Relatório da Agerba aponta quadro caótico no Ferryboat

O colapso na travessia Salvador-Ilha de Itaparica pode ocorrer no Verão. O sucateamento da frota se repete, depois de milhões investidos pelo governo em um sistema operado pela iniciativa privada. Um verdadeiro absurdo!
O colapso na travessia Salvador-Ilha de Itaparica pode ocorrer no Verão. O sucateamento da frota se repete, depois de milhões investidos pelo governo em um sistema operado pela iniciativa privada. Um verdadeiro absurdo!

A Agerba (Agência de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia) já tem em mãos um relatório completo sobre o que está acontecendo com a frota de navios do Sistema Ferryboat, todos do Estado, que são operados pela concessionária Internacional Marítima. E o quadro é bem mais grave do que aquele pintado pelo JORNAL DA MÍDIA em recentes reportagens: alguns ferries já estão completamente sucateados pela falta de manutenção.

E mais: não tem surtido qualquer efeito, até aqui, as investidas do órgão regulador para que a concessionária cumpra o contrato que assinou, que tem cláusulas claras sobre a obrigação da empresa do Maranhão em preservar o patrimônio público. Sem manutenção, os ferries ficam encostados, o serviço fica cada vez mais precário e já se teme o pior: o governo vai ter que investir novamente para recuperar os navios. Foram mais de R$ 150 milhões aplicados no sistema desde 2012 com resultados sofríveis e uma previsão clara de que o pior vem por aí.

Semana passada, em editorial, o JM alertava que o governador Rui Costa precisava tomar conhecimento do que vem realmente ocorrendo no Sistema Ferryboat para não se surpreender depois. Defendia o JM a necessidade de a Seinfra e a Agerba apresentarem documentos ao governador sobre a real situação que qualquer usuário habitual percebe.

Verão com Colapso – A Agerba, segundo asseguraram ao JM fontes da Seinfra e da agência de regulação, contratou dois especialistas com larga experiência em engenharia naval e transporte marítimo, que fizeram um verdadeiro Raio X da situação. O relatório dos profissionais mostra um quadro caótico das embarcações e faz uma previsão muito negativa e assustadora para o que poderá acontecer daqui para a frente no Sistema Ferryboat.

Preparem-se: o colapso pode chegar com o Verão.

Há quem afirme que a Internacional Marítima não dura muito à frente das operações do sistema: não trouxe nada de novo visando a melhoria dos serviços e não quer investir nada na manutenção dos navios, apesar de abocanhar toda a arrecadação da travessia Salvador-Bom Despacho. O faturamento é alto, mas sem nenhum retorno na melhoria do serviço. Quem conhece o sistema não tem dúvida em afirmar: a Internacional é a pior entre todas as concessionárias que já atuaram na Bahia – Comab, Kaimi e TWB.

Bons Padrinhos – A empresa do Maranhão não consegue emplacar, não inova e não melhora o serviço. Mas, dizem, tem bons protetores junto ao governo. Inclusive, na Secretaria de Infraestrutura. Parece que o governador Rui Costa recebe informações que nem de longe refletem o quadro geral do Sistema Ferryboat. A imprensa, por sua vez, pouco se importa para o que representa o ferry como transporte de massa. Não investiga nada e não entende absolutamente nada que envolva a travessia entre Salvador e a Ilha de Itaparica. É incrível o despreparo de alguns repórteres para o tema.

Bem distante de melhorar os serviços, a Internacional Marítima já estaria contando com o apoio logístico que procede da própria Seinfra, secretaria que deveria fiscalizá-la, através da Agerba. Informação seguríssima mostra que o governo procura uma área para a empresa ”construir” um estaleiro. A primeira busca do futuro ”empreendimento” já foi feita na Baia de Todos os Santos e nas proximidades de Aratu.

Verdadeira Bomba – O escalado para a missão, não se sabe a pedido de quem, foi o engenheiro Samir Mikhaiel Jabur Abud, ex-chefe de gabinete da Agerba e ocupando atualmente cargo de confiança SIT, órgão criado para substituir o extinto Derba.Será que o governo, que diz não ter dinheiro para nada, que está sem caixa, vai bancar tudo? Dizem que o mesmo servidor da SIT é encontrado mais no Terminal de São Joaquim que na própria sede do antigo Derba.

Notícias outras envolvendo o Sistema Ferryboat rolam por aí e chegam, cada vez com mais frequência, ao JM. Algumas falam em uma “verdadeira bomba” em relação a uma suposta evasão de receita, que deveria merecer uma atenção especial do Ministério Público da Bahia e da própria Agerba. É bom lembrar que o pecado já foi cometido também pela TWB, que era bastante denunciada pela Agerba por não mostrar nunca os números reais do quantitativo transportado pelo Sistema Ferryboat. Por enquanto, só comentários. Mas é bom se ter atenção redobrada. Vamos ficar de olho!

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