“Eles queriam me linchar. Eu, conversar”, diz Yoani Sanchéz

A blogueira Yoani Sánchez precisou de escolta policial em Feira de Santana (BA) (Reginaldo Pereira/EFE)
A blogueira Yoani Sánchez precisou de escolta policial em Feira de Santana (BA)
Depois dos ataques sofridos em Feira de Santana, a blogueira cubana Yoani Sanchéz desabafou em seu blog: “Eles queriam me linchar. Eu, conversar. Eles seguiam ordens. Eu sou uma alma livre”. Na cidade baiana, onde seria exibido o documentário Conexão Cuba-Honduras, no qual Yoani é uma das entrevistadas, militantes de grupos ligados ao PT, PC do B e ao movimento estudantil baiano cercaram o auditório e obrigaram os organizadores a cancelar a exibição do filme. Ela só conseguiu deixar o local escoltada por policiais militares.

No blog, Yoani comentou o ataque. A cubana conta que já viveu diversos atos de repúdio, mas diz que o episódio em Feira de Santana foi “inédito”: “O piquete de extremistas que impediu a projeção do filme de Dado Galvão era algo mais do que um bando de seguidores incondicionais do governo cubano”, escreveu Yoani.

“Todos tinham os mesmo cartazes com um monte de mentiras sobre mim, tão maniqueístas quanto fáceis de refutar com uma simples conversa. Eles não tinham qualquer intenção de escutar minhas respostas. Eles gritavam, interrompiam, em um momento ficaram violentos e gritavam em coro slogans que já não são ouvidos nem em Cuba”.

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Segurança – Preocupados com a segurança da blogueira, parlamentares protocolaram nesta terça-feira, na Câmara dos Deputados, um requerimento pedindo ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, proteção especial para a cubana durante sua passagem pelo Brasil.

O documento pede também a investigação do dossiê elaborado para desqualificar o trabalho da blogueira contra a ditadura castrista. A informação, revelada em reportagem de VEJA desta semana, mostra que a confecção de um plano de espionagem e perseguição política à cubana contou com a presença de um assessor do Palácio do Planalto, além de militantes do PT e do PC do B e integrantes da CUT.

O documento, elaborado pelo Democratas (DEM), aponta que as denúncias de VEJA estão sendo confirmadas pelos protestos promovidos nos locais em que a cubana passa. Na chegada ao Brasil nesta segunda-feira, quando desembarcou no Recife, Yoani foi recebida com faixas de protesto e vaias. Na ocasião, ela limitou-se a dizer: “Isso é democracia”.

Por causa dos ataques os parlamentares entendem que a proteção servirá para coibir agressões físicas e qualquer ato de intolerância política. “O governo brasileiro não deve se preocupar com o que a blogueira fala sobre o regime ditatorial cubano e, sim, em garantir e defender o direito dela de expressar suas opiniões”, diz o texto.

Também foi pedido ao Ministério da Justiça que a Polícia Federal investigue a atuação de Ricardo Poppi, coordenador-geral de Novas Mídias da Secretaria-Geral da Presidência da República, no plano de espionagem e perseguição articulado pelo governo cubano.

Agenda cheia – No ano passado, Yaoni tentou visitar o Brasil para participar da apresentação do documentário e, apesar de receber o visto de entrada brasileiro, as autoridades cubanas negaram a permissão de saída. Nesta quarta-feira, a blogueira visitará a Câmara dos Deputados e, depois, seguirá para São Paulo, onde tem atividades até sábado.

A viagem da cubana pelo mundo também inclui México, Peru, Estados Unidos, República Tcheca, Alemanha, Suécia, Suíça, Itália e Espanha, onde entre outros eventos participará na cidade de Burgos de um congresso sobre internet entre 6 e 8 de março. (Veja Online)

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