Mudança do Garcia leva irreverência e protestos à Avenida

O  bloco oferece ao folião a oportunidade de brincar com os problemas cotidianos  (Foto: Tatiana Azeviche – Setur)
O bloco oferece ao folião a oportunidade de brincar com os problemas cotidianos (Foto: Tatiana Azeviche – Setur)

Salvador – A tradição do Carnaval de Salvador, como sempre, venceu e a Mudança do Garcia, desfila com a sua irreverência e protestos pela passarela oficial do Campo Grande. Depois de furar vários cercos e disputar a entrada com outras agremiações e trios, o divertido bloco sem cordas e sem organização, ofereceu ao folião baiano a oportunidade de brincar com os problemas cotidianos.

A história do bloco é antiga, cheia de versões, mas coerente com a sua irreverência. Teria sido criado há 80 anos e só em 1950 os moradores mudaram o nome para Faxina do Garcia, já que desfilavam com vassouras, baldes e pano de chão, em protesto pela lama e barro que sujava as casas em épocas de chuva. Em 1959, passou a se denominar Mudança e esta versão diz respeito à retirada de moradores de invasões próximas ao bairro.

Para participar não foi preciso pagar, nem se associar. Era só fazer a fantasia e se juntar ao grupo. Os foliões aproveitaram para exercitar a criatividade, como fez Edvaldo Damiense, que usou um controle remoto de TV preso à uma lata de refrigerante e aconselhava, em um cartaz, “beba com controle”.

Como é democrático, pequenos blocos se agregam ao grupo principal. O Bloco do Galo, com o tema “moradia digna”, a batucada Sambalança do Garcia, grupo Capoeira Novo Mundo e os Amigos de Carmô foram alguns dos que desfilaram na Mudança este ano. Também não faltaram personagens como o deputado, repórter e cinegrafista de TV e homens fantasiados de mulher, como é de praxe na agremiação.

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