Policias militares saem dos quartéis mas fazem ”operação tartaruga”

O Exército continua nas ruas de Salvador
O Exército continua nas ruas de Salvador
Reportagem do jornal Folha de São Paulo mostra, com base em declarações de soldados da Polícia Militar da Bahia, que o descontentamento continua depois da prisão do líder da greve da corporação, Marco Prisco. Com o fim da greve, decretada no meio da tarde de quinta-feira (17), e a prisão de Prisco pela Polícia Federal, ontem, os soldados ensaiam agora uma operação tartaruga e muitos asseguraram que só saíram dos quartéis com medo de serem demitidos. Leia a reprodução abaixo da matéria da Folha de São Paulo:

Policiais militares da Bahia que passaram a madrugada deste sábado (19) aquartelados em protesto contra a prisão de Marco Prisco, vereador pelo PSDB em Salvador e líder da greve da categoria desta semana, começaram a voltar às ruas pela manhã. A retomada das funções começou, lentamente, após o início do turno das 7h. Oficiais graduados percorreram quarteis apelando pelo retorno e ameaçando demitir grevistas.

A Aspra, associação de praças e bombeiros liderada por Prisco, disse ter feito “esforço imenso” pela retomada das atividades, mas acusou participação do governo Jaques Wagner (PT) na prisão do líder da categoria, o que a gestão nega. A Folha apurou, contudo, que PMs ensaiam uma “operação tartaruga” em Salvador.

Soldados disseram à reportagem, pedindo anonimato, que estão voltando ao trabalho apenas por medo de retaliações. No entanto, segundo esses praças, o combinado é que os veículos da corporação não circulem pelas ruas principais da capital baiana e PMs não atuem de forma ostensiva.

“Vou cumprir as 12 horas do meu turno, mas não vou registrar ocorrência nenhuma. Só viemos para a rua porque o comando ameaçou nos demitir”, disse um soldado.

A ideia era atender apenas aos chamados mais urgentes da população e situações de risco que envolvam outros policiais. Nove soldados ouvidos pela Folha na manhã deste sábado (19) em duas unidades da PM em Salvador se disseram dispostos a retomar a greve, esperando apenas convocação de algum líder da categoria.

A greve da PM baiana se estendeu por cerca de dois dias entre terça (15) e quinta-feira (17). Foi acompanhada por uma explosão da violência em cidades como Salvador e Feira de Santana, e terminou com governo e grevistas cedendo em concessões e reivindicações.

Prisco foi preso pela Polícia Federal na sexta (18), um dia após o fim da greve. O pedido foi do Ministério Público Federal, que apontou “risco à ordem pública”. O governo da Bahia procurou se dissociar da operação, e a cúpula da PM passou a madrugada de sábado tentando evitar uma nova paralisação.

Na manhã deste sábado, a reportagem também percorreu diversas regiões da capital baiana, como Rio Vermelho, Graça, Campo Grande, Cidade Baixa e Uruguai. Verificou apenas um veículo da PM, mas imediações do elevador Lacerda. Já tropas do Exército e da Força Nacional permaneciam em ação.

Já no começo da tarde já havia mais PMs em bairros da capital baiana como Rio Vermelho, Federação e Graça, regiões de classe média.

O fim do aquartelamento enfrentava resistências em algumas cidades.

Em Feira de Santana, segunda maior cidade do Estado, que registrou um aumento expressivo dos homicídios nesta semana, parte das tropas permanecia nos quarteis, afirmou o diretor regional da Aspra Josafá Ramos. Em nota, a PM baiana informou que “o policiamento está sendo empregado gradativamente com a normalidade estabelecida”.

O secretário de Segurança Pública da Bahia, Maurício Barbosa, foi procurado pela reportagem. Segundo a assessoria da pasta, por ora somente a PM se manifestará. (André Uzeda e João Pitombo, Folha de São Paulo)

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