Acusado de pedofilia, prefeito de Coari diz que denúncias são falsas

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O prefeito de Coari (AM), Adail Pinheiro (PRP), disse que são mentirosas as denúncias de que comanda uma rede de prostituição infantil e de que abusou sexualmente de meninas da cidade. Em nota divulgada hoje (21), o político informa que acionará a Justiça para responsabilizar os que, segundo ele, vêm o caluniando e o difamando.

As denúncias contra Pinheiro voltaram à tona depois de o programa Fantástico, da TV Globo, exibir no domingo (19) reportagem mostrando que o prefeito responde a 70 processos na Justiça do Amazonas. Segundo o programa, apesar da quantidade e gravidade das denúncias, os processos em que Pinheiro figura como réu estariam parados, à espera de julgamento, suscitando a hipótese de ele estar sendo beneficiado por juízes.

Segundo ele, mulheres que se apresentam como vítimas e o denunciam são familiares de um político que lhe faz oposição em Coari e que isso é amplamente sabido pela população da cidade. O prefeito garante jamais ter mantido qualquer tipo de relacionamento com as mulheres e sugere que as denúncias sejam uma maneira de prejudicá-lo às vésperas de ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O prefeito ressalta que a reportagem veiculada no Fantástico aborda um tema já discutido e investigado, inclusive pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, da Câmara dos Deputados, à qual ele prestou depoimento em agosto de 2013. Segundo o prefeito, as investigações sobre o assunto não resultaram em “nenhum fato comprobatório de qualquer acusação”.

De acordo com a deputada federal Erika Kokay (PT-DF), Adail foi ouvido sobre uma suposta rede de exploração sexual de crianças e adolescentes que seria chefiada por ele, mas já vinha sendo investigado Polícia Federal desde 2006, devido a indícios de desvio de recursos públicos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) repassados a Coari. As denúncias de pedofilia começaram a aparecer no decurso dessas investigações, em escutas telefônicas judicialmente autorizadas, realizadas pela PF. As investigações culminaram na chamada Operação Vorax, cujo relatório foi divulgado em 2008. Desse relatório resultou a prisão de Adail, em 2009.

Desde 2010, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) puniu quatro juízes e investigou mais três – que terminaram inocentados – por relações irregulares com o prefeito de Coari. Dois dos magistrados foram aposentados compulsoriamente por atuar em benefício da prefeitura de Coari, que disputava com a capital amazonense, o repasse da arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a exploração de petróleo e gás natural em Coari. A atividade petrolífera fez do município o segundo mais rico do Amazonas.

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