Papa visita hospital que franciscanos recuperaram da falência

Vladimir Platonow
Agência Brasil

Rio de Janeiro – Um complexo hospitalar na zona norte do Rio, com 1.041 leitos e onde trabalham 1,8 mil funcionários, quase fechou as portas há cerca de dois anos, devido às dívidas – que superavam R$ 140 milhões – e ao atraso de quatro meses na folha de pagamentos. O Hospital São Francisco da Providência de Deus começou a ser recuperado em 2011 por um grupo franciscano especializado em saúde e assistência social. A Associação e Fraternidade Lar São Francisco de Assis na Providência de Deus surgiu em 1985, na pequena cidade paulista de Jaci, e hoje mantém 60 obras em três estados: São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás, além de um hospital em Porto Príncipe, no Haiti.

O diretor-geral do hospital, frei Paulo, contou que o fundador da associação, frei Francisco Belloti, começou a obra há 28 anos, em Jaci, dentro de uma casinha onde ele e alguns voluntários acolhiam oito dependentes químicos. “Ele começou a sentir o chamado de estar ao lado daqueles que sofriam de lepra [hanseníase]. Aí falaram para ele que o mal daquela época não era mais a hanseníase, mas a dependência química”, lembrou frei Paulo.

Com a ajuda dos voluntários, eles criaram uma metodologia própria terapêutica e conseguiram erguer um hospital de 70 leitos. “Hoje temos comunidades terapêuticas, hospitais gerais, hospitais psiquiátricos, lares para idosos e os projetos sociais e educacionais para as crianças. No total, são mais de 9 mil funcionários.”

Frei Paulo explicou que o desafio é aliar o sentimento fraternal à responsabilidade financeira. “Nossa primeira função é guardar o carisma, vivenciando de maneira evangélica o cuidado com o irmão. Na casa de recuperação, no leito do hospital, na rua, em qualquer local. Mas também precisamos administrar, captando e cuidando dos recursos que nos vêm. Não tem como ir a uma farmácia e dizer ‘Deus lhe pague’. Não se faz caridade sem dinheiro.”

Durante a visita ao Brasil, o papa vai inaugurar simbolicamente o Polo de Atenção Integral à Saúde Mental, que funcionará, em breve, dentro de um dos prédios do hospital, no Rio. O espaço é voltado ao tratamento psiquiátrico, em especial, aos dependentes químicos, inclusive de crack, droga que já afeta 3% da população brasileira, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Serão oferecidos inicialmente 70 leitos.

Papa Francisco estará no hospital a partir das 18h30, após a viagem a Aparecida (SP). A prefeitura organizou um esquema de trânsito com o fechamento de várias ruas e avenidas da Tijuca para facilitar o deslocamento, que será feito em carro fechado. Ao longo do trajeto, serão colocadas grades de proteção, para separar a comitiva papal do público. A operação contará com 450 agentes da Guarda Municipal e operadores de trânsito.

Para frei Paulo, a visita de Francisco ao hospital tem um sentido maior: “Este momento da Igreja Católica é de primavera. É de florescimento e também de ousadia. No qual toda a humanidade, no exemplo desse homem, possa repensar sua vida. A Igreja deve ser mais simples e de mais serviços.”

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