Cartolas do Bahia anunciam “gestão paralela” na Fonte Nova

Em pouco mais de quatro meses de atividade, a Arena Fonte Nova já estaria custando R$ 3,3 milhões a mais do que anunciado pelo Governo do Estado da Bahia. Agora, multiplique isso por 35 anos, que é o período de concessão da arena às empreiteiras...
Em pouco mais de quatro meses de atividade, a Arena Fonte Nova já estaria custando R$ 3,3 milhões a mais do que anunciado pelo Governo do Estado da Bahia. Agora, multiplique isso por 35 anos, que é o período de concessão da arena às empreiteiras…
REDAÇÃO DO JORNAL DA MÍDIA

Enquanto o Governo da Bahia dificulta e cria obstáculos para executar um simples projeto da via direta ligando o Estádio Manoel Barradas, o Barradão, do Vitória, a equipe do Governo Wagner instalada hoje no Esporte Clube Bahia anuncia planos mirabolantes para tornar a Arena Flonte Nova, que custou R$ 800 milhões (dinheiro público), uma verdadeira casa dos tricolores. Com gestão concedida ao consócio OAS-Odebrecht por 35 anos, o comando paralelo do PT no estádio divulgou que “o Bahia” vai pintar a Fonte Nova de azul, vermelho e branco e construir um memorial do clube no estádio.

Pelo menos é que o anunciaram com estardalhaço os cartolas Fernando Schmidt, Pablo Ramos, Reub Celestino, em matéria de ontem do jornal Correio. Esse grupo, que tem ainda o marqueteiro do PT Sidôno Palmeira, braço direito do governador Wagner, e outros membros do governo de menor expressão, assumiu o Bahia com a intervenção que acabou destituindo Marcelo Guimarães Filho.

No Vitória, Não! – No Vitória, o governo petista vem articulando há algum tempo ampliar sua influência na gestão do clube. Na Toca do Leão, o encarregado para a tarefa de “politizar” a instituição é Robinson Almeida, secretário de Comunicação do governador. Almeida, conselheiro do Leão, é engenheiro elétrico graduado e “jornalista” nas horas vagas. E candidato a deputado federal pelo PT, em 2014.

Almeida é cabo eleitoral de Carlos Falcão, “um amigo do governo”, segundo os governistas contam. Falcão já é diretor e candidato da situação à presdiência do clube vermelho e preto. Fábio Mota, secretário Nacional de Turismo, deve ser candidato da oposição e é contra ele que o petista Robinson Almeida dispara diariamente pesada artilharia, com o apoio do também governista Marcelo Nilo – aquele mesmo que empregou seus mimados genros na Assembleia Legislativa. As eleições de 2014 estão se aproximando e os petistas, que com facilidade colocaram o Bahia na mão, querem fechar também com o rival.

Portanto, enquanto não assumirem o Vitória, nada de obras ou de melhorias para o Barradão. Aliás, cabe um parêntese aqui: o secretário de Desenvolvimento Urbano, Cícero Monteiro, não esconde para ninguém: se depender dele, a via do Barradão não vai sair nunca do papel. A Sedur de Monteiro é quem controla a Conder, encarregada de “executar” o projeto. Não adianta, pois, o presidente do clube, Alexi Portela espernear, acusar o governo de má vontade, de convocar a torcida para protestar. A cobra do “PT” no Barradão é cria dele mesmo, de Portela e de mais ninguém.

Projeto Faraônico – Enquanto a equipe de Wagner já anuncia a gestão paralela da Arena Fonte Nova (o Consórcio OAS-Odebrecht não se pronunciou ainda), o povo já paga a conta do prejuízo do projeto faraônico. Para quem não sabe, o Governo a Bahia utilizou uma projeção de público para o estádio baiano com base na taxa de ocupação e rentabilidade de arenas europeias famosas, como a Allianz Arena, da Alemanha. O estudo é assinado pela consultoria internacional KPMG, contratada pelo governo baiano a peso de ouro.

De acordo com o estudo de viabilidade da KPMG, ao qual se comprometeu o governo estadual, a média de público da Arena Fonte Nova devia ser de 27.140 pagantes. Só que os primeiros 19 jogos disputados na Fonte Nova tiveram uma média de somente 15.540 torcedores, segundo dados oficiais da CBF. Só do clássico Ba-Vi, foram três partidas. Ou seja, o estudo de viabilidade apresentado pelo governo baiano previa um número 74% maior. E mais: nos dois últimos jogos do Bahia (Atlético Nacional (CO) e Atlético-PR, a média de público foi apenas 8,5 mil.

População paga prejuízo – “É isso mesmo: ou o torcedor passa a ir ao estádio e a consumir do jeito que os europeus o fazem, ou o contribuinte baiano paga o pato”, relata o jornalista Vinícius Segalla, em matéria publicada no UOL Esporte com o título Estado da Bahia garante lucro de arena europeia para operador da Fonte Nova.

De acordo com a matéria, o custo atual anunciado da Arena Fonte Nova é de R$ 689,4 milhões (inicialmente, eram R$ 591,7 milhões), integralmente custeados pelo Estado da Bahia, sendo R$ 400 milhões de financiamento do BNDES.

”Este valor será pago ao consórcio construtor, que é o mesmo que se tornou o administrador, ao longo de 15 anos – e a primeira parcela mensal foi entregue em maio deste ano, de R$ 8,5 milhões. O valor numeral final do pagamento será de R$ 1,4 bilhão, que seria o mesmo que os R$ 689 milhões em pagamento à vista”, sustenta o jornalista do UOL.

“Mas que o contribuinte não se engane. O estádio vai custar-lhe mais do que isso”, alerta Segalla, citando outros números: “O resultado previsto em contrato para os 19 jogos era de um público médio de 27.140 pagantes, o que geraria uma renda de R$ 15.469.800. Muito bem, a diferença entre o que se previa e o que se arrecadou seria de R$ 6.612.000. Então, por regra contratual, metade desse valor seria pago pelo Estado à Odebrecht e à OAS”.

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