Situação em centros de refugiados na Grécia pode sair do controle, diz Acnur

Mais de 500 refugiados e migrantes, na maioria famílias com crianças, teriam derrubado uma cerca do centro de registro e saíram pelas ruas da ilha de Chios, na Grécia (Foto: Reprodução/TV)
Mais de 500 refugiados e migrantes, na maioria famílias com crianças, teriam derrubado uma cerca do centro de registro e saíram pelas ruas da ilha de Chios, na Grécia (Foto: Reprodução/TV)

AGÊNCIA LUSA

A agência da ONU para os Refugiados alertou hoje (1º) para a crescente degradação das condições nos centros de detenção de refugiados na Grécia e advertiu que a situação pode sair do controlar, caso não haja uma atuação rápida das autoridades europeias.

“No centro de Moria, em Lesbos, as condições se deterioraram desde 20 de março, quando começaram a reter as pessoas que aguardam uma decisão sobre a sua deportação. Há agora cerca de 2,3 mil pessoas, quando a capacidade é para 2 mil. As pessoas dormem ao relento e a comida é insuficiente”, disse a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur), Melissa Fleming.

Em coletiva de imprensa em Genebra, a porta-voz explicou que “a frustração e a ansiedade entre os refugiados são generalizadas”, com muitas famílias separadas devido às novas normas.

As normas estabelecidas no acordo entre a União Europeia e a Turquia estabelece que todos os migrantes que cheguem irregularmente à Grécia devem ser reenviados para a Turquia.

Para garantir o respeito à legislação internacional, cada processo deve ser analisado individualmente e, durante o período de avaliação, o candidato a asilo deve ficar em um centro de acolhimento.

Mais de 500 refugiados e migrantes, na maioria famílias com crianças, teriam derrubado uma cerca do centro de registro e saíram pelas ruas da ilha de Chios, na Grécia
Mais de 500 refugiados e migrantes, na maioria famílias com crianças, teriam derrubado uma cerca do centro de registro e saíram pelas ruas da ilha de Chios, na GréciaOrestis Panagiotou/Agência Lusa/Direitos reservados
Tumulto

“Na ilha de Samos, no centro de acolhimento da cidade Vathy, as condições de recepção também pioraram, a salubridade do local é pobre e a distribuição de comida é caótica”, disse Melissa, acrescentando que na ilha de Chios, no centro de Vial, houve confusão na quinta-feira (31) à noite.

Segundo a agência grega ANA, três migrantes foram hospitalizados em Chios, após o tumulto que provocou vários estragos no centro de Vial e levou à intervenção da polícia. Segundo voluntários, a confusão começou depois de um protesto de migrantes que exigiam autorização para sair do campo, um dos cinco hotspots [centros de acolhimento] das ilhas gregas.

Melissa disse que recebeu as informações de funcionários do Acnur no local, apesar de a organização ter anunciado em 22 de março que não vai colaborar com as autoridades europeias no processo de identificação dos candidatos a asilo porque a detenção obrigatória de migrantes é contrária à sua política.

A decisão foi corroborada por várias organizações não-governamentais, entre as quais os Médicos Sem Fronteiras. “É horrível estar ali e não poder ajudar, mas temos de ser coerentes, não podemos colaborar com uma política que é contrária aos nossos princípios”, disse Melissa.

Apoio – Diante da situação, o Acnur voltou hoje a pedir à União Europeia que atue com urgência para, pelo menos, aliviar as necessidades dos migrantes.

“Foi prometida muita ajuda de Bruxelas, mas até o momento as autoridades gregas é que estão agindo, com a capacidade que têm, que não são suficientes”, disse a porta-voz. Ela também manifestou preocupação com a lentidão e as dificuldades no processo de registro dos migrantes e refugiados.

“Sem a ajuda urgente e o apoio da União Europeia, a capacidade limitada do serviço de asilo grego para registrar e processar os pedidos vai criar problemas”, advertiu.

Fleming alertou também para a situação “péssima” nos 30 locais da Grécia continental onde estão concentrados os refugiados que chegaram ao país antes de 20 de março. “Nas atuais circunstâncias, o risco de haver vítimas nesses locais é real”, disse.

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