Fechamento da catedral do Rio na Semana Santa frustra fiéis e turistas

Paulo Virgilio
Repórter da Agência Brasil

O fato inédito do cancelamento, pela Arquidiocese do Rio de Janeiro, da programação da Semana Santa na Catedral Metropolitana de São Sebastião causou surpresa e indignação entre fiéis católicos e turistas que pretendiam visitar a igreja neste Sábado de Aleluia. A decisão, tomada por medida de segurança, ocorreu em função do acampamento, na entrada principal da catedral, de cerca de 50 pessoas, em sua maior parte ex-ocupantes do terreno da operadora de telefonia Oi, e que estavam até à madrugada de sexta-feira (18) em frente ao Centro Administrativo da prefeitura do Rio, na Cidade Nova.

Na manhã de hoje (19), cariocas e turistas, desinformados do cancelamento, chegavam ao local e se deparavam com a situação. Os noruegueses Geir e Kath Storemark, acompanhados da filha Marita, estavam percorrendo pontos turísticos da cidade, levados de carro por um amigo carioca, que se identificou apenas como Marco Antonio. O casal estrangeiro ficou decepcionado por terem que se contentar em apenas fotografar o templo do lado de fora.

“Em plena Semana Santa, viemos visitar a catedral e encontramos ela fechada. Um quadro como esse infelizmente já está se tornando uma coisa corriqueira em nosso estado”, lamentou Marco Antonio, que disse ser católico praticante.

Missionária da Igreja Católica, a jornalista Maria Bernadete Pinzón Felippe criticou o fato e disse que a arquidiocese deveria ter mantido a programação. “A Igreja não deveria ter recuado. Eu acho que essas pessoas deveriam ser retiradas de lá, porque isso não é um movimento, mas sim uma arruaça de uma dúzia de pessoas induzidas por lideranças com interesse em alguma coisa. Quem é que está por detrás das pessoas que estão acampadas lá?”, indagou.

Segundo Bernadete, a Igreja, por meio de suas pastorais, faz um trabalho social e ajuda as pessoas que realmente necessitam. Ela considera que não foi por acaso o fato de o grupo ter decidido acampar na porta da catedral justamente na Sexta-feira Santa, quando ocorreriam no local os atos litúrgicos da Paixão de Cristo. “A intenção é comprometer e banalizar a Igreja Católica nessa arruaça”, disse.

Apesar do cancelamento da programação na catedral, a Sexta-feira da Paixão foi celebrada na tarde de sexta-feira (18) em todas as paróquias e em muitas capelas da Arquidiocese do Rio. Na comunidade de Antares, em Santa Cruz, zona oeste da cidade, o cardeal dom Orani João Tempesta presidiu o ofício na Capela Santo Antônio e Nossa Senhora de Lourdes.

“É muito triste ver a violência, o rancor, o ódio, a divisão no coração das pessoas. Muito mais, quando os pobres são manipulados por interesses. O mundo precisa aprender a respirar a mensagem do Evangelho, que nos ensina a viver em paz, na fraternidade, no respeito ao outro”, disse o cardeal aos fiéis presentes.

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