Protestos na Colômbia bloqueiam 18 rodovias e causam problemas de abastecimento

Leandra Felipe
Correspondente da Agência Brasil/EBC

Bogotá –  Depois de seis dias de bloqueios de rodovias, os manifestantes do Protesto Nacional Agrícola na Colômbia, mantêm hoje (24) 18 rodovias bloqueadas no país e os problemas de abastecimento são mais perceptíveis à população das regiões afetadas e até na capital do país. Os manifestantes acusam integrantes do Esquadrão Móvel Antidistúrbios de abuso no uso da força para conter os manifestantes.

O departamento mais afetado foi Boyacá, no centro do país, que está praticamente isolado. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que havia pedido que as missões médicas, fossem respeitadas durante a semana, enviou hoje uma caravana humanitária para levar insumos de emergência aos hospitais do departamento, que sofrem com o desabastecimento de remédios.

“O abastecimento dos hospitais é muito importante e muito preocupante. Vários hospitais estão quase esgotando suas reservas de material médico e medicamentos”, explicou Jordi Raich, chefe do CICV na Colômbia.

Segundo um comunicado, emitido neste sábado, foram registrado 28 casos de ataques às missões e bloqueios de passagem de ambulância desde que os protestos foram iniciados na última segunda-feira. Um dos incidentes causou a morte de uma pessoa que não pode receber hemodiálise.

Em Bogotá, os efeitos principais são sentidos no abastecimento de produtos. Feiras livres e alguns centros de abastecimento da capital, Bogotá, já começam a faltar alguns produtos alimentares. “A batata, a ervilha e o arroz não chegaram esta semana e também vemos que os estoques de frutas estão terminando”, disse àAgência Brasil o feirante Ignácio García, que trabalha em uma feira livre da cidade.

Os preços também começam a subir e é notado por donas de casa. Amalfe Ruiz disse que o arroz e a batata já estão mais caros. “O quilo de arroz estava custando 2 mil pesos [R$ 2,47] e em uma semana está mais do que o dobro do preço, 5 mil pesos”, calcula.

Os manifestantes denunciam que, após seis dias de protestos, a polícia tem agido com violência para tentar conter os protestos. Diante das denúncias, o diretor da polícia, general Rodolfo Palomino, escreveu em sua conta no Twitter que ordenou uma investigação dos casos denunciados.

“Estou atento às denúncias de excessos de alguns policiais e por isso ordenei uma investigação para todos os casos”, escreveu. Palomino também pediu que os manifestantes não “se deixem persuadir por pessoas violentas dentro do movimento”. Segundo o general, cerca de 123 policiais foram feridos por arma de fogo, explosivos e golpes de pedra.

O governo mantém-se firme em sua posição de não dialogar, enquanto continue o bloqueio nas rodovias. “Fiz um chamado aos manifestantes para que fiquem em casa ou protestem de maneira que não viole os direitos das outras pessoas”, defendeu o ministro da Defesa, Juan Carlos Pinzón, em uma entrevista coletiva ontem.

O movimento é formado por pequenos produtores rurais, arrozeiros, cafeicultores, caminhoneiros e mineiros. Há várias reivindicações como o repasse de recursos aos camponeses, melhores condições de trabalho, redução do custo de produção e transporte e até mesmo reivindicações políticas, como “a substituição da política neoliberal adotada pelo governo”.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), já declararam apoio ao movimento e pediram que o governo não criminalize os manifestantes. Analistas acreditam que as manifestações têm a ver com o momento político vivido pelo presidente Juan Manuel Santos – que negocia a paz com as Farc e que pretende se candidatar à reeleição no próximo ano.

“Aqui na Colômbia é normal, quando se aproximam as eleições, que as manifestações e protestos se intensifiquem, ainda mais agora em que o país está negociando com as Farc,” disse à Agência Brasil o professor de Ciência Política, Benjamin Herrera, da Pontifícia Universidade Javeriana em Bogotá.

Na opinião de Herrera, o governo terá que ter bastante habilidade para contornar a insatisfação popular e dialogar com o movimento. “Há muitas promessas e intenções, mas a população que está reivindicando melhorias não viu mudanças na prática, por isso está indignado”, diz Herrera.

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