Marina enfrenta ‘forças ocultas’ para criar o partido Rede Sustentabilidade

Marina Silva (Foto: José Cruz/ABr)
Marina Silva
LUÍS AUGUSTO GOMES

Sem acusar ninguém, não se pode achar que no Brasil um gigantesco movimento não esteja em curso para impedir que o partido Rede Sustentabilidade, em organização pela ex-senadora e ex-ministra Marina Silva, obtenha registro no Tribunal Superior Eleitoral até o dia 5 de outubro, quando se extingue o prazo para participação nas eleições de 2014.

Isso teve um exemplo cabal na tramitação na Câmara dos Deputados de projeto de lei, já aprovado e encaminhado ao Senado, criando embaraços às legendas em processo de fundação – a retirada de direitos que outras tiveram em tempo de rádio e televisão e acesso às verbas do fundo partidário.

E a razão é que Marina se torna uma real e palpável alternativa de vitória para o cargo máximo da República, um risco às pretensões de tantas forças que preparam o marketing para a disputa, com muita sede de chegar ao poder ou nele permanecer.

Nas primeiras pesquisas do ano, a candidata terceira colocada de 2010 mostrou um recall impressionante, pois enquanto a presidente Dilma estava nas alturas e outros candidatos oscilavam nas faixas inferiores, ela repetia solidamente os 20% de votos que de fato recebeu nas urnas.

Os primeiros levantamentos após os dias conturbados de junho mostram a queda da presidente e a ascensão de uma personalidade de respeito internacional, de certa forma, o símbolo de liderança política “tradicional” mais próximo do cerne do descontentamento que se viu – e ainda se vê – nas ruas brasileiras.

Primeira vítima foi fusão PPS-PMN – Há poucos dias noticiou-se, com estardalhaço, a partir de nota do colunista de O Globo Ilimar Franco, que a quinta-feira passada seria fim do prazo para que o Rede Sustentabilidade tivesse concluído o processo de certificação de assinaturas de eleitores, permitindo sua fundação.

“A candidatura de Marina Silva está por um fio. Seus aliados jogaram a toalha”, escreveu o jornalista. O fato causou espanto, porque a data final para que um novo partido possa ter candidatos é um ano antes das eleições, que em 2014, como se disse, transcorrerão em 5 de outubro.

Na verdade, tratava-se de uma “estimativa”, respaldada no raciocínio de que, obtidas as assinaturas, os 50 dias restantes até o marco fatal não seriam suficientes para concluir a conferência e a certificação – uma preocupação que não chegou a ser levantada em 2011, na criação do PSD.

Espalhada e multiplicada na internet, a nota funcionou como uma contrainformação que sugere a disposição de barrar o Rede, em ação semelhante à que foi feita em relação à fusão PPS-PMN, que, se vingasse, causaria intensa sangria nos quadros partidários em geral.

Processo não terá cortina de fumaça – O partido Rede, com a inegável vascularidade da mensagem e da imagem da ex-senadora, possivelmente tem amplas condições de levantar cerca de 500 mil assinaturas necessárias – 0,5% da última votação para a Câmara dos Deputados –, porque, se assim não fosse, sua líder não estaria dando de um bom exemplo prévio de capacidade de organização.

O trabalho empaca em cartórios eleitorais do país que desrespeitam o prazo para analisar as assinaturas, as quais serão encaminhadas ao TSE para a validação final, levando Marina a pressionar a presidente Carmen Lúcia e a corregedora nacional eleitoral, Laurita Vaz, para que assegurem o funcionamento da máquina.

Esta é uma situação em que não caberão subterfúgios. Terá de ser um processo claro, verdadeiramente transparente, porque a nação está de olho em razão de ser quem é a principal interessada. A comprovação, por exemplo, de desrespeito à legislação pelo próprio sistema eleitoral não poderá, obviamente, prejudicar o Rede.

PEN pode ser alternativa – No extremo desastre de não sair o Rede Sustentabilidade, Marina Silva tem uma opção no recém-criado Partido Ecológico Nacional, o PEN.

O presidente nacional, Adilson Barroso, já lhe ofereceu a presidência e, naturalmente, a legenda para concorrer à presidência da República, embora não se saiba que negociação isso envolveria.

Fonte deste blog disse que Marina tem encontro com Barroso previsto para o dia 30, quando terá uma visão mais clara do quadro. Caso se entendam, uma reunião nacional do PEN, em 14 de setembro, oficializará o acordo.

Trilegal – A mesma fonte disse que o PDT também está interessado em Marina. (Por Escrito)

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