Eleição pode ajudar volta do Paraguai ao Mercosul e Unasul

Sarah Germano
Da Agência ANSA

São Paulo – O resultado das eleições presidenciais no Paraguai pode ajudar o país a se reintegrar aos blocos regionais Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a União das Nações Sul-americanas (Unasul), dos quais foi suspenso após o impeachment do presidente Fernando Lugo, em junho de 2012.

O professor de Relações Internacionais da Universidade Anhembi Morumbi José Aparecido Rolon, que estuda a política paraguaia há mais de dez anos, destacou que o pleito tem importância para o país por questões internas, mas também pelo retorno ao cenário regional. “Cerca de 29% da emissão de empregos no Paraguai está ligada à relação com o Mercosul. O Paraguai precisa retornar”, afirmou.

Rolon acredita que a volta de Assunção ao bloco “é muito provável”. “Se essa nova eleição ocorrer dentro dos padrões esperados, sem fraude, isso colocaria o Paraguai novamente na possibilidade de ser readmitido no Mercosul”.

O chanceler Antonio Patriota declarou recentemente que a escolha de um novo mandatário deve “abrir caminho” para a reincorporação do país no bloco regional, que também é formado por Argentina e Uruguai e cuja suspensão de Assunção permitiu a integração da Venezuela. A entrada de Caracas precisava somente da ratificação do Senado paraguaio para ser concretizada.

“A realização das eleições é um passo fundamental para que se possa decretar a plena vigência democrática e a reintegração plena do Paraguai ao Mercosul, que será objeto de uma avaliação pelos membros do Mercosul e da Unasul nas suas cúpulas deste ano”, explicou Patriota, na ocasião.

Ainda de acordo com o chanceler, uma missão da União das Nações Sul-americanas (Unasul), bloco que também suspendeu o Paraguai após o Impeachment, vai acompanhar o processo eleitoral.

Apesar de 11 candidatos disputaram a Presidência do país, dois se destacam na competição: o governista Efraín Alegre e o opositor Horacio Cartes, do tradicional Partido Colorado — que governou o país por muitos anos, mas não voltou ao poder desde 2008.

O Partido Colorado esteve à frente do governo paraguaio durante 61 anos, até ser derrotado pela Aliança Patriótica, uma coalizão de partidos e movimentos sociais, que colocou o ex-presidente Fernando Lugo no poder.

Uma pesquisa publicado pelo jornal Ultima Hora, um dos principais do país, no último domingo mostrou Efraín pouco à frente de Cartes na intenção de votos. De acordo com a publicação, o governista teria 36,7 % dos votos e seu opositor 34,8%.

Cartes é um empresário com atividades em vários ramos como bancário, de bebidas, e de tabaco, e já comentou, em mais de uma oportunidade, que financiou atividades de diversos políticos, inclusive de candidatos de outros partidos. Rolon destaca que o colorado nunca atuou no ramo da política e que sua escolha pode ter sido por uma questão financeira.

Alegre, por sua vez, já atuou como senador e como ministro de Obas Públicas durante a gestão de Lugo, apesar do governo progressista do ex-presidente, ele é conservador. Rolon destaca que “os dois candidatos representam uma oligarquia, são de partidos tradicionais”.

Além de presidente, nas eleições de 21 de abril serão eleitos vice-presidente, senadores e deputados federais, legisladores para o Parlamento do Mercosul (Parlasul) e governadores. (AnsaLatina)

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