Moradores de rua temem retorno de agressores

Alex Rodrigues
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A notícia da morte de Edivan da Lima Silva, 48 anos, fez crescer o medo entre os moradores de rua que costumam passar os dias na praça do Guará I (DF) onde, na madrugada da última quinta-feira (1), Silva teve o corpo incendiado.

Comerciantes e vizinhos da praça onde Silva dormia junto com outros três moradores de rua lamentaram o crime. Eles disseram que a vítima vivia no local há muito tempo, era conhecida de todos e não tinha inimigos.

“Isso é macabro. Foi uma covardia o que fizeram com ele [Silva]”, disse à Agência Brasil o corretor de seguros Roberto dos Santos e Silva. Disse que conhecia o morador de rua desde que se mudou para o prédio em frente ao quiosque onde o crime ocorreu e onde ainda é possível ver as marcas das chamas na parede. Silva é a sexta vítima da violência praticada contra moradores de rua do Distrito Federal este ano.

De acordo com o corretor, é difícil encontrar na vizinhança quem tivesse queixas sérias sobre a presença do grupo que há anos se reúne e vive na praça, sem, segundo ele, causar transtornos a ninguém. Opinião compartilhada pela dona de casa Conceição Passos Puccini, que há 12 anos mora em uma casa em frente à praça.

“Eles são tranquilos, não mexem com ninguém. Está vendo esta praça neste estado, precisando de reparos, de ser limpa? Pois só não está pior porque eles ajudam a cuidar dela. Às vezes, algum de nós [vizinhos] dá pra eles um dinheirinho qualquer para que recolham os papéis, arranquem o mato, tirem o lixo”, contou a dona de casa, lembrando que, na véspera de sua morte, Silva pediu a ela “um punhado” de arroz cru. “Eu disse que tinha um pouco cozido, mas ele disse que preferia cru porque queria cozinhar para os amigos. Ele era muito tranquilo”.

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