Presidir o Senado era um dos projetos políticos de André Vargas

Foi mais um caso desastroso de arrogância aliada à certeza de impunidade. No início do ano, na abertura da sessão legislativa, quando desalojou o quarto secretário Simão Sessim (PP-RJ) para sentar-se ao lado do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, e fazer gestos para fotógrafos e companheiros, o então vice-presidente da Câmara, André Vargas (PT-PR), não imaginava que vivia ali seus últimos momentos de poder. Demorou pouco mais de dois meses para cair em desgraça. O petista paranaense enterra o projeto de se eleger senador na chapa de Gleisi Hoffmann (PT-PR), candidata ao governo do Paraná, e, depois, presidir o Senado e até sentar-se na cadeira da Presidência da República, durante os afastamentos do titular.

Truculento com adversários, falastrão e bem-humorado no dia a dia com os colegas, Vargas era um dos maiores críticos, no PT, de Barbosa, a quem via como o algoz dos companheiros no processo do mensalão. O gesto do braço erguido dos mensaleiros, considerado desrespeitoso pelo fato de estar ali representando a Câmara, foi somado a outras brincadeiras de mau gosto que marcaram negativamente sua imagem.

Vargas comandou, com o então líder do PT, deputado José Guimarães (CE), a articulação para tentar impedir a abertura de processo de cassação contra o então deputado José Genoino (PT-SP), preso no Complexo Penitenciário da Papuda, condenado no mensalão. A estratégia não foi bem-sucedida, e Genoino renunciou ao mandato. Por causa de Genoino, bateu boca com outros líderes do PT que defenderam a renúncia do ex-presidente petista.(Maria Lima, O Globo)

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