Sindicato repudia acusação de Otto Alencar sobre sabotagem no ferry e vai à polícia

Acusada de sucatear os navios do sistema ferryboat, a TWB terá que promover um aporte de R$ 36 milhões antes de ter liberado o reajuste de 5,11% para as suas tarifas neste mês de junho. O ''aporte'' será feito com papel podre? (Foto: Arquivo/Jornal da Mídia)
O sucateamento das embarcações é constante (Foto: Arquivo/Jornal da Mídia)
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

Salvador – A declaração do secretário de Infraestrutura, Otto Alencar, de que houve “sabotagem” para que o ferryboat “Pinheiro” ficasse à deriva na Baía de Todos os Santos, foi repudiada pelo Sindicato Nacional dos Marinheiros e Moços de Máquinas, Paulo César Lindote. O sindicalista considerou uma ofensa aos trabalhadores marítimos as declarações de Alencar, que também é vice-governador da Bahia.

“É inadmissível que uma autoridade do governo da Bahia, um vice-governador, seja tão ofensivo aos trabalhadores, acusando os marítimos que atuam no sistema ferryboat da Bahia de promoverem sabotagem, sem sequer ter instalado ainda a sindicância para apurar os fatos. Ora, o Sr. secretário já antecipou que houve sabotagem. Isso é um absurdo, é uma acusação, e nós, que sabemos da responsabilidade do governo, que tem em sua essência a força do trabalhador, não aceitamos essa acusação e vamos tomar todas as providências cabíveis”, afirmou Lindote.

O sindicalista revelou ao JORNAL DA MÍDIA, por telefone, que vai entrar com uma queixa junto ao Ministério da Marinha e à Polícia Civil da Bahia exigindo que seja investigada a denúncia de sabotagem feita pelo vice-governador Otto Alencar.

“Não acreditamos, sinceramente, que em um governo dos trabalhadores, essas coisas (as declarações de Otto) aconteçam. É inadmissível que o trabalhador seja crucificado sem a comprovação de nada. Queremos e vamos exigir uma investigação completa. Isso é leviandade”, reforçou Lindote.

O presidente do Sindicato Nacional dos Marinheiros, entidade que tem 110 anos de atuação no setor marítimo, afirmou que se nada for comprovado contra os trabalhadores que estavam embarcados no ferry “Pinheiro”, o sindicato irá às últimas consequências contra o vice-governador Otto Alencar.

Leia Também:

Bomba-Relógio – O problema com o ferry “Pinheiro”, que ficou à deriva na segunda-feira, com imagens mostradas nacionalmente pelas redes de TV, na verdade já tinha acontecido no domingo, mas não com o mesmo teor de gravidade. O ferry teria chegado em Bom Despacho e ao tentar atracar o sistema de reversão falhou.

Na segunda-feira, o mesmo problema se repetiu, apesar de a empresa Internacional Marítima já ter sido avisada pelos tripulantes dos graves problemas. Os marítimos acusam a concessionário de descuidar na manutenção dos navios.

A presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, Lenise Ferreira, fez uma declaração bombástica, ao citar documentalmente uma mensagem em SMS que recebeu dia 3 de janeiro de um marítimo, tripulante do “Pinheiro”:

“Dia 3 de janeiro recebi torpedo de um tripulante me recomendando para evitar viajar no Pinheiro pois, segundo ele, é uma bomba-relógio. Falei com Carlos Henrique da (diretor da Internacional Marítima) e obviamente, nada foi feito”, declarou.

Leia também:

Notícias Relacionadas

3 Comentários

  1. Vital

    Esses navios foram todos reformados pela LUMAR. Colocaram nos cofres dessa “empresa” algo superior a 40 milhões de reais.

    Como explicar esse estado de penúria que se encontram todas as embarcações?

    O Ministério Público Federal precisa urgentemente abrir linhas investigativas para apurar os fortes indícios de crimes de Fraudes à Licitação, desvios de dinheiro público, favorecimentos, enriquecimento ilícito, formação de quadrilha.

    É revoltante estar vendo esse estado de coisas e nada ocorrendo.

    Agora irão querer penalizar os marítimos, sob a escrota alegação de sabotagem.

    Sou marítimo e não conheço qualquer colega de profissão que tenha essa índole perversa.

    Muito pelo contrário, eles sofrem quando navegam em embarcações cuja empresa não lhes dar condições para assegurar a boa funcionalidade.

    No meu tempo de CNB, os maríitimos cuidavam da conservação das embarcações e da manutenção preventiva. Tínhamos orgulho de ver nosso barco limpo, pintado e com pronto operar acima da média.

    Entretanto, durante todo período de privatização do sistema o Governo da Bahia deu prioridade às empresas cuja capacitação técnica sempre foi duvidosa.

    O mais grave de tudo isso é contratar uma empresa como a LUMAR para executar serviços de manutenção, sem ter qualquer qualificação técnica que justificasse essa decisão governamental.

    Quando essas embarcações estavam ainda em “manutenção” pela LUMAR, eu tive o cuidado de alertar que os Ferries iriam se arrastar pelos mares da Baía de Todos os Santos.

    E estamos vendo isso agora e até mesmo logo depois quando foram devolvidas ao tráfego, após os “reparos” feitos pela LUMAR.

    O Ministério Público Federal precisa saber onde está a verdade e pedir explicações, relatórios e prestações de contas de toda a dinheirama gasta nessas “reformas” pela LUMAR.

    Se a reforma fosse feita por empresas qualificadas, certamente o resultado seria outro e o dinheiro dos contribuintes estaria bem aplicado. Mas o Governo da Bahia, optou pela LUMAR, uma empresa de operação portuária com lanchas, sem qualquer comprovação de atuação na atividade de manutenção naval.

    O mensalão deixou exemplos a ser seguido que o crime não compensa. Pode estar surgindo outro tipo de mensalão: O MENSALÃO DO FERRY BOAT.

  2. grisalho

    Boa Cmdte Vital,
    não podemos aceitar que joguem a culpa nos marítimos, muitos se sacrificam para que essas embarcações tenham mínimas condições de navegação, quanto ao problema de reversão do FB Pinheiro, já é um problema antigo, que se arrasta desde 2011 e somente com a retirada do sistema Kamewa é que sera solucionado, pois o que esta instalado é antigo e sem condições de reparo, quando a TWB estava operando, já estava em consultas para a substituição.

  3. Vital

    Grisalho,

    O sistema Kamewa é um equipamento de excelente performance. Existem várias embarcações que continuam operando com esse sistema sem qualquer problema, inclusive mais antigas.

    A realidade é que esse sistema deveria ser mantido por profissionais qualificados e nunca por aventureiros.

    Colocar a LUMAR para dar manutenção num sistema sofisticado e complexo, mas ao mesmo tempo, simples e eficiente de operar, foi a maior irresponsabilidade já ocorrida.

    Os rebocadores da Petrobrás, Netuno e Jupiter, eram equipados com sistema Kamewa desde 1959, ano em que foram construídos e operavam adequadamente, pois a Petrobrás jamais permitiu amadores irresponsáveis fazendo manutenção desse sistema.

    Portanto, não é a idade do sistema Kamewa o fato relevante, mas sim, os amadores aventureiros que assumiram a manutenção desse sistema com a aval do Governo da Bahia. O resultado está aí pra todos verem.

    A TWB não é parâmetro para ser citado, pois assim como a LUMAR, é uma empresa de fachada, aventureira, e sem qualquer qualificação técnica. O histórico da TWB não é nada diferente do histórico da LUMAR e de outras famosas empresas que permeiam o Governo da Bahia e atualmente atuam na Petrobrás, pois o patrono é a mesma figura conhecida nos meios políticos.

    O mensalão do Ferry Boat precisa ser investigado ainda neste ano!

Comentários estão suspensos