Diplomata libertou o asilado político que estava na embaixada em La Paz

Roger Pinto Molina
Roger Pinto Molina
Um jovem diplomata brasileiro, Eduardo Saboia, resolveu tomar uma atitude diante da omissão vergonhosa do governo brasileiro em relação ao senador boliviano Roger Pinto Molina, que há 452 dias aguardava na Embaixada do Brasil, em La Paz, que o Itamaraty negociasse com o governo boliviano um salvo-conduto que o permitisse sair do País.

Saboia – que é ministro conselheiro e atual chefe da embaixada, como encarregado de negócios – concedeu entrevista ao repórter Eduardo de Lanoy da TV Globo, neste domingo, explicando que resolveu agir porque havia o risco iminente de uma tragédia (o suicídio do senador asilado) e também para preservar a dignidade do Brasil.

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Ele contou que esteve duas vezes em Brasília, enquanto Molina estava asilado, e advertiu que a situação ser insustentável. Nem assim ele conseguiu fazer o ministro Antonio Patriota (Relações Exteriores) tomar uma atitude. Aliás, tomar atitudes não é o forte do chanceler brasileiro, que marca seu período no cargo com atitudes de covardia incompatíveis com as tradições da diplomacia brasileira.

Saboia contou com a ajuda do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), presidente da Comissão de Relações Exteriores. O parlamentar boliviano viajou 22 horas de carro entre La Paz e a cidade de Corumbá (MS) e depois foi de avião até Brasília.

Saboia afirmou que não precisava de autorização para agir em uma emergência, e esse era o caso. Sua sala de trabalho, na embaixada brasileira, ficava ao lado do cubículo onde o senador foi mantido durante todo esse tempo. Nos últimos tempos, em profunda depressão, Molina falava em suicídio.

Saboia relatou que se sentia como se estivesse ao lado de uma câmara de tortura do DOI-Codi, órgão da ditadura militar onde se torturavam presos políticos. O Itamaraty anunciou que vai “investigar” a atitude do diplomata, que na verdade deveria ser homenageado pelo Brasil por sua coragem.

Molina sofre perseguição implacável do cocaleiro Evo Morales, que certa vez não hesitou em mandar o exército cercar um avião da FAB, prestes a decolar com o ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e determinou sua revista, inclusive com cães farejadores, suspeitando que o representante do governo brasileiro conduzia Molina ilegalmente para fora do país.

O insulto ao governo brasileiro mereceu apenas uma acovardada “nota de protesto secreta”, que jamais seria divulgada. O assunto somente seria conhecido após sua divulgação no Diário do Poder, em julho deste ano.

A chegada do senador boliviano Roger Pinto Molina ao Brasil, porém, não afetará a relação bilateral dos países, disse hoje (25) a ministra da Comunicação boliviana, Amanda Davila. Segundo a Agência Boliviana de Informações (ABI), a ministra ressaltou que a relação entre os países continuará “em absoluto calor e respeito”. Molina deixou sábado (24) a representação diplomática brasileira e entrou no Brasil sem receber salvo-conduto do governo Evo Morales. (Diário do Poder)

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