Polícia Civil prende cerca de 30 na Cracolândia

Bruno Bocchini
Agência Brasil

São Paulo – Em uma ação isolada, a Polícia Civil de São Paulo deteve cerca de 30 pessoas hoje (23) na região conhecida como Cracolândia no centro da capital paulista. Desses, quatro são acusados de tráfico de drogas. Os demais foram detidos “para averiguação”, segundo a diretora do Departamento de Investigação e Repressão contra o Narcotráfico (Denarc), Elaine Biasoli, que determinou a ação dos policiais.

De acordo com Elaine, a investida da polícia não foi comunicada à prefeitura – que faz um programa que acolhe dependentes químicos na região – e nem à Polícia Militar – que tem um posto policial na área – por se tratar de uma “ação penal pública incondicional”. Ela também disse que não conversou com o secretário de Segurança Pública do estado, Fernando Grella.
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“É uma ação penal pública incondicional. Onde tem tráfico, às vezes, não dá tempo de avisar ninguém. Então não é uma operação orquestrada, é uma ação de área do Denarc. E vai continuar [acontecendo], onde tiver tráfico o Denarc vai. Foi uma ação dentro da legalidade”, disse Elaine, que não soube informar a quantidade de droga apreendida. Ela não soube precisar, também, o número exato de presos e detidos. Disse apenas, que foi “cerca de 30”.

Segundo a diretora, os policiais, com viatura descaracterizada e à paisana, foram à Cracolândia para prender um traficante. No entanto, foram recebidos com agressão. “Os policiais foram recebidos a pauladas, quebraram a viatura, feriram o policial, e aí foi pedido reforço. E nós mandamos o reforço para poder concretizar a prisão”, disse.

O reforço teve oito viaturas da Polícia Civil e 24 policiais. Eles portavam armamentos antimotim, como bombas de efeito moral, e não tinham munição letal. Quando chegaram, efetuaram as prisões e as detenções.

A diretora disse que o procedimento adotado hoje é corriqueiro e não será revisto. Ela informou que que já prendeu 65 suspeitos de tráfico de drogas na Cracolândia em ações similares. “O programa da prefeitura eu não conheço a fundo, deve ser mais social. O meu problema é policial”, disse.

Alana Novais compareceu à delegacia à procura do marido, José Américo Gomes de Novais, um dos detidos na ação. Segundo ela, Américo estava na Cracolândia fazendo compras e foi preso porque filmou a ação da polícia. “Ele começou a filmar a polícia batendo em ‘nóia’ [viciado em crack] e foi detido”, disse. A prisão, segundo ela, ocorreu no Largo Coração de Jesus.

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