Centrais sindicais avaliam positivamente manifestações dos trabalhadores

Pedro Peduzzi
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Diversas manifestações e paralisações foram planejadas para hoje (30) pelas principais centrais sindicais brasileiras. Central Única dos Trabalhadores (CUT), Força Sindical, Conlutas e Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) aproveitam o Dia Nacional de Mobilização e Paralisação para pressionar os governos federal e estaduais e o Legislativo para atendimento de uma série de demandas que, em comum, têm a defesa de uma agenda que associe desenvolvimento com distribuição de renda.

Entre as reivindicações, estão o fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, a valorização das aposentadorias, a reforma agrária, o fim do Projeto de Lei 4.330/04, que libera a terceirização e torna mais precárias as condições de trabalho, transporte público e de qualidade, mais investimento em saúde e educação e a suspensão dos leilões de petróleo.

Dirigentes sindicais consultados pela Agência Brasilafirmam que as mobilizações e paralisações estão superando as expectativas iniciais. “Nosso objetivo é chamar a sociedade para a pauta dos trabalhadores, e estamos conseguindo isso”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas. Para ele, as primeiras horas de ações foram “muito positivas”.

“Temos feito paralisações parciais e, onde possível, manifestações. As atividades mais fortes envolvem professores, bancários e rodoviários, e as cidades onde há resultados mais positivos são Porto Alegre, Recife, Fortaleza, Salvador e Rio de Janeiro”, disse ele.

Segundo a CUT, a negociação com o governo está “quase parada”. ‘Mas queremos fazer andar, e sabemos que isso só acontecerá com pressão e mobilização. O governo até dialoga e negocia. O problema é que não tem concedido nada”, acrescentou o sindicalista.

Um dos pontos que geram mais insatisfação na CUT é o fator previdenciário, que retira uma parcela do benefício concedido aos aposentados. “Não conseguimos imaginar que o governo Dilma [Rousseff] se negue a apresentar uma proposta que dê fim ao fator previdenciário. Ela [presidenta] pode aproveitar essa oportunidade, junto com o Congresso Nacional, e acabar com algo negativo herdado do governo FHC [Fernando Henrique Cardoso]. Tem uma bola pingando sem goleiro. Só falta chutar”, ressaltou Freitas.

Para ele, o fim do fator é viável e não implicará danos aos cofres públicos. “Além do mais, será conveniente para o poder aquisitivo do brasileiro e, como diminuiria a necessidade de aposentados terem de continuar trabalhando para fazer renda, o fim do fator previdenciário geraria cerca de 1,5 milhão de empregos novos.”

Presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, disse à Agência Brasil que está surpreendido com o alcance das paralisações do setor de transportes, especialmente nas capitais. “Os protestos têm abrangência nacional, estão nas principais capitais, e a pauta está na rua, sendo defendida pelos trabalhadores na busca por uma negociação séria com o governo. Infelizmente, o governo só tem feito reuniões para marcar reuniões. Nada além disso”, lamentou Paulinho da Força.

Segundo ele, as manifestações estão dentro do previsto. “Em algumas situações, estão superando o que esperávamos. É o caso dos rodoviários, principalmente em Porto Alegre, São Luís e Fortaleza, onde o alcance foi maior do que o imaginado. Ficamos surpresos também com a paralisação do metrô de Belo Horizonte.”

Para o coordenador da Executiva Nacional do Conlutas, José Maria de Almeida, os eventos de hoje poderão resultar no fortalecimento da luta e das mobilizações dos trabalhadores brasileiros. “Estamos confirmando as expectativas que tínhamos. Está sendo um dia de protestos muito fortes, com paralisações de transporte público em pelo menos sete capitais”, disse ele à Agência Brasil.

“Além disso, há boa adesão de operários. Em especial, de metalúrgicos e de trabalhadores da construção civil e da construção pesada. Há paralisações também em portos e refinarias e de petroleiros. Pararam, ainda, trabalhadores da Vale e da CSN [Companhia Siderúrgica Nacional]. O quadro está parecido em todo o país por causa do descontentamento dos trabalhadores com os governos, que só atendem a demandas de grandes grupos. Está cada vez mais clara a busca [dos trabalhadores] por mudanças no modelo econômico”, destacou o dirigente da Conlutas.

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