ACM Neto não faz o “dever de casa”, diz João Henrique

João Henrique
João Henrique
LUÍS AUGUSTO GOMES

Em entrevista a Por Escrito, solicitada, segundo ele, pela “imparcialidade e pela penetração no meio político”, o ex-prefeito João Henrique escolheu o prefeito ACM Neto como seu principal alvo, criticando a situação da cidade, a reforma tributária e, indiretamente, a traição de quem, diz ele, ajudou a eleger.

Usando o caso para favorecer o seu projeto político, que é candidatar-se a governador ou deputado federal, afirma: “Com oito meses, já vejo sinais de recuperação. Estou vendo coisas que nunca vi em Salvador, como se fechar ruas por causa de buracos”.

Com ironia, o ex-prefeito atacou: “O planejamento é lindo, na atual gestão nada seria feito de improviso, e agora eu pergunto diante dos buracos e do trânsito: o que fazer? São oito meses batendo em mim. O prefeito não está fazendo o dever de casa”.

No início da conversa, que Por Escrito concedeu por ter sempre sido um crítico duro de João Henrique, ele disse que se sente “no fundo do poço”, mas, tendo atingido “o ponto de inflexão, como muitos outros políticos”, prepara-se agora para “a curva ascendente”.

Foi buscar um exemplo na própria família, pois seu pai, João Durval Carneiro, deixou desprestigiado o governo da Bahia em 1987 e hoje é senador. Citou também a senadora Lídice da Mata, que se recuperou de uma gestão desastrada em Salvador. Vou enfrentar esse tsunami. Em toda eleição, saio em quinto e chego em primeiro”, gabou-se.

Reforma tributária será “fonte de injustiça” – “Como cidadão”, João Henrique espera que a reforma tributária há pouco aprovada na Câmara Municipal “seja excelente”, mas, pela “experiência de pessoa que esteve à frente da máquina”, considera que ela se encaminha para ser “uma fonte de injustiça”.

A atualização do valor venal dos imóveis de Salvador com base nos critérios de mercado “vai pressionar a população, sobretudo, na taxa de IPTU, porque não existe essa capacidade contributiva que se presume. O povo é pobre, a cidade é pobre e o Estado é pobre”.

Esse mesmo princípio o ex-prefeito leva em conta para criticar o cadastramento e recadastramento de imóveis determinado pela Prefeitura. Para ele, a grande maioria dos ocupantes dos 450 mil imóveis tidos como “fantasmas” não suporta a carga do imposto. “Essas pessoas não são fantasmas, como dizem. São reais, vivem no gueto, na favela. Vai se cobrar IPTU dos grotões”.

Ex-prefeito se compara a grandes líderes – Como se vê, João Henrique engatilha um discurso para uma eventual campanha, que será recheado ainda com referências a “perseguição do sistema e da mídia contra políticos que ficam ao lado da causa dos pobres”, entre os quais citou, “guardadas as proporções”, Getúlio Vargas, João Goulart, Leonel Brizola “e até Lula”.

Entretanto, para ter seu nome nas urnas de 2014, o ex-prefeito terá de superar o firme obstáculo de contas rejeitadas, sequencialmente, no Tribunal de Contas dos Municípios e na Câmara Municipal.

Sua esperança, nesse campo, tem razões heterodoxas. A situação o torna “tão inelegível quanto o ex-prefeito Luiz Caetano, de Camaçari, e mais de 80% dos prefeitos” que teriam transgredido a lei, mas sem dolo, improbidade nem má-fé. “Devo ganhar na Justiça”, estima.

Tatiana não seria plano B – Em caso de se confirmar a impossibilidade de disputar a eleição, em que só enxerga “um por cento de chance”, João Henrique não tem a mulher, a ex-secretária Tatiana Paraíso, como um plano B consolidado.

“Poderia ser uma opção, mas não passa pela cabeça, e isso só ocorreria se fosse uma coisa natural, se nós sentíssemos que é da vontade do povo expressar solidariedade pelas injustiças que sofremos”, afirmou.

De qualquer forma, está confirmada a filiação da ex-primeira-dama ao PSL, junto com o marido, em solenidade reprogramada para o dia 14 de setembro, na sede da Abase, para atender à agenda do presidente nacional do partido, ex-deputado Luciano Bivar.

Emissoras viram “cifrão na testa” – João Henrique vai ter uma arma poderosa na sua caminhada: ainda este mês deverá estrear na Nova Salvador FM o programa “Papo Livre com João”, que, na profissão de comentarista, ele comandará diariamente, das 18 às 19 horas, “o horário do trânsito”, como definiu.

Sem revelar nomes nem valores, o ex-prefeito disse que tentou fechar contrato com várias emissoras, mas que todas lhe fizeram “propostas inconcebíveis”, parecendo que ele tem “um cifrão na testa”.

Acabou conseguindo um espaço na rádio do deputado federal Marcos Medrado, que lhe cobrou “um valor simbólico, muito abaixo dos preços estratosféricos dos outros”.

João Henrique ficou “agradecido e emocionado” com o gesto de Medrado quando “todas as portas estavam fechadas”. Medrado, aliás, acaba de deixar o PDT e será candidato a deputado estadual por outro partido. O ex-prefeito acha que, no futuro, poderá haver um viés político na relação.

Ocupação impede frequência à igreja – Indagado como vão suas relações com a religião, já que se apresentou como evangélico em toda a carreira, João Henrique, inicialmente, disse que tem “ido menos” à Primeira Igreja Batista, no Iguatemi, à qual é ligado.

Depois, ante a insistência do repórter, que quis saber “quantas vezes por mês” ele comparecia, admitiu que não frequenta o templo desde que deixou a Prefeitura, atribuindo o fato à ocupação intensa na reorganização da vida profissional e partidária.

O ex-prefeito nega ainda, como a imprensa noticiou algumas vezes, que ele esteja transitando “disfarçado” na cidade, com óculos escuros e boné. “Isso qualquer pessoa pode usar. Não cometi crime nenhum para me esconder”. (Por Escrito)

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2 Comentários

  1. Lucas Rego

    Isso nunca foi evangélico rapaz… é o clássico lobo em pele de cordeiro.
    A eleição desse cara, sem identidade partidária que anda pelos partidos como uma rameira procurando quem lhe acoberte para que ele possa mamar mais um pouco nas tetinhas da gorda vaca publica, sé me faz ter mais amor a ideia do Fim Voto Obrigatório e assim naturalmente vai votar quem se interessa pela questão.

  2. evandro

    Ao invés da Petrobras investir no pré sal, deveria extrair óleo de peroba para passar na cara deste falso moralista que acabou salvador.

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