”Ser contra a ponte Salvador-Ilha de Itaparica é não querer o desenvolvimento”

José Sergio Gabrielli
José Sergio Gabrielli
JOSÉ SERGIO GABRIELLI (*)

Críticos do projeto de construção da ponte Salvador – Ilha de Itaparica argumentam que a solução para os congestionamentos na BR-324 é a criação de uma nova rodovia. Esta via, paralela aos trajetos atuais, ligaria a região de Aratu (Camaçari, São Francisco do Conde, Simões Filho e cidades do Litoral Norte) a Feira de Santana, como forma de escoamento do tráfego saindo e chegando à capital.

Esses críticos não se reportam ao grande desafio que é integrar Salvador ao sul do Recôncavo, Baixo Sul e oeste do Portal do Sertão, territórios entre os mais pobres do Estado.

Desprezando questões logísticas e a necessidade de desenvolvimento regional das localidades citadas, o engenheiro Fernando Alcoforado fez afirmações sobre a inviabilidade econômica do projeto sem considerar seu completo dimensionamento.

Alcoforado equivoca-se ao comparar os custos da ponte Rio-Niterói, com um plano de desenvolvimento. Não considera que o projeto do Governo do Estado envolve a construção de uma ponte, a duplicação da BA-001 na Ilha de Itaparica e da ponte do Funil, construção da ligação entre Santo Antônio de Jesus e Castro Alves, além da qualificação da infraestrutura viária regional, bem como intervenções relacionadas à infraestrutura urbana e social na ilha, investimentos que se desdobram em um plano de desenvolvimento.

Este plano, que em 2010 foi orçado em R$ 7 bilhões, atualmente está sendo revisto. Entre os motivos estão a redução da taxa de juros nestes três anos e o aprofundamento dos estudos de sondagem, engenharia, meio ambiente, correntes marítimas, impactos culturais e imateriais, bem como análises sobre o desenvolvimento urbano.

Esses estudos permitirão informações mais precisas, por exemplo, do tipo de fundação da ponte, detalhamento do projeto de engenharia e traçado das diversas intervenções necessárias neste novo anel rodoviário que ligará Castro Alves a Salvador, passando pela ponte.

Questões como o impacto no trânsito e a localização das cabeceiras da ponte em Salvador e na Ilha de Itaparica também são objetos de estudo e pautas de reuniões com os municípios envolvidos.

Outro argumento utilizado pelos críticos refere-se à prioridade na aplicação de recursos, como se o governo já não tivesse investido bilhões na área social e como se fosse possível deslocar investimentos segundo a vontade de cada um. Utilizando a desinformação de parcela da sociedade, esses críticos esquecem (de propósito?) como funcionam as diversas fontes e usos do dinheiro nos orçamentos públicos, visto que não há possibilidade de deslocar recursos de uma rubrica para outra.

Desde o início da administração atual, em 2007, o Estado aceitou o desafio de executar projetos estruturantes. Enfrentamos questões relacionadas à infraestrutura social, como a ampliação do acesso à água e ao saneamento, que beneficiaram mais de 4,5 milhões de pessoas e até 2014, investiremos R$ 7,7 bilhões. Também não nos esquivamos de intervir na conservação de 19 mil km de rodovias.

O Governo da Bahia promoverá o desenvolvimento socioeconômico de todo o Estado, o que inclui a Região Metropolitana de Salvador, Recôncavo e Baixo Sul. Também continuaremos investindo em soluções para a mobilidade urbana e logística. Por mais que os críticos insistam, a construção de novas faixas na BR-324 não alteram significativamente a realidade das áreas em questão.

Quanto à necessidade de melhorar a trafegabilidade na BR-324, o contrato de concessão do Governo Federal com a empresa Via Bahia especifica que o concessionário é obrigado a construir uma nova pista, em cada sentido, dentro do prazo de 12 meses, no momento em que o fluxo alcançar 70 mil veículos por dia. Mais outra pista está prevista quando o fluxo superar os 105 mil veículos/dia.

Um novo ciclo de desenvolvimento está em curso e o projeto da ponte Salvador – Ilha de Itaparica está inserido neste novo contexto. Nesse sentido, a Bahia se posiciona estrategicamente para captar ainda mais recursos do Governo Federal a fim de melhorar a vida de milhões de baianos. Penso que ninguém é contra isso.

José Sergio Gabrielli é ex-presidente da Petrobras e secretário de Planejamento da Bahia. Este artigo foi divulgado pela Assessoria de Comunicação da Seplan

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