Otto Alencar ”pipoca” e diz agora que qualquer usuário poderia desligar o ”disjuntor” do ferry

Otto Alencar  inspeciona reforma dos ferries na Base Naval de Aratu: todos os navios quebraram novamente e o sistema segue capenga, a despeito dos R$ 40 milhões investidos pelo Estado. (Foto: Arquivo/Jornal da Mídia)
Otto Alencar inspeciona reforma dos ferries na Base Naval de Aratu: todos os navios quebraram novamente e o sistema segue capenga, a despeito dos R$ 40 milhões investidos pelo Estado. (Foto: Arquivo/Jornal da Mídia)
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

Depois de afirmar de forma repetida, em várias entrevistas, que o acidente com ferry “Pinheiro”, ocorrido semana passada, foi causado por sabotagem, o secretário de Infraestrutura e vice governador da Bahia, Otto Alencar, deu, como se diz na linguagem esportiva, uma autêntica pipocada. Com o impacto negativo de suas declarações, que motivaram uma ação do Sindicato Nacional dos Marinheiros junto ao Ministério Público do Trabalho e à Capitania dos Portos, o secretário procurou corrigir, na última sexta-feira, tudo que tinha declarado.

Aliás, vale ressaltar que não foi a primeira vez que o vice-governador acusou de sabotagem um acidente no Sistema Ferryboat, que está caindo pelas tabelas. Em setembro de 2012, a mesma acusação de sabotagem já tinha saido da boca de Alencar, quando o ferry “Anna Nery” teve um princípio de incêndio na praça de máquinas.

Em resposta à ação do Sindicato Nacional dos Marinheiros, Otto Alencar, saiu literalmente pela tangente: disse que não acusou nenhum funcionário da Internacional Marítima, empresa que administra o sistema.

sabotagem55“A Internacional me disse que foi sabotagem, que desligaram o disjuntor da bomba do leme, mas não disse que foi funcionário”, afirmou.

E, para espanto geral, o secretário ainda opinou que qualquer pessoa, inclusive um usuário do sistema, poderia ter desligado o tal disjuntor, que teria provocado a parada do navio, que ficou à deriva durante quase três horas no meio da Baía de Todos os Santos.

Bagunça Generalizada – Com todo respeito, mas a declaração do médico ortopedista Otto Alencar, divulgada pelo site “Bahia Notícias”, é ainda mais grave do que a sabotagem anunciada por ele. Se até um usuário pode entrar tranquilamente na cabine de comando de um ferry, uma área restrita e com acesso exclusivo dos tripulantes, para desligar equipamentos, é sinal que as inúmeras denúncias de que o sistema está entregue à sua própria sorte, sem qualquer fiscalização do governo, se tornam cada vez mais verdadeiras.

Repetindo, a exemplo do anúncio da ”sabotagem”, essa afirmação do médico Otto também só faz aumentar o temor dos usuários para o grande risco a que estão expostos ao utilizarem a travessia Salvador-Itaparica nos barcos operados pela Internacional Marítima, empresa que o Governo da Bahia foi buscar no Maranhão como “solução” para os gravíssimos problemas do Sistema Ferryboat. É inadmíssivel que uma autoridade do governo, secretário de Infraestrutura, responsável pelo sistema, tenha levado a público tamanha bobagem.

”Agora irão querer penalizar os marítimos, sob a estúpida alegação de sabotagem. Sou marítimo e não conheço qualquer colega de profissão que tenha essa índole perversa. Muito pelo contrário, eles sofrem quando navegam em embarcações cuja empresa não lhes dar condições para assegurar a boa funcionalidade”, comentou o mestre de cabotagem Vital Leite, em poster publicado no JM.

Falta Competência e Qualificação – Ex-comandante da extinta Companhia de Navegação Bahiana, Leite revela: ”No meu tempo de CNB, os maríitimos cuidavam da conservação das embarcações e da manutenção preventiva. Tínhamos orgulho de ver nosso barco limpo, pintado e com pronto operar acima da média. Entretanto, durante todo período de privatização do sistema, o Governo da Bahia deu prioridade às empresas cuja capacitação técnica sempre foi duvidosa”, sustentou.

E detona:

”Esses navios foram todos reformados pela Lumar, ao custo de R$ 40 milhões. Como explicar esse estado de penúria que se encontram todas as embarcações? O Ministério Público Federal precisa urgentemente abrir linhas investigativas para apurar o que está acontecendo. Se a reforma fosse feita por empresas qualificadas, certamente o resultado seria outro e o dinheiro dos contribuintes estaria bem aplicado. Mas o Governo da Bahia optou por uma empresa, pasmem, de operação portuária com lanchas, sem qualquer comprovação de atuação na atividade de manutenção naval”.

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10 Comentários

  1. indgnado

    VOCES REPARARAM QUE EN TODO LUGAR EM QUE O PT GOVERNA AS COISAS SAO SEMPRE MAIS CARAS E DUVIDOSAS PORQUE ESSEA EMPRESA QUE TEM ORIGEN DUVIDOSA PERTENCE A SARNEY QUE E ALIADO DO PT E UM GRANDE MARFIOSO PORQUE TANTOS MILHOES JUSTO NO ANO DE ELEIÇÁO

  2. Acioly

    Fedegoso, eu estou curioso por sua comemoração ao fato de Oto Alencar ter feito esta declaração abestalhada de dizer que QUALQUER UM PODE ENTRAR E BOICOTAR, VIRAR A CHAVE, DEsLISGAR UM DISJUNTOR. POR FAVOR Fedegoso, você que é o Âncora desse Forum dê sua opinião. Vc acha que Otto Alencar é apoiador ou não do PT de Wagner? Vc acha que Oto Alencar tomou algum esporro de Wagner pra mudar de atitude? Vc acha que o dono da Internacional Marítima, amigo de todos eles, de Otto e de Wagner, tem culpa no cartório? Vc acha que o dono da empresa Internacional é mesmo sócio de Roseane Sarney ou de Zequinha Sarney? Me responda Fedegoso, você que defende tanto o PT. Vc também é PTralha Fedegoso? Responda.

  3. Vital

    O sistema Kamewa é um equipamento de excelente performance. Existem várias embarcações que continuam operando com esse sistema sem qualquer problema, inclusive mais antigas.

    A realidade é que esse sistema deveria ser mantido por profissionais qualificados e nunca por aventureiros.

    Colocar a LUMAR para dar manutenção num sistema sofisticado e complexo, mas ao mesmo tempo, simples e eficiente de operar, foi a maior irresponsabilidade já ocorrida.

    Os rebocadores da Petrobrás, Netuno e Jupiter, eram equipados com sistema Kamewa desde 1959, ano em que foram construídos e operavam adequadamente, pois a Petrobrás jamais permitiu amadores irresponsáveis fazendo manutenção desse sistema.

    Portanto, não é a idade do sistema Kamewa o fato relevante, mas sim, os amadores aventureiros que assumiram a manutenção desse sistema com a aval do Governo da Bahia. O resultado está aí pra todos verem.

    A TWB não é parâmetro para ser citado, pois assim como a LUMAR, é uma empresa de fachada, aventureira, e sem qualquer qualificação técnica. O histórico da TWB não é nada diferente do histórico da LUMAR e de outras famosas empresas que permeiam o Governo da Bahia e atualmente atuam na Petrobrás, pois o patrono é a mesma figura conhecida nos meios políticos.

    O mensalão do Ferry Boat precisa ser investigado ainda neste ano!

  4. Lenise Ferreira

    Neste momento uma criança passa mal à bordo do ferry Ivete Sangalo que saiu da Ilha Às 23:30. Não existe possibilidade de socorro e o comandante apela para alguém da área de medicina que esteja a bordo da embarcação.

    A propósito. Onde esta a prancha que ante elevava os carros e os tanques de gás que foram retirados? viraram sucatas?

  5. Paulo

    OS PRESÍDIOS DO MARANHÃO ESTÃO SENDO ADMINISTRADOS POR UMA EMPRESA DE FACHADA CUJO DONO É O MESMO DA INTERNACIONAL MARÍTIMA. O QUE PODEMOS ESPERAR DA OPERAÇÃO DOS FERRIES? SE A TWB FOI INTERDITADA PELO ESTADA, POR QUE PERMITEM QUE UM EMPRESA COMO ESSA POSSA PARTICIPAR DE UMA LICITAÇÃO? É A TRAGÉDIA ANUNCIADA…

  6. José Valverde Valverde - Via Facebook

    QUE VERGONHA WAGNER // Então, descrente com o Ministério Público Estadual, que estaria submetido ao governador, como se deduz de reiteradas afirmações da juíza Eliana Calmon, a presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, Lenise Ferreira, vai apelar para o Ministério Público Federal. Sem um sistema ferryboat minimamente eficiente, a atividade comercial na ilha desabou, daí sua justa revolta.

  7. Junior

    Um exemplo de uma privatização completamente nociva e danosa ao público e também ao patrimônio do povo é só qualquer leitor visualizar no site de imagem comparar a mesma embarcação quando pertencia ao antiga CNB toda pintada sem ferrugem nenhuma e agora que esta sobre administração privada
    a companhia só tinha (06) seis embarcações mais todas estavam prontas para funcionar nós usuários eramos felizes e não sabíamos.

  8. Lenise Ferreira

    24 ANOS DE TRAVESSIA E PELA PRIMEIRA VEZ me sinto apavorada. Saber que qualquer pessoa pode entrar no comando e desligar um botão…………….gente !!!!!!!! já pensou isto ocorrendo na cabine de comando de um AVIÃO??????? SORTE A NOSSA que por lá a AGERBA não apita nada………….ainda. Por lá que eu digo é no AEROPORTO DOIS DE JULHO…………….opsssssssss, o PT também não conseguiu realizar esta mudança…………AEROPORTO LUIS EDUARDO MAGALHÃES.

    Durante esta gestão do sistema ferry boat já vimos de tudo, carros caindo no mar, navios atracando em varandas residenciais, carros do Estado na feira do rato, pranchas desaparecidas, superfaturamento, sucateamento, incompetência, omissão, PEDRAS NO CASCO, assaltos cinematográficos, malas pretas passeando, ações e mais ações judiciais, muito AMADORISMO, MUITA IRRESPONSABILIDADE, MUITA NEGLIGÊNCIA, MUITAS MENTIRAS E AGORA SABOTAGEM.

    E O POVO????? para este, nada mudou, continuam as humilhações, os prejuízos, as promessas e este ano a busca de votos.

    ABRE O OLHO POVO DA BAHIA…………………ABRE O OLHO !!!!!

  9. Vital

    Conclamo aos pré candidatos ao Governo da Bahia que estabeleçam como prioridade em seus projetos de governo que a Companhia de Navegação Bahiana – CNB seja resgatada e, novamente, o sistema ferry boat seja estatizado.

    Não sou sectário ao ponto de achar que algumas privatizações não são necessárias. Mas serviços de transporte público como é o caso do sistema Ferry Boat não há como se manter privatizado e, ao mesmo tempo, manter tarifas acessíveis. Os custos são muito elevados e nenhum empresário sério irá assumir todos os riscos desse tipo de empreendimento.

    Para darem suprimentos aos custos do sistema ferry boat teriam que praticar tarifas altíssimas e que o povão não poderia arcar.

    Portanto, os “empresários” que já passaram por ali e os atuais, notadamente, estão que nem francos atiradores, ou seja, esperando cada momento certo para darem seus pulos e depois deixarem para trás o bagaço, como fizeram até o momento.

    Dessa forma, os senhores Geddel Vieira Lima, Paulo Souto, João Gualberto já poderiam, com o apoio dos deputados Imbassahy, Jutahy, Gaban, ACM Neto e outros, ir pensando num novo modelo de estatização do sistema, de forma tal, que possa estancar a gastança desenfreada que ocorre atualmente e, concomitantemente, assegurar uma performance de qualidade que possa resultar em regularidade operacional para possibilitar o bom atendimento aos usuários.

    Não resta a menor dúvida que essa medida dará bons frutos para sufrágio que se avizinha.

  10. Fedegoso

    Prezados, eu agora estou me aprontando é que vou ser deputada. Vou marcar o meu nome em cima desses …. Vou me arrumar. Qualquer deslise e estou deputada. Farei como faz o meu irmão, vou ser boa de gogó. E só.

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