Justiça decreta prisão preventiva do ex-presidente do Egito

AGÊNCIA ANSA

Cairo – A Justiça egípcia decretou hoje, dia 26, a prisão preventiva para o ex-presidente Mohamed Morsi, sob a acusação de espionagem por conta do grupo radical palestino Hamas e por envolvimento das fugas maciças de presos ocorridas durante a revolução de 2011.

A decisão de decretar a prisão preventiva de Morsi é o primeiro ato oficial da Justiça egípcia contra o presidente deposto no dia 3 de julho e detido pelos militares em uma localidade secreta. A libertação de Morsi foi pedida várias vezes pela comunidade internacional e em particular pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela União Europeia (UE).

Segundo agência de noticias egípcias Mena, Morsi está sendo investigado por ter pedido à Hamas de cometer “atos hostis” no território egípcio, entre os quais assaltos a delegacias e prisões, o sequestro de policiais e de oficiais das Forças Armadas, a organização de fugas de presos, a destruição da penitenciaria de Wadi el Natroun – da qual o próprio Morsi fugiu após a revolução de 2011 – e a destruição dos registros dos presos.

O advogado da Irmandade Muçulmana, Gamal Tageddin, declarou à ANSA que a prisão do ex-mandatário é “ilegal”, porque ele não teve nenhum advogado defensor, e vai levar o país a “divisão”, com “uma volta ao passado, ao regime de Mubarak”. Manifestações de partidários de Morsi e de opositores ao ex-presidente ocorreram hoje em muitas cidades egípcias.

Confrontos entre manifestantes foram registrados na capital, Cairo, nos bairros de Shubra e de Mohandessin, em frente a uma mesquita onde estavam se reunindo membros da Irmandade Muçulmana. Tumultos estão acontecendo também em Damietta, no delta do rio Nilo. Até agora as forças de segurança não intervieram.

Helicópteros militares estão sobrevoando em baixa altitude a praça Tahrir, símbolo da revolução egípcia, onde estão se reunindo os manifestantes contrários a Morsi, que atenderam o pedido dos militares de manifestar contra a violência. As aeronaves também sobrevoaram as praças onde está sendo realizado o protesto da Irmandade. Veículos blindados foram posicionados nas pontes dos Leões, que levam até praça Tahrir, e militares da guarda republicana organizaram mais de três postos de controle para verificar quem se aproxima a praça.

“Não a violência, sim ao estado de direito e a procedimentos regulares, a reconciliação baseada na inclusão são os princípios base aos quais se juntar nesse momento difícil”, escreveu no Twitter o vice-presidente egípcio, Mohamed el Baradei. (Ansa Brasil)

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