Justiça manda soltar acusado de chacina no Bairro da Paz

Salvador – Minutos antes de participar de uma audiência no Fórum Criminal de Sussuarana, na tarde da última quarta-feira (14), o traficante Lívio dos Santos Silva, o “Branco”, 27 anos e réu num processo de uma chacina ocorrida no Bairro da Paz, em setembro de 2007, foi preso pela delegada Andréa Barbosa Ribeiro, da 1ª Delegacia de Homicídios (Atlântico). Com prisão preventiva decretada pela 1ª Vara do Tribunal do Júri, pela autoria de três assassinatos em 2011, Branco foi liberado pela Justiça, no início da tarde de hoje (16), poucas horas depois de apresentado à imprensa, no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), na Pituba.

No alvará de soltura, a revogação da prisão preventiva foi justificada em razão de Branco responder regularmente ao processo em trâmite na 1ª Vara do Tribunal do Júri, em liberdade, comparecendo a todos os atos processuais. O documento foi entregue no DHPP, por volta de 16 horas, e recebido pelo delegado Marcelo Sansão, titular da 1ª DH/Atlântico.

Convocada a participar da audiência no fórum como testemunha, a delegada Andreá Ribeiro – responsável pelo início da investigação da chacina no Bairro da Paz, onde cinco pessoas foram mortas há seis anos – percebeu o nome de Branco no processo, relacionando-o imediatamente ao mandado de prisão que solicitara, quando atuava no extinto Grupo Especial de Repressão a Crimes de Extermínios (GERCE), referente aos homicídios de 2011 e deferido em março de 2012.

Na ocasião do múltiplo homicídio Branco integrava a quadrilha liderada pelo foragido da Justiça Florisvaldo dos Santos Costa o “Flor”, 24 anos, que ainda controla o tráfico de drogas no Bairro da Paz, mesmo estando dali afastado. Branco também é acusado de participar, em 2011, dos assassinatos de Josiane Conceição Cruz, a “Nem”, Silvonei Santos da Silva, o “Skin”, e José Silva de Santana, o “Zé”, tendo como comparsas Flor e Lucas Oliveira de Jesus, o “Albielle”, 25, procurados pela polícia.

Na chacina de 2007, as vítimas foram alvejadas por diversos tiros, depois de terem pescoço e mãos amarrados por fios e cordas e exibidos em via pública, chocando e amedrontando a comunidade. Seus corpos foram encontrados depois num matagal, na localidade conhecida como Baixa do Tubo, no Bairro da Paz. Branco responde em liberdade por este crime e, sempre que intimado, comparece à Justiça.

Dissidência e rivalidade – Dissidente da quadrilha de Flor, Branco passou a integrar o bando de um traficante conhecido como “Beto Parmalat”, rival de seu antigo líder. Mesmo custodiado no Presídio de Segurança Máxima de Serrinha, Parmalat lidera o comércio de drogas na localidade Alto do Coqueirinho, em Itapuã. De acordo com as investigações, os dois grupos – o de Flor e o de Beto Parmalat – são autores de diversos crimes nas áreas onde atuam.

O delegado Marcelo Sansão assegurou ainda que os criminosos chegavam a expor os corpos das vítimas em via pública e destruiam estabelecimentos comerciais, para demonstrar o poder do tráfico de drogas. “Depois de alguns assassinatos, os traficantes promoviam festas para comemorar as execuções, regadas a champanhe”, lembrou o titular da 1ª DH/Atlântico, salientado que o objetivo da polícia agora é capturar outros integrantes da quadrilha, todos já identificados.

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