Procon assume papel da Agerba e multa empresas na Rodoviária de Salvador

Os próprios fiscais da Agerba denunciam: as multas aplicadas ao transporte clandestino não valem nada. A Agerba é comandada por políticos, filhos de deputados aliados do governo Wagner.
Os próprios fiscais da Agerba denunciam: as multas aplicadas ao transporte clandestino não valem nada. A Agerba é comandada por políticos, filhos de deputados aliados do governo Wagner.
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

Salvador – Enquanto a Agerba (Agência de Regulação dos Serviços de Transportes da Bahia) fecha os olhos, o Procon-Bahia assume o seu papel e fiscaliza o transporte intermunicipal de passageiros na Bahia. De 30 empresas fiscalizadas na Estação Rodoviária de Salvador pela autarquia da Secretaria de Justiça, nove foram autuadas pelo Procon: São Matheus, Águia Branca, Bonfim, Transbrasil, Expresso São Luiz, Cidade Sol, Rápido Federal, Real Expresso e Novo Horizonte.

A atribuição de fiscalizar as empresas que atuam na Bahia no sistema de transporte é – ou seria – toda da Agerba. Mas como a agência estadual que regula o setor parece não ter se encontrado ainda no governo Wagner, o Procon resolveu atuar em seu lugar. E vejam o que o órgão da Secretaria de Justiça da Bahia descobriu em apenas um dia de fiscalização na Estação Rodoviária de Salvador, onde a Agerba tem posto fixo instalado e toda uma estruutura para fiscalizar:

“Nas empresas que possuem concessão de linhas de transporte coletivo rodoviário intermunicipal e interestadual, irregularidades como ausência do exemplar do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em local visível e de fácil acesso, inexistência de tabela de preços fixadas nos guichês, além de condicionar o consumidor a modalidade de pagamento de tarifa de embarque somente em dinheiro”, diz nota à imprensa do Procon.

Cabide de Emprego – Transformada em cabide de emprego, a Agerba tem o seu setor de fiscalização totalmente controlado hoje por políticos da base do governador Jaques Wagner. A Diretoria de Fiscalização tem como titular o filho do deputado João Bonfim, Guilherme Bonfim – dizem que este é o primeiro emprego do rapaz. De quebra, a Gerência de Fiscalização é ocupada por Antonio Galdino, cunhado do deputado Rogério Andrade. Quer mais? Na diretoria de Tarifas, o titular é Paulo Magalhães Júnior, filho do deputado federal Paulo Magalhães.

Mas, não acaba por aí a farra que determinou o controle político imposto pelos aliados do governo do PT na agência de regulação estadual, que já foi umas das referências do setor em todo o país: o deputado estadual Roberto Carlos, aquele mesmo cara, comanda toda a diretoria de Pesquisas e Tarifas. O títular é Cássio Moretti.

O diretor-executivo da Agerba é o advogado Eduardo Pessoa, que quando assumiu o cargo, em 2011, foi indicado pelo então secretário da Fazenda Carlos Martins (com o apoio das empresas de transportes). Martins foi derrotado nas eleições de Candeias pelo Partido dos Trabalhadores. Teria entrado em desgraça com a crise financeira que causou um rombo de R$ 2 bilhões ao Tesouro do Estado.

Dizem que Eduardo Pessoa perdeu completamente as rédeas da Agerba, que é comandada por telefone pelo secretário de Infraestrutura e vice-governador Otto Alencar. No “corpo técnico” da autarquia existem também apadrinhados de outros políticos, como o do atual ministro dos Transportes, César Borges, que cuida e respalda um grupo de afilhados que atua desde 1999 na autarquia, quando Borges assumiu o governo da Bahia.

Transporte Clandestino -Com tanta falta de autonomia da instituição, os políticos sem compromisso com os verdadeiros interesses do cidadão fazem, por exemplo, o transporte clandestino rolar solto em todo o Estado, provocando acidentes com vítimas fatais e arrombando a arrecadação das empresas que atuam no setor, mediante concessão do Estado.

No caso das empresas de ônibus, os empresários não podem falar nada para não contrariar o governo que eles também patrocinam, através de gordas verbas para campanhas eleitorais. Esperneiam, mas se calam. Em “off”, contam horrores do que acontece na Agerba. Entre as empresas do setor encontra-se o grupo que controla mais de 40% do transporte intermunicipal – empresas Cidade Sol, Rota e Expresso Brasileiro -, cujo dono é nada mais nada menos que o deputado estadual Ronaldo Carletto (PP), amigão do governo.

Agora é no Mar – Se não bastasse a desordem generalizada do transporte intermunicipal rodoviário, cuja fiscalização, é bom mais uma vez lembrar, é “comandada” por Guilherme Bonfim, filho do deputado estadual João Bonfim, o transporte clandestino está chegando com força total ao setor marítimo.

Isso mesmo! A linha marítima ligando Sanvador ao Morro de São Paulo, operada com concessão pública do Estado da Bahia a partir de 2012, foi invadida por um transportador clandestino, que vende passagens a turistas desavisados desde que eles chegam no Aeroporto de Salvador. Tudo na cara da Agerba, que coloca fiscais no Terminal Náutico para “autuar”.

Nem autuam nem atuam.

E mais: preposto do Terminal Náutico, operado hoje pela concessionária Socicam, recebeu o que seria uma “orientação” da Coordenação de Terminais da Agerba para “aliviar” para o transporte clandestino. No dia 31 de dezembro, revoltados com o fura-fila clandestino, usuários da linha Salvador-Mar Grande fizeram a maior confusão. A polícia teve que intervir e o clandestino criou caso, sob argumento de que era um agente ”também autorizado pela Agerba”. E é possível que seja mesmo.

Coisas da Bahia!.

Leiam também:

  • >Filho de deputado controla todo o setor de fiscalização da Agerba
  • Com ingerência política na Agerba, transporte clandestino campeia na Bahia.

Notícias Relacionadas

10 Comentários

  1. Luquinha

    A imprensa sabe das coisas. Excelente texto. E foi fundo. E no fundo, a mistura nojenta do público com o privado corrompendo todo o tecido social. E o monstro avança, tomando conta de outros setores da administração pública. Eu não sei. Eu não sei. Mas outros órgãos padecem do mesmo mal. Igualzinho. Agora, ano eleitoral… tudo tende a piorar. Esses sacanas venceram. Eles ganharam. Ninguém pode com eles. Eles não têm medo de nada. São muito corajosos. São donos de tudo. De tudo mesmo. Até de você que me lê agora. E não duvide!

  2. Mauro de Carvalho Santos

    Isso é uma falta de vergonha, falta de respeito. O transporte clandestino é que mantém essa farra desses caras da da Agerba. Financiam tudo.

  3. Ivan Acioly

    Deviam dizer o nome também do Coordenador de Terminais da Agerba porque é ele que chama os clandestinos para conversar aqui já se reuniu várias vezes com os clandestinos de Morro de São Paulo e da última vez o clandestino estava acompanhado de um assessor de um deputado. Por que não disseram o nome dele.? Tem que divulgar também porque ele é da equipe de Guilherme. O diretor Rondon sabe de tudo que tá passando mas diz que não pode fazer nada porque o cara é filho de um deputado . me matem logos seus miseráveis.

  4. LENISE FERREIRA

    As filas foram como sempre imensas, desorganizadas e absurdas. Tanto na Ilha quanto em Salvador, e eu tive oportunidade de estar dos dois lados em diversos turnos, principalmente a noite e foi possível constatar inclusive a falta de policiamento.

    Ontem a noite em Bom Despacho, 3 viaturas estavam juntas em frente ao terminal rodoviário enquanto a fila de veículos chegava nas imediações da empresa Cidade Sol, ou seja, cerca de 3 kms de filas em local totalmente às escuras e sem policiamento. Para nós que trabalhamos na Ilha e precisamos atravessar diariamente tem sido um sofrimento. Ontem a noite, recorri ao direito a prioridade em função do meu problema cardíaco, sinceramente, a fila estava de causar infarto em qualquer um.

    QUERO APROVEITAR A OPORTUNIDADE E CONVIDAR A TODOS PARA SE DELICIAR COM A RETROSPECTIVA DO SISTEMA FERRY BOAT NO GOVERNO JAQUES WAGNER. Solicito a todos que me alertem sobre fatos que por acaso eu tenha esquecido de incluir. Exclui algumas figuras de menor importância porque seriam muitas arraias miúdas com direito aos segundos de fama. NÃO DEIXEM DE VER. Lene Ferreira no Facebook

  5. AURÉLIO J.

    Atenção Sr. redator, porque na reportagem tem um erro porque o grupo do ministro César Borges dentro da Agerba não entrou em 2003 mas com certeza absoluta em 1999. É um grupo tratado como “acionista majoritário” por controlar setor financeiro,planejamento,recursos humanos, pagamento de serviços terceirizados, orçamento, etc. Peço que corrijam a informação para não parecer que é coisa recente é sim coisa que completa 15 anos. é uma igrejinha. tem outro grupo de acionista que agora parece que é minoritária e que é liderado por Cássio MoLEte afilhado do rei roberto carlos deputados estadual que salvo engano eu não me lembro mais e não vou cometer injustiça mas parece que esse cara que não sou eu, o RC, já andou sendo investigado pela polícia federal.

    1. JORNAL DA MÍDIA

      Agradecemos o aviso. A correção já foi feita no texto da matéria.

  6. Henrique

    Tudo verdade é o tipo de informação que o pessoal do governo tem que engolir e preparar mais coisa errada pra fazer. Só falta agora agora Sr. FEDEGOSO aparecer pra defender o pessoal do PT E dizer que a culpa é de Otto Alencar como se este Sr. não tivesse não fizesse partes de Wagner. Que pena a Bahia tá em parafuso, falida.

  7. dded

    os clandestinos rolam na estrada do coco! linha branca coopelotação ! não pagam nenhum imposto suga 3 municipios camaçari , lauro de freitas , salvador ! carros velhos, varias mortes, motoristas drogados! os propios motorista diz que tem mangangões recebendo propina!vergonha para AGERBA!

  8. Funcionário

    A mais pura realidade do órgão: parece que foi escrito por alguém que trabalha lá, naquele prédio sucateado, abandonado, onde gente que mal sabe escrever viaja às nossas custas e tem luxo, enquanto concursados ficam sem papel no banheiro. Verdadeiro cabide de empregos para pessoas sem mínimas condições de estarem no mundo profissional, mesmo que em nível básico, imagina em cargo de chefia. A cúpula é realmente formada por panelinhas políticas e familiares, dotadas de completa incompetência e arrogância….

  9. Fedegoso

    Não! A culpa é do Alencar sim. Só dele. Ele tomou a coisa como particular e assim procedeu para viabilizar o partido dele que nasceu do nada. A foi abrigando qualquer um, desde que apoiasse as suas ideias de compadrio e tinha um cargo, distribuiu emprego e salários como paga. Improbo sim. Tem funcionários pagos pelo erário sem que eles correspondam com eficácia. O senhor Alencar não cumpre com princípios do artigo 37 da Constituição Federal (funcionários não eficazes). Mas, como diz a ex-ministra…os poderes estão todos cooptados. Será senador? Voltará como vice? Deputado? Será o que quiser nessa terra de bobos.

Comentários estão suspensos