Primo de Bruno diz que filho do goleiro também morreria

Às vésperas do julgamento do ex-goleiro Bruno, acusado de mandar matar a amante Eliza Samudio, o Fantástico faz uma entrevista exclusiva e reveladora com a principal testemunha do caso. Depois de cumprir dois anos e dois meses de medida socioeducativa por também ter participado do crime, Jorge Luiz Rosa, primo de Bruno e responsável por denunciar o caso à polícia, quebra o silêncio.

Ele fala do envolvimento do goleiro no assassinato de Eliza; afirma que Bruninho, o filho de Bruno com a amante, também deveria ser morto; e que chegou a receber uma proposta para matar a atual mulher do ex-jogador do Flamengo. A reportagem do Fantático foi feita por Renata Ceribelli e Evandro Siqueira.

Foi uma entrevista cheia de contradições e revelações.

Ceribelli: Você acha que o Bruno desejava a morte da Eliza?
Jorge: Desejava não, mas acho impossível ele não saber que o Macarrão estava planejando uma coisa daquela ali, com ela.

A principal testemunha do caso Bruno ainda fez acusações novas e muito graves contra Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, o braço direito do ex-goleiro do Flamengo.

Jorge: Ele falou: ‘você tem que matar a Ingrid, a esposa do Bruno’.

Jorge Luiz Rosa, hoje com 19 anos, é primo do jogador. O rosto dele nunca tinha aparecido porque era menor de idade quando foi acusado de participar do sequestro e da morte de Eliza Samudio, em junho de 2010. Ela teve um filho com o goleiro e cobrava na Justiça o reconhecimento da paternidade e o pagamento de pensão alimentícia. Segundo as investigações, Bruno planejou o assassinato da ex-amante.

Jorge: Me sinto um pouco culpado, sim. Sinto.

Um mês depois do crime, Jorge prestou um depoimento à polícia do Rio de Janeiro. Foi ele o primeiro a afirmar que Eliza não tinha simplesmente desaparecido.

Ceribelli: Você também disse no seu depoimento que os restos mortais da Eliza teriam sido jogados para os cachorros.

Jorge: Foi o Macarrão que me falou que tinha sido jogado, que tinha dado umas bicudas nela, antes dela morrer, antes de enforcar ela.

Durante o processo, Jorge mudou o depoimento pelo menos quatro vezes. Segundo o Ministério Público, eram tentativas de diminuir a participação de Bruno no crime.

Ao Fantástico, o jovem falou por quase uma hora e meia. O tempo todo, Jorge fez questão de dizer que Macarrão, que há três meses foi condenado pela morte de Eliza, é o principal culpado.

Jorge: Ele era um cara muito filho da p., o Macarrão. O Macarrão era um cara muito ordinário mesmo.

Quanto a Bruno, que deve ir a julgamento daqui a oito dias, primeiro Jorge falou uma coisa.

Ceribelli: Você acredita que o Bruno não sabia de nada?
Jorge: Não sabia de nada.

Depois, outra.

Jorge: Muito ingênuo ele não saber que o Macarrão estava planejando aquilo. Era impossível ele não ter desconfiado de nada.

Por que ele mudou o rumo da entrevista? O que tem de verdade e de mentira nessa história?

Aos 17 anos, Jorge passou a morar na casa do primo famoso, no Recreio dos Bandeirantes, no Rio.

Ceribelli: Por que você foi morar com o Bruno?
Jorge: Foi por negócio de dívida de droga. Eu tinha pegado uma carga de droga para poder vender.
Ceribelli: Que droga?
Jorge: Maconha. Minha mãe ligou para ele e falou o que estava acontecendo. Na mesma hora, ele falou que podia me levar para a casa dele.

Macarrão vivia na mesma casa.

Jorge: Eu já comecei a ver que o Macarrão era uma pessoa que tinha ciúme do Bruno mesmo, foi quando eu cheguei na casa e ele sabia do meu problema, que eu estava precisando de dinheiro para pagar essa droga. Ele chegou e perguntou se eu queria ganhar R$ 15 mil. Ele falou: ‘você tem que matar a Ingrid’. Eu falei: ‘só isso?’.
Ceribelli: Matar a Ingrid?
Jorge: Matar a Ingrid. Ele falou: ‘é. só isso’. Eu falei:’ mas por que você quer que eu mate ela?’. Ele pegou e falou assim: ‘porque ela não faz bem para o Bruno’.
Ceribelli: Você pensou em fazer?
Jorge: Pensei, porque eu estava precisando do dinheiro.

Jorge diz que conversou com Bruno, mas sem revelar o plano de Macarrão.

Jorge: Eu perguntei ao Bruno: ‘Bruno, você gosta mesmo da Ingrid?’. Ele falou: ‘Pô, essa é a mulher da minha vida’. No outro dia, o Macarrão chegou perto de mim e falou: ‘Vai fazer?’. Falei: ‘não vou, velho. A mulher não faz mal para o Bruno’.
Ceribelli: O Macarrão pediu para você não contar pro Bruno?
Jorge: Pediu para eu não falar com ele. Falei: ‘pode ficar tranquilo. Isso ai não vai sair de mim, não’. (Fantástico)

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