta fase apuram a prática dos crimes de concussão, corrupção ativa, associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Vitória de Pirro remete à “expressão histórica que representa uma vitória obtida mediante alto custo, popularmente adotada para vitórias consideradas inúteis”. O nome vem de Pirro de Épiro (319/318 a.C.-272 a.C), rei grego que dedicou sua carreira a embates sangrentos com Roma. Segundo a crônica clássica de Plutarco, durante uma de suas campanhas no sul da Itália, Pirro comentou com quem lhe congratulou pelo sucesso em Ásculo (279 a.C): “Outra vitória como esta vai me destruir para sempre”.

Cem policiais federais cumprem 21 ordens judiciais, sendo 14 mandados de busca e apreensão, 1 mandado de prisão preventiva, 2 mandados de prisão temporária (contra dois assessores de Argello), 5 de condução coercitiva e 14 de busca e apreensão. As medidas estão sendo cumpridas nos municípios de São Paulo, Rio de Janeiro, Taguatinga (DF) e Brasília. A 13.ª Vara Federal de Curitiba ainda determinou o bloqueio de ativos de 2 investigados e de 3 pessoas jurídicas.

Segundo a PF, as investigações apuram a existência de indícios concretos de que “destacado integrante” da CPI do Senado e também da CPI mista do Congresso – no caso Gim Argello, que era vice-presidente desta última ?, “ambas com o objetivo de apurar irregularidades no âmbito da Petrobras em 2014, teria atuado de forma incisiva no sentido de evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação”.

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