Ferryboat é um transtorno para os usuários, menos para a concessionária, que fatura alto.

REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

Salvador – Os usuários do Sistema Ferryboat continuam penando com os péssimos serviços da travessia Salvador-Bom Despacho, explorados pela Internacional Marítima, empresa que o Governo da Bahia foi buscar no Maranhão como solução. Prestes a participar da concorrência anunciada pelo governo para escolha da concessionária que vai operar em definitivo a travessia, a Internacional segue cometendo as mesmas falhas da sua antecessora, a TWB, que sofreu intervenção do Estado em setembro de 2011. Por sua atuação desde que chegou à Bahia, onde fatura alta, não investiu nada e nem paga nada pelo aluguel das embarcações, fica claro que a atual concessionária consegue ser pior que a anterior.

Encontrar ferries desativados e quebrados nos terminais é uma cena comum. E o mais interessante é que o Estado gastou R$ 40 milhões para a reforma de todas as embarcações. Os serviços foram feitos pela própria Internacional Marítima e não duraram nada: todos os navios voltaram  a quebrar, alguns em menos de uma semana em operação. (Foto de 8/01/2014, às 16h, no Terminal de São Joaquim/Jornal da Mídia)
Encontrar ferries desativados e quebrados nos terminais é uma cena comum. E o mais interessante é que o Estado gastou R$ 40 milhões para a reforma de todas as embarcações. Os serviços foram feitos pela própria Internacional Marítima e não duraram nada: todos os navios voltaram a quebrar, alguns em menos de uma semana em operação. (Foto de 8/01/2014, às 16h, no Terminal de São Joaquim/Jornal da Mídia)

Operando com um “contrato emergencial” que se arrasta por 10 meses, a empresa maranhense, cujo dono é o empresário Luiz Carlos Cantanhede, ex-sócio de Jorge Murad, marido de Roseane Sarney, está muito longe de satisfazer os usuários. No final de semana, a fila de espera para quem tentou embarcar na quinta-feira (8) durou mais de quatro horas, principalmente a partir do meio dia. Na sexta-feira, o sufoco foi ainda maior: mínimo de seis horas na fila de veículos, que se mistura à Feira de São Joaquim e inferniza ainda mais a vida dos usuários. E se não bastasse, ainda existem “prioridades especiais” para apadrinhados, que furam a fila de forma desrespeitosa para fugir do sufoco.

“Passei cinco horas na fila de prioridade na última sexta-feira (9). Pátios lotados, filas imensas passavam da agência da Caixa Econômica, na Calçada. Ontem (13), retornando da Ilha à noite, passei outras quatro horas e só três navios em tráfego. Entrei em contato com o Sr. Carlos Henrique, diretor da Internacional, e o mesmo respondeu que ia tentar “agilizar” o embarque. Onde está a leviandade? Melhor, onde estava a Agerba e o Procon? Soube que este órgão agora resolveu se manifestar e trabalhar, fazer o papel que a Agerba, que recebe a TPP e não faz”, relata a empresária Lenise Ferreira, presidente da Associação Comercial de Vera Cruz, que diariamente utiliza a travessia.

Lenise aponta uma irregularidade que testemunhou no Terminal de São Joaquim: “Na sexta-feira, em São Joaquim, depois de horas na fila, cheguei Às 21h20 ao terminal e por volta das 23h50 estava no guichê de vendas de passagens. Ouvi claramente quando um funcionário da Internacional Marítima determinou para a colega que a zero hora deixasse o caixa até a virada da tarifa, que é maior em 30% nos dias de sábado, domingos e feriados. O correto seria identificar os passageiros que chegaram na fila até às 23h30 e só então cobrar daqueles que chegaram após este horário. No entanto, ao que nos parece, a lentidão no atendimento gera lucro também”, sustentou.

Incapacidade Operacional – Indiferente às críticas dos usuários, a Internacional Marítima informa, através de nota da empresa que lhe presta assessoria de imprensa, que o quadro é bem diferente, que o usuário está confiante e que a prova disso é que a demanda está crescendo. Na última quinta-feira, por exemplo, enquanto a empresa anunciava que cinco ferries estavam em tráfego, ao meio dia só existiam quatro e a partir das 15h, somente três. Às 15h, o ferry “Juracy Magalhães” chegou ao Terminal de São Joaquim e por lá ficou, fazendo companhia ao “Pinheiro” nas gavetas. E só ficaram três navios em tráfego – “Anna Nery”, “Ivete Sangalo” e “Agenor Gordilho”. Com três ferries, é impossível se atender bem, principalmente em um período de grande demanda, como o Verão.

A falta de capacidade operacional é tão gritante que a Agerba destacou o diretor Bruno Moraes para trabalhar junto à Internacional Marítima na tentativa de melhorar o serviço. Moraes foi o interventor da Agerba na TWB e assumiu o sistema em situação bem mais precária – com apenas dois navios em condições de tráfego, ao contrário da Internacional, que fez a “reforma” dos sete ferries, com recursos do Estado, com a promessa de que todos estariam em tráfego desde o Verão 2012-2013.

O ano passou e só cinco funcionam, em condições precárias, quebrando constantemente. O normal é o usuário só encontrar dois ou três barcos atendendo. Quer dizer, o caos é o mesmo do Verão anterior, levando milhares de usuários que querem atravessar de carro, a pegarem a estrada. Os usuários habituais do sistema não têm dúvida que o período em que durou a intervenção da Agerba no ferry, o serviço estava bem melhor.

Com a aproximação da licitação, que segundo dizem, vai vencer com facilidade, a companhia do empresário Luiz Carlos Castanhede, que ressurge agora nas manchetes dos principais jornais do país em uma operação com o sistema penitenciário do governo do Maranhão, não emplacou na Bahia e está muito distante de conquistar a confiança dos usuários do Siste Ferryboat.

Leia abaixo, na íntegra, a nota da Internacional Marítima:

Prezado editor,

Em respeito aos seus leitores, mais uma vez voltamos a nos pronunciar em resposta a texto veiculado pelo Jornal da Mídia na última quarta-feira, 8. Sobre a matéria “Ferryboat: Internacional Marítima garante que serviço é bom e que a população ‘confia’”, registramos os seguintes esclarecimentos:

1. Reafirmamos que estivemos em tráfego com cinco embarcações na segunda-feira, 6, incluindo o ferry Agenor Gordilho. O fato de o site ter fotografado a embarcação não significa que ela esteve fora de operação durante aquele dia. Insistimos: nos momentos em que uma das embarcações foi retirada da operação, o fato foi repassado imediatamente para a imprensa em nossos boletins diários.

2. Diferente do que afirma o jornal, sem nenhuma base, a Internacional Marítima de forma nenhuma permite que algum dos seus colaboradores “mandem furar a fila de prioridade”. Pelo contrário, nossos colaboradores são orientados a coibir tal prática, que denota desrespeito e busca de vantagem indevida a custa do prejuízo do direito do outro.

Estranhamos a insistência com que o Jornal da Mídia tem divulgado informações e mais informações incorretas, maliciosas, com o claro intuito de desacreditar o Sistema Ferry Boat e a empresa que faz a gestão atual.

Reafirmamos que a Internacional Marítima é uma empresa séria, comprometida com a qualidade do serviço que presta e atua em grandes regiões do país com êxito. Aceitamos o desafio de operar o Sistema Ferry Boat na Bahia e sabíamos que estávamos contando com uma estrutura que necessitava de grande intervenção e pesados investimentos, com embarcações com mais de 30 anos em tráfego. Toda uma situação anterior à gestão da Internacional Marítima que é emergencial justamente para minimizar os efeitos de uma transição para um novo momento do serviço de travessia Salvador-Itaparica.

Enfatizamos que esse caráter emergencial e transitório, no entanto, não nos impede de fazer o melhor possível dadas as condições encontradas. É assim que estamos agindo e as pessoas, em geral, tem percebido que temos trabalhado com correção, com transparência, ética e máximo de respeito pelo usuário e pela população baiana.

Atenciosamente,
ASSESSORIA DE IMPRENSA DA INTERNACIONAL MARÍTIMA

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2 Comentários

  1. Fedegoso

    Cambada de trouxas! Quem puser aquilo para funcionar apanha, vai tomar coro de gato morto até o bicho miar. Explico. Se aquilo funcionar aquilo não dá lucro. Ora bolas! Pra aquilo funcionar tem que se pôr ferrys pra lá e pra cá bem cronometrado, azeitadinho, limpinho e cheiroso. E isso custa dinheiro. E andar vazio dá prejuízo. Então. Deixa-se juntar gente de um lado e de outro. Depois passa o vaso, recolhe o dinheiro e transporta os gajos. Tem que dar lucro, ô xente! E pobre é um saco. Tem pouco dinheiro. Só juntando muita gente para compensar. Tem que ir lotado, entupido, todo mundo apertadinho. Tem que dar lucro. Entenderam? Pra que botar 5 ou 6 embarcações se vocês não pagam o suficiente para compensar? Pobre tem cada mania! Se lascar ô meu! Toda vida foi assim e vcs querem reclamar agora?

  2. Netuno

    QUANDO DIZEM QUE A INTERNACIONAL MARITIMA E BEM PARECIDA COM A TWB ESTÃO FALANDO A PURA VERDADE. NA VIRADA DO ANO ZARPARAM DE BOM DESPACHO PARA SSA COM 500 MIL, AQUELE VELHO TRUQUE MUITO CONHECIDO DE NOS FUNCIONARIOS COM A PARTICIPAÇÃO DE SUA GERENTE E UM FUNCIONARIO QUEBRANÇA ESTE QUE SEMPRE SE APROVEITA DESTAS SITUAÇOES PARA SE DAR BEM. NO MOMENTO ELE SE SENTE UM PINTO NO LIXO SALTITA DE ALEGRIA.

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