Cerimônia no Iraque homenageia Sérgio Vieira de Mello

AGÊNCIA ANSA

Bagdá – Foi realizada hoje, dia 19, uma cerimônia em Bagdá em memória dos 22 funcionários da Organização das Nações Unidas (ONU), mortos no atentado ocorrido há exatos 10 anos contra a sede da instituição na capital iraquiana. Entre as vítimas do ataque estava o enviado especial da ONU para o Iraque, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

O vice-secretário geral da ONU para os assuntos políticos, Jeffrey Feltman, estava presente no evento, e alertou que o Iraque poderia voltar ao abismo da guerra religiosa. “O nosso trabalho aqui no Iraque é a forma melhor de homenagear aqueles que morreram”, afirmou Feltman, que encontrou o primeiro-ministro iraquiano Nuri al Maliki, com o qual discutiu sobre a situação do país e da guerra civil na Síria.

As violências no Iraque voltaram a se intensificar nos últimos meses, por causa de novas tensões religiosas entre sunitas e xiitas, provocadas também pelo conflito no país vizinho. Maliki, premier xiita contestado pelos sunitas por causa das políticas discriminatórias que teria atuado contra eles, convidou as Nações Unidas e toda a comunidade internacional a “fazer pressões sobre as facções sírias para que sentem na mesa das negociações para encontrar uma solução para a crise”.

O chefe do governo de Bagdá pediu que o Iraque seja convidado a participar da conferência de paz para a Síria que as grandes potências estão tentando organizar em Genebra.

No dia 19 de agosto de 2003 um terrorista-suicida explodiu o caminhão-bomba que dirigia em frente à sede principal da ONU, no Hotel Canal de Bagdá, obrigando a instituição a adotar rígidas medidas de segurança e a limitar as possibilidade de intervenção em um país que estava mergulhando em um conflito religioso que provocou dezenas de milhares de vítimas.

Sérgio Vieira de Mello, funcionário ONU por 34 anos, morreu no atentado. Ele trabalhou em vários países em conflito, como Sudão, Chipre, Moçambique, Líbano, Camboja, Bósnia, Congo, Kosovo e Timor-Leste, ganhando respeito e admiração internacional para sua intensa atividade nos programas humanitários e políticos da ONU. (Ansa Brasil)

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