Máscaras de Joaquim Barbosa fazem sucesso no Carnaval carioca

Rosto do ministro está moldado em máscaras e seu nome foi parar nas letras de sambas e marchinhas (Rafael Moraes / Agência O Globo)
Rosto do ministro está moldado em máscaras e seu nome foi parar nas letras de sambas e marchinhas
O processo do mensalão perdeu o juridiquês e ganhou um ar mais descontraído. Pelo menos durante este carnaval. De marchinhas a máscaras, o escândalo e seus personagens foram parar no rosto e na boca do povo durante os blocos. E, quando se fala no tema, não há figura mais homenageada do que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e relator do processo na Corte, Joaquim Barbosa.

O rosto do ministro está moldado em máscaras e seu nome foi parar nas letras de sambas e marchinhas. Barbosa virou até boneco gigante, com direito a toga, no carnaval pernambucano, homenagem feita com sua autorização.

Tudo com a devida vênia — expressão que os ministros do Supremo e os advogados repetiam como um mantra no julgamento e que significa “com o devido respeito”.

— Já vendemos 26 mil máscaras do Joaquim Barbosa e ainda hoje (sexta-feira) estamos acabando de pintar as últimas. A última vez que vendemos essa quantidade de um único personagem foi na primeira eleição do Lula. Eu não esperava vender isso tudo. Em setembro, tinha feito um cálculo de dez mil máscaras do Joaquim — disse Olga Valles, proprietária da fábrica fluminense que produz os itens.

Apesar do destaque para Barbosa, sobrou espaço para outros personagens centrais do escândalo, citados em letras irreverentes, como o operador do mensalão, Marcos Valério, o ex-ministro José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, o ex-deputado Roberto Jefferson e o deputado federal José Genoino (PT-SP). Os cinco foram condenados pelo Supremo.

Quem vai brincar com o tema na terça-feira de carnaval é o bloco “Meu bem, volto já”, que desfilará pelas ruas de Copacabana, na Zona Sul, cantarolando o trecho “Limão no olho, telefone, adultério/ Lady Jefferson, Delúbio e Valério”.

Se Dirceu não estava na letra do “Meu bem, volto já”, não ficou de fora do “Imprensa que eu Gamo”, que desfilou no sábado passado pelas ruas de Laranjeiras, na Zona Sul do Rio. Sobrou até para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aproximadamente 10 mil pessoas acompanharam o bloco cantando o refrão: “Zé Dirceu… Se perdeu/ Antes ele do que eu/ A Carolina todo mundo viu pelada/ Menos o Lula que nunca sabe de nada”.

No domingo passado, a Banda da Barra desfilou na Zona Oeste do Rio ao som de “Dirceu que levou o meu dinheiro/pro estrangeiro!/Valeu, Joaquim, acabou com essa farra!/Tá na hora de mudar/quem mama na teta da Pátria Mãe Gentil/vai pra longe do Brasil”.

A letra da Banda da Barra é apenas uma das várias em que os condenados viraram vilões e Barbosa, o mocinho. Na Banda Mole, que passou no último dia 2 pelas ruas de Belo Horizonte, o tema foi “Mensaleiro não conta prosa na corte do Barbosa”. O bloco Boca Maldita, que passou por Copacabana no dia 20 de janeiro, foi outro que homenageou o presidente do Supremo.

Em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio, o bloco “A pauta caiu” também prestou homenagens a Joaquim Barbosa durante seu desfile, no sábado passado. “Vem ler meu amor, hoje eu tô que tô/ O São Gonçalo anuncia: com o Barbosão, a piada de salão não vingou em Brasília”.

O Bloco Acorda Peão, organizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, desfilou ontem com quatro carros alegóricos. Um deles trazia Dirceu, Genoino e Marcos Valério dentro de uma cela. Do lado de fora, estava um personagem representando Joaquim Barbosa. Na letra, o processo também foi lembrado: “Até o Supremo já cedeu à pressão/ Não mandou prender todo o mensalão”. (O Globo)

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